Tratando Esclerose Múltipla com a Dieta Swank MS

Uma dieta baseada em plantas poderá ser não apenas o tratamento mais seguro para a esclerose múltipla, poderá ser também o mais eficaz.

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Notas do Dr. Michael Greger

Toquei neste tópico na minha apresentação anual ao vivo de 2013 Mais do que Uma Maçã Por Dia, mas estou excitado por poder mergulhar de modo mais profundo nesta história extraordinária.

Aqueles interessados em apoiar o estudo de referência do Dr. McDougall (conduzido pelo Dr. Dennis Bourdette, e sob supervisão do Dr. Vijayshree Yadav) podem doar a esta Fundação McDougall para a Pesquisa e Educação que é sem fins lucrativos. (também podem doar a NutritionFacts.org para nos ajudarem a continuarmos a trazer-vos ciência que está, de forma similar, por relatar, apesar de salvar vidas).

Outra razão para o trabalho do Dr. Swank não ter sido adotado poderá ser O Efeito Tomate.

Outros vídeos sobre o papel que a dieta poderá desempenhar nas desordens neurológicas incluem:

O que há nas salsichas e no ovo que poderá causar tanta inflamação? Vejam a minha série de vídeos sobre endotoxinas descrita no meu blog como Como é que a Carne Causa Inflamação?

Onde se encontra a gordura saturada? Vejam Gordura Trans, Gordura Saturada e Colesterol: Limite Máximo de Ingestão é Zero.

Aqueles não familiarizados com Pritikin podem ver uma curta introdução em Engendrando uma Cura, e o excelente trabalho de Ornish e Esselstyn é abordado em vídeos como O Nosso Assassino Número Um Pode Ser Travado e O Estudo da China Sobre Morte Cardíaca Súbita.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários no vídeo original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

P. Riccio. The molecular basis of nutritional intervention in multiple sclerosis: A narrative review. Complement Ther Med 2011 19(4):228 – 237.

R. L. Swank, J. Goodwin. Review of MS patient survival on a Swank low saturated fat diet. Nutrition 2003 19(2):161 – 162.

U. N. Das. Is there a role for saturated and long-chain fatty acids in multiple sclerosis? Nutrition 2003 19(2):163 – 166.

M. A. Kadoch. Is the treatment of multiple sclerosis headed in the wrong direction? Can J Neurol Sci 2012 39(3):405.

A. Shirani, Y. Zhao, M. E. Karim, C. Evans, E. Kingwell, M. L. van der Kop, J. Oger, P. Gustafson, J. Petkau, H. Tremlett. Association between use of interferon beta and progression of disability in patients with relapsing-remitting multiple sclerosis. JAMA 2012 308(3):247 – 256.

J. J. Marriott, J. M. Miyasaki, G. Gronseth, P. W. O’Connor. Evidence Report: The efficacy and safety of mitoxantrone (Novantrone) in the treatment of multiple sclerosis: Report of the Therapeutics and Technology Assessment Subcommittee of the American Academy of Neurology. Neurology 2010 74(18):1463 – 1470.

A. Compston, A. Coles. Multiple sclerosis. Lancet 2008 372(9648):150-2­17.

R. L. Swank, B. B. Dugan. Effect of low saturated fat diet in early and late cases of multiple sclerosis. Lancet 1990 336(8706):37 – 39.

Swank MS Foundation. 2009. Dr. Roy Laver Swank.

R. L. Swank. Multiple sclerosis: Twenty years on low fat diet. Arch. Neurol. 1970 23(5):460 – 474.

R. L. Swank. Treatment of multiple sclerosis with low-fat diet. AMA Arch Neurol Psychiatry. 1953 69(1):91-103.

R. L. Swank. Multiple sclerosis; a correlation of its incidence with dietary fat. Am J Med Sci. 1950 Oct 220(4):421-430.

Igarashi K, Tsuji M, Nishimura M, Horimoto M. Improvement of endothelium-dependent coronary vasodilation after a single LDL apheresis in patients with hypercholesterolemia. J Clin Apher. 2004;19(1):11-6.

SWANK RL, LERSTAD O, STRØM A, BACKER J. Multiple sclerosis in rural Norway its geographic and occupational incidence in relation to nutrition. N Engl J Med. 1952 May 8;246(19):722-8.

Kwa VI, van der Sande JJ, Stam J, Tijmes N, Vrooland JL; Amsterdam Vascular Medicine Group. Retinal arterial changes correlate with cerebral small-vessel disease. Neurology. 2002 Nov 26;59(10):1536-40.

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Tratando Esclerose Múltipla com a Dieta Swank MS

A esclerose múltipla é uma doença auto-imune inflamatória degenerativa do sistema nervoso central, imprevisível e assustadora em que o nosso organismo ataca os seus próprios nervos. Muitas vezes ataca no auge da vida e pode causar sintomas no cérebro – debilidade cognitiva, no olho – perda de visão dolorosa, tremor, fraqueza, perda de controlo da bexiga, dor, e fadiga. A droga mais frequentemente prescrita, para a esclerose múltipla é o interferão beta, a qual pode fazer você sentir-se péssimo e custar 30.000 $ americanos por ano. Mas hey – podia valer a pena … se realmente funcionasse. Aprendemos no ano passado que não parece evitar ou retardar a incapacidade a longo prazo. Isso deixa-nos com drogas de quimioterapia como a Mitoxantrone, que causa danos irreversíveis no coração em 1 em cada 8 pessoas que tomam a droga, e leucemia aguda relacionada ao tratamento… Causa leucemia em quase 1% das pessoas que o tomam. Mas hey, Esclerose Múltipla (EM) não é nenhum passeio no parque. Se ao menos houvesse uma solução barata, simples, segura, e sem efeitos colaterais, e que por acaso também fosse o tratamento mais eficaz para esclerose múltipla alguma vez descrito. O Dr. Roy Swank, que faleceu aos 99 anos foi um neurologista distinto cuja pesquisa culminou em mais de 170 artigos científicos. Vamos dar uma olhada em alguns. Já em 1950, sabíamos que haviam áreas no mundo que tinham muita esclerose múltipla: América do Norte, Europa, enquanto noutros lugares: África e Ásia, quase não tinham nenhuma. E agora temos todos estes estudos de migração a mostrarem que se se passar de uma área de alto risco para uma área de baixo risco, o seu risco diminui, e vice-versa. Logo, parecia menos genética, e mais estilo de vida. O Dr. Swank teve uma ideia, tal como ele contou numa entrevista com o Dr. John McDougall, na jovem idade madura de 84 anos: “Parece-me possível que esta poderia ser uma questão de comida, porque…” “quanto mais para o norte se vai menos vegetariano é o modo de se levar a vida” “e quanto mais as pessoas são carnívoras, poder-se-ia dizer,” “elas passam muito mais tempo a comer carne.” Depois de ter olhado para os dados de esclerose múltipla da 2ª Guerra Mundial em países ocupados, onde a carne e os produtos lácteos foram racionados, e do seu famoso estudo de 1952 ter descoberto que a frequência de esclerose múltipla estava diretamente relacionada com a quantidade de gordura animal saturada consumida diariamente em diferentes áreas da Noruega, ele concluiu que poderia ser da gordura animal. E então ele decidiu colocá-lo à prova, restringindo a ingestão de gordura animal saturada pelas pessoas. Aqui temos os seus primeiros 47 pacientes antes de cortarem cerca de 90% da gordura saturada da sua dieta, e aqui temos o depois … mostrando uma diminuição tanto na frequência como na gravidade dos ataques de Esclerose Múltipla. Normalmente, é uma sorte conseguir-se que as pessoas mantenham uma dieta por 6 meses, e é por isso que a maioria dos ensaios dietéticos duram no máximo um ano. Esta é a comunicação dos resultados dos primeiros 3 anos e meio. Depois veio a do acompanhamento dos 5 anos e meio – onde ele acrescenta outros cerca de 100 pacientes. Depois, o acompanhamento dos 7 anos, publicado no Annals of Internal Medicine. E depois o acompanhamento de 20 anos… o acompanhamento dos 34 anos! Como se saíram eles? Se se apanhar as pessoas no início da sua doença, quando estão apenas levemente incapacitados, e se restringir a sua ingestão de gordura saturada, o Dr. Swank mostrou que ele podia parar a doença deles em 95% dos casos; nenhuma incapacidade 34 anos mais tarde. Mas se eles começassem a falhar na sua dieta, mesmo anos após o começo, a sua doença podia ser reativada. Eles sentiam-se tão bem que eram tipo, hey, posso fazer um pouco de batota, tenho esta doença sob controle. Mas comer apenas mais 8 gramas de gordura saturada por dia foi acompanhado de um aumento marcante na incapacidade e quase triplicando a taxa de mortalidade. E que tal um acompanhamento de 50 anos? Eles conseguiram rastrear 15 dos pacientes originais que se mantiveram na dieta, agora nos seus 70’s e 80’s, com esclerose múltipla por mais de 50 anos, e 13 dos 15, estavam a andar por ai normais em todos os aspectos. Estavam ativos e, evidentemente, extraordinariamente joviais. Conclusão: “Este estudo indicou que, com toda a probabilidade, “a Esclerose Múltipla é causada em grande parte pelo consumo de gordura animal saturada.” Ele pensou que era o sedimento do sangue causado por até mesmo uma única refeição de gorduras saturadas que pode entupir capilares minúsculos que alimentam o nosso sistema nervoso. Vejam, as dietas ricas em gordura saturada e colesterol podem engrossar o sangue e tornar as nossas células vermelhas pegajosas. A única refeição de salsicha e ovo pode apegar as nossas células sanguíneas como se fossem rolos de moedas. E este tipo de hiperagregação pode conduzir a uma redução do fluxo sanguíneo e da oxigenação dos nossos tecidos. Se se passar o sangue de alguém através de uma máquina que suga cerca de 90% do colesterol do seu sangue, consegue-se demonstrar uma melhoria imediata na microcirculação no músculo do coração. Mas e quanto ao cérebro? Os olhos são as janelas … para o seu cérebro. Pode-se visualizar, em tempo-real, as alterações na função dos vasos sanguíneos na retina na parte traseira do olho, o que nos dá uma noção do que está a acontecer mais atrás no cérebro. E se se diminuir o nível de colesterol no sangue, consegue-se obter imediatamente uma melhoria significativa na vasodilatação, as pequenas veias abrem bem e deixam o sangue fluir. Então, sim, poderia ser da gordura saturada levando ao entupimento dos nossos capilares, mas agora sabemos que as gorduras animais podem ter todo o tipo de outros efeitos deletérios, como inflamação, e então quem sabe qual poderá ser o verdadeiro mecanismo através do qual o cortar na gordura animal pode reduzir a progressão esclerose múltipla. Independentemente disso, os pacientes com esclerose múltipla que seguem uma dieta com não mais do que 10 a 15 gramas de gordura saturada podem esperar sobreviver e prosperar até uma idade madura e idosa. Claro que cortar a gordura saturada completamente poderá ser melhor, dado que a doença cardíaca é o nosso assassino número um. A questão de fundo é que os resultados que o Dr. Swank publicou continuam a ser o tratamento mais eficaz de esclerose múltipla alguma vez registado na literatura médica revista por pares. Em pacientes com estágio inicial de esclerose múltipla, 95% estavam sem progressão da sua doença 34 anos após terem adotado o seu programa alimentar baixo em gordura saturada. “Mesmo os pacientes que inicialmente tinham doença avançada mostraram benefício significativo.” “Até hoje, nenhum medicamento ou procedimento invasivo” “jamais chegou sequer perto de demonstrar tal sucesso.” Não custa 30.000 dólares, não dá leucemia, e funciona, melhor! Claro, tudo isto levanta uma grande questão óbvia: “Se os resultados do Dr. Swank são tão incrivelmente impressionantes” “por que é que outros médicos, neurologistas, ou centros não adotaram este método de tratamento?” Boa pergunta! Uma razão poderá ser que os aparelhos de ressonância magnética não foram inventados até à década de 1970. As ressonâncias magnéticas são como acompanhamos o progresso de esclerose múltipla hoje. Não temos que confiar em relatos subjetivos dos pacientes ou julgamentos clínicos do médico. Podemos ver a doença a ficar melhor ou pior ali mesmo em preto e branco. É como na década de 1970 quando Nathan Pritikin pareceu reverter a doença cardiaca aos milhares mas ninguém o levou a sério, até que a angiografia foi inventada e os seus similares Ornish e Esselstyn, puderam segurar imagens como esta, a provarem conclusivamente que uma dieta baseada em plantas podia literalmente abrir as artérias, ali mesmo em preto e branco. Então, o que nós precisamos é de alguém que repita o experimento de Swank hoje, com ressonâncias em cada passo do caminho … e, estou feliz de vos informar que esse exato experimento acabou de ser concluído, pelo Dr. John McDougall. O Dr. Swank foi um dos mentores médicos do Dr. McDougall, e o Dr. McDougall é um dos meus. O desenrolar do estudo foi concluído no ano passado e devemos ter os resultados em breve. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET

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Imagens graças a kenjisekine / Flickr.

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