Tratando Doença Renal Crónica com Alimentos

Dietas à base de plantas têm sido demonstradas como bem sucedidas no abrandar ou parar da progressão de insuficiência renal, mas e todo aquele potássio e fósforo nos alimentos vegetais?

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Notas do Dr. Michael Greger

Esta é a última de uma extensa série de vídeos de 6 partes sobre a mais recente ciência em saúde dos rins. Veja o resto da série aqui:

O problema para a maioria das pessoas (98% das Dietas dos Americanos Deficientes em Potássio) é não obterem suficiente potássio, mas é preciso ter rins funcionais para nos mantermos equilibrados. Demasiado fósforo no sangue também pode ser um problema. Aditivos fosfatados são algo do qual devíamos manter-nos afastados. Vejam a minha série de três vídeos:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Treating Chronic Kidney Disease with Food e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Tratando Doença Renal Crónica Com Alimentos

Nos Estados Unidos, aproximadamente um em cada três adultos com 65 anos ou mais tem doença renal crónica, mas a maioria dos pacientes com doença renal crónica não progride para estágios avançados porque a morte precede a progressão ao estágio final da doença renal. Seguindo cerca de mil pessoas com 65 anos ou mais com doença renal crónica, por uma década, apenas algumas tiveram que fazer diálise, porque a maioria estava debaixo da terra. A coisa mais assustadora para muitos pacientes renais é o medo de diálise, mas eles têm 13 vezes mais chance de morrer do que de fazer diálise. Sendo que as mortes por doença cardíaca matam mais que quase todas as outras causas juntas, a diminuição na função renal pode estar apenas a preparar a pessoa para ataques cardíacos, derrames e morte. É por isso que é crítico que qualquer dieta eleita para ajudar os rins também ajude o coração. Uma dieta à base de plantas cumpre esse papel, protegendo contra cancro nos rins e pedras nos rins e inflamação nos rins e acidose, assim como contra doença cardíaca. Especificamente o controle da pressão sanguínea pode ser favorecido pela redução no consumo de sódio e pela natureza vegetariana da dieta, o que também é muito importante para diminuir o colesterol plasmático, o que pode não apenas ajudar o coração mas os próprios rins também. Já bem lá atrás, em 1858, Virchow, o pai da patologia moderna, foi o primeiro a descrever a degeneração gordurosa dos rins. Em 1982 esta ideia de nefrotoxicidade por lipídios foi formalizada: a possibilidade de que a gordura e o colesterol na corrente sanguínea possam ser tóxicos para os rins de forma direta, baseado em dados como estes, mostrando placas de gordura literalmente a entupirem o funcionamento durante autópsias de rins. Uma vez que essa ideia foi publicada ela ganhou reconhecimento. Parece que o colesterol elevado e a gordura na corrente sanguínea podem acelerar a progressão de doença renal crónica por meio de efeitos tóxicos diretos nas próprias células dos rins. Considerando a conexão entre colesterol e declínio dos rins, o uso de drogas estatinas que diminuem o colesterol foi recomendado para diminuir a progressão de doença renal. Claro que os sérios efeitos adversos nos músculos e no fígado devem ser considerados. É por isso que as dietas à base de plantas podem oferecer o melhor dos dois mundos, protegendo o coração e os rins, sem os efeitos adversos das drogas. Os potenciais lados negativos são a quantidade de fósforo e potássio em alimentos vegetais, os quais rins prejudicados podem ter dificuldade em eliminar. Mas parece que o fósforo em carnes é absorvido duas vezes mais rápido, sem mencionar os complementos de fosfato que são injetados nas carnes. Então, comer vegetariano pode reduzir significativamente os níveis de fósforo no sangue. A preocupação com potássio é amplamente teórica, uma vez que o efeito alcalinizante das plantas ajuda o corpo a eliminar potássio, mas não são teóricos para aqueles em diálise ou com doença terminal, que precisam ser acompanhados de perto por um nutrólogo especialista em rins. Dietas veganas especiais restritas em proteínas foram usadas com sucesso para diminuir ou parar a progressão de falência renal. Aqui está a função renal em declínio de oito diabéticos durante um a dois anos antes de mudarem para uma dieta à base de plantas, o que pareceu parar o declínio inexorável na maioria dos pacientes, levando os pesquisadores a estabelecerem que este deve ser o tratamento preferencial para falência renal diabética. Pode ajudar também a postergar diálise em um ou dois anos, e, depois de transplante, pode melhorar a sobrevivência do rim e melhorar a sobrevivência do paciente. A maioria dos estudos, no contudo, são apenas estudos piloto de viabilidade. Não importa se é eficiente se não conseguirmos fazer com que as pessoas mantenham a dieta. Mas enquanto esperamos por estudos mais definitivos, os dados existentes apoiam a oferta desse tipo de dieta à base de plantas como uma opção para todos os pacientes com doença renal crónica avançada ou progressiva. Mesmo que o efeito desse tipo de dieta na progressão de falência renal ainda seja questionável, os efeitos benéficos positivos inquestionáveis de uma dieta à base de plantas em uma das doenças cardiovasculares mais graves e em disfunções metabólicas, normalmente associadas com falência renal, como hipertensão e diabetes, apoiam a lógica de recomendar uma preferência por proteínas vegetais para pacientes com falência nos rins. Ainda assim, a dieta ainda é pouco utilizada, em parte porque algumas pessoas acham difícil mudar as suas dietas. E contudo sabemos que comidas ricas em proteína animal levam a acidez metabólica. As nossas dietas são em grande parte acidificantes por serem deficientes em frutas e vegetais e conterem grandes quantidades de produtos animais. E então o que é que os médicos fizeram? Deram bicarbonato de sódio às pessoas. Em vez de tratarem a causa, a carga ácida dietética resultante de muitos produtos animais e muito poucas frutas e vegetais, eles trataram a consequência, dizendo: “Oh, muito ácido? Bom, então vamos dar-vos um pouco de uma base, bicarbonato de sódio”. E funciona. Neutralização de acidez dietética com bicarbonato diminui falência renal e abranda o declínio da função renal, mas… o bicarbonato de sódio tem sódio, então os médicos podem estar apenas a adicionar outro problema. Então, se os pacientes não vão diminuir o seu consumo de produtos animais, pelo menos eles deveriam estar a comer mais frutas e vegetais. E então eles tentaram isso, e vejam, também funcionou, e funcionou sem adicionar muito potássio no sangue. E pode até funcionar melhor, já que as frutas e os vegetais têm a vantagem adicional de ajudar a diminuir a pressão sanguínea. Este estudo é importante porque ilustra uma maneira simples e segura de tratar acidose metabólica: frutas e vegetais. Então o segredo para parar a progressão de doença renal crónica pode estar na feira, não na farmácia. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagens graças a Steve Davies via Flickr.

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