Os Suplementos de Cálcio São Eficazes?

Qual é o consumo diário ótimo de cálcio e poderão os benefícios ósseos dos suplementos de cálcio compensarem os riscos para o coração?

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Notas do Dr. Michael Greger

O que é isto dos suplementos de cálcio e ataques cardíacos e derrames?! Deve ter perdido o vídeo da “prequela” Os Suplementos de Cálcio São Seguros?

E quanto àquela do quanto mais leite mais fraturas devido à galactose? Essa foi coberta em O Leite É Bom para os Nossos Ossos? (Legendado em Português)

Para aqueles que não estão a apanhar Sol suficiente (vejam as minhas recomendações aqui) eu aconselho suplementação em vitamin D. Para mais detalhes quanto a como cheguei à dose recomendada, vejam a minha série sobre vitamina D de há alguns anos atrás:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Are Calcium Supplements Effective? e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Os Suplementos de Cálcio São Eficazes?

Tem havido um pressuposto, já há décadas, de que, como elemento natural, os suplementos de cálcio devem ser intrinsecamente seguros, mas a suplementação de cálcio não é nem natural nem livre de risco, mas o mesmo poderia ser dito para todos os medicamentos do planeta. No entanto, os médicos continuam a escrever milhares de milhões de prescrições para drogas todos os anos porque a esperança, pelo menos, é de que os benefícios superem os riscos. E então, quais são os benefícios dos suplementos de cálcio? Sim, ataques cardíacos e derrames podem ser devastadores, mas as fraturas da anca também. O risco de morte dispara nos meses seguintes a uma fratura da anca. Cerca de uma em cada cinco mulheres não duram um ano após uma fratura da anca, e pode ser ainda pior para os homens, aparentemente cortando o tempo de vida em quatro ou cinco anos, em média. E, infelizmente, estas estatísticas sombrias não parecem estar a ficar muito melhores. E então, mesmo que os suplementos de cálcio tenham causado alguns ataques cardíacos e derrames, se eles prevenirem muitas mais fraturas da anca, então poderá resultar numa relação risco-benefício favorável. E então, quão eficazes são os suplementos de cálcio na prevenção de fraturas da anca? Já sabíamos que a ingestão de leite não aparece ajudar, mas talvez seja porque qualquer potencial benefício do cálcio no leite possa ser ofuscado pelo risco aumentado de fratura e morte associado com o açúcar galactose no leite. Mas e quanto a apenas o cálcio num suplemento de cálcio por si só? A ingestão de cálcio, em geral, não parece estar relacionada com o risco de fratura de quadril de todo. E quando as pessoas receberam suplementos de cálcio, Não só não houve qualquer redução no risco de fratura de quadril, um risco aumentado é possível. Os ensaios clínicos randomizados sugeriram um risco 64% maior de fraturas de quadril com a suplementação de cálcio, em comparação com apenas tomar um placebo de açúcar. Onde é que eles obtiveram esta ideia, então, de que os suplementos de cálcio podem ajudar os nossos ossos? Foi este estudo influente em 1992, que descobriu que uma combinação de suplementos de vitamina D e cálcio podia reduzir as taxas de fratura da anca em 43%, mas isso foi feito em mulheres institucionalizadas, como num lar de idosos, que estavam deficientes em vitamina D. Elas não estavam a receber exposição solar suficiente, e então, se se estiver deficiente em vitamina D e se tomar vitamina D e cálcio, não há surpresas, os seus ossos melhoram. Mas para as mulheres que vivem de forma independente, na comunidade, as últimas recomendações oficiais para a suplementação de cálcio e vitamina D para se prevenir a osteoporose é inequívoca: não suplementar. Porquê? Porque na ausência de evidências convincentes para o benefício, tomar suplementos não vale nenhum risco, não importa quão pequeno. Agora, isso não quer dizer que estes suplementos não desempenhem um papel no tratamento da osteoporose, ou que os suplementos de vitamina D possam não ser bons para outras coisas, mas se se está apenas a tentar prevenir fraturas, mulheres que vivem fora das instituições não devem tomá-los, e talvez até mesmo em instituições. Neste estudo, em vez de darem suplementos de vitamina D e cálcio a residentes de lares de idosos, eles randomizaram-nos a exposição à luz solar e suplementos de cálcio. E aqueles que tomaram as pílulas de cálcio tinham uma mortalidade significativamente aumentada, viveram vidas mais curtas do que o grupo com apenas luz solar. Embora os suplementos de cálcio não aparentem prevenir fraturas da anca, eles podem reduzir o risco global de fratura à volta de 10%, e então, aqui está o como o risco-benefício começa a revelar-se. Se mil pessoas tomaram suplementos de cálcio durante cinco anos, seria de esperar 14 ataques cardíacos em excesso, ou seja, 14 pessoas teriam um ataque cardíaco que não teriam tido se não tivessem iniciado os suplementos de cálcio. E então, eles estavam efetivamente a ir à loja comprar algo que lhes deu um ataque cardíaco, mais os dez derrames que de outra forma não teriam acontecido, e 13 mortes – pessoas que estariam vivas se não tivessem começado nos suplementos. Mas tudo isso está equilibrado com as 26 fraturas que seriam evitadas. Bem, não é divertido cair e quebrar o pulso ou algo assim, mas acho que a maioria das pessoas iria olhar para essa análise de risco-benefício e concluir que os suplementos de cálcio estão a fazer mais mal do que bem. Tendo em conta estas descobertas, o uso destes suplementos deve ser desencorajado, e os indivíduos aconselhados a obterem o cálcio na sua dieta, em vez. Os suplementos de cálcio têm sido associados com risco elevado de enfarte do miocárdio (ataques cardíacos), enquanto que a ingestão de cálcio na dieta não. Para quanto cálcio devemos apontar? Curiosamente, ao contrário da maioria dos outros nutrientes, não há consenso internacional. Por exemplo, no Reino Unido, a recomendação para adultos é de 700 mg por dia, mas do outro lado do lago, nos EUA, vai até 1.200 por dia. Sempre que vejo esse tipo de discrepância enorme entre painéis governamentais imediatamente penso em incerteza científica, manobras políticas, ou ambos. Dados mais recentes baseados em estudos de balanço de cálcio, nos quais os investigadores fazem medições detalhadas do cálcio que entra e sai das pessoas, sugerem que as necessidades de cálcio para homens e mulheres são menores do que o anteriormente estimado. Eles descobriram que o equilíbrio de cálcio era altamente resistente a alterações numa ampla gama de doses, o que significa que o nosso corpo não é estúpido. Se comermos menos cálcio, o nosso corpo absorve mais e excreta menos, e se comermos mais cálcio, absorvemos menos e excretamos mais para ficarmos em equilíbrio. Portanto, a evidência atual sugere que a ingestão de cálcio na dieta não é algo com que a maioria das pessoas precise de se preocupar. Isto pode explicar porque na maioria dos estudos não foi encontrada relação entre ingestão de cálcio e perda óssea em nenhuma parte do esqueleto, porque o corpo tipo simplesmente cuida disso. Não apertes muito com ele, porém. Uma vez que se chega a apenas algumas centenas de miligramas por dia pode-se acabar por obter significativamente mais perda óssea. Embora possa não haver grande evidência para apoiar as recomendações dos EUA, o Reino Unido poderá ter a ideia certa, apontando para entre 500 e 1.000 mg por dia provenientes de fontes alimentares, a menos que se tenha tido cirurgia de bypass gástrico ou algo e se necessite de tomar suplementos. Para a maioria das pessoas, porém, os suplementos de cálcio não podem ser considerados seguros ou eficazes para a prevenção de fraturas ósseas. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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