O Papel do Vírus da Leucemia Bovina no Cancro da Mama

Tanto quanto 37% do cancro da mama humano pode ser atribuível a exposição ao vírus da leucemia bovina.

Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos vídeos aqui

Notas do Dr. Michael Greger

Para algum do contexto histórico que levou a estas descobertas chocantes, vejam o último vídeo O Vírus da Leucemia Bovina no Leite é Infeccioso? (Legendado em Português)

Não consegui esperar para ler as revistas da indústria da carne e dos laticínios para ver como tentariam dar a volta a isto. Descubram o que eu descobri no meu próximo e último vídeo desta série A Resposta da Indústria ao Vírus da Leucemia Bovina no Cancro da Mama.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original The Role of Bovine Leukemia Virus in Breast Cancer e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas
Desenrole a Transcrição aqui

O Papel do Vírus da Leucemia Bovina no Cancro da Mama

Até 20% de todos os cancros estão associados a infecções, particularmente vírus, e a lista de agentes infecciosos potencialmente cancerígenos está a crescer. Poderia ser ótimo se encontrássemos um vírus que contribuísse para o risco de cancro da mama, porque então poderíamos ter novas maneiras de o prevenir e tratar.
Atualmente, a ligação dietética entre carne e laticínios e cancro da mama é considerada um efeito da gordura saturada, mas existe um vírus que causa cancro na vaca, que infeta as células das glândulas mamárias das vacas. O vírus infeccioso é então libertado no abastecimento de leite, e uma vez que a maioria das manadas leiteiras dos EUA estão infetadas, os cientistas concluíram que os americanos estão muitas vezes expostos a este vírus da leucemia bovina, mas não tínhamos provas até 2003, 34 anos após o vírus ter sido identificado pela primeira vez.
Logo ao início, os nossos melhores testes disponíveis falharam em encontrar anticorpos para o vírus no sangue humano. Quando o nosso sistema imunitário é exposto a um vírus ele cria anticorpos para o atacar. Se não há anticorpos, não há exposição, de modo que isto conduziu à opinião prevalecente de que este vírus não representa qualquer perigo para a saúde pública. Esses testes eram o estado da arte na época, mas extremamente insensíveis quando comparado com as técnicas mais modernas, por isso os pesquisadores decidiram reexaminar a questão agora que tínhamos testes melhores. E então tiraram sangue a cerca de 250 pessoas apenas para responder à pergunta, “Haverá humanos com anticorpos para o vírus da leucemia bovina?” E 191 deles tinham, 74% …. Não que devêssemos ficar surpreendidos. Até então quase 90% das manadas leiteiras americanas estavam infetadas e na última pesquisa nacional, 100% das grandes fazendas industriais estavam infetadas quando se testou o leite que saía dessas operações.
Então, por que não há por aí uma epidemia de cancro das tetas? Vejam, o gado leiteiro é feito em hambúrguer tão jovem que não há muito tempo para que desenvolvam tumores grandes. E é assim que a maioria das mulheres poderão estar a ficar infetadas. Embora a pasteurização deva dar cabo do vírus, quem ainda não comeu um hambúrguer rosa no meio em algum momento da sua vida? O ponto fundamental é que a suposição de longa data de que o vírus da leucemia bovina não é um perigo para a saúde pública já não é mais sustentável. Este campo inteiro de investigação devia ser reaberto, com a próxima etapa a determinar se os seres humanos estão ativamente, na realidade, infetados.
A presença de anticorpos é geralmente interpretada como um indicador de infeção passada ou presente, mas, teoricamente, talvez tenhamos apenas feito anticorpos para vírus mortos que comemos, vírus que tinham sido mortos pelo cozimento ou a pasteurização. Lá porque três quartos de nós haviam sido expostos, não significa que estivéssemos ativamente infetados com o vírus. Para provar isso teríamos realmente que encontrar o retrovírus ativamente costurado no nosso próprio DNA. Bem, olhem, milhões de mulheres tiveram cirurgia à mama porque não simplesmente olharmos para esse tecido? Os pesquisadores fizeram-no e em 2014 publicaram as suas descobertas no jornal das doenças infecciosas emergentes do CDC. e 44% das amostras tiveram resultados positivos, provando pela primeira vez que os seres humanos podem ser infetados com o vírus da leucemia bovina.
O passo final, então, é determinar se o vírus está efetivamente a contribuir para a doença. Por outras palavras, serão os vírus da leucemia bovina que estamos a encontrar no tecido mamário humano causadores de cancro ou simplesmente passageiros inofensivos? Uma maneira de descobrir isso é ver se o vírus está mais frequentemente presente naqueles com cancro da mama, mas ninguém tinha procurado pelo vírus no tecido mamário de vítimas de cancro … até agora. A presença de ADN do vírus da leucemia bovina em tecidos mamários foi fortemente associada com cancro da mama diagnosticado e confirmado. Tanto quanto 37% dos casos de cancro da mama podem ser atribuíveis à exposição do BLV. Tantos quanto 37% dos casos de cancro da mama humano podem ser atribuíveis à exposição ao vírus da leucemia bovina. Nutrição em Factos, o mais recente na pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
Recolher Transcrição

Imagem graças a Wayne Stadler via Flickr.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *