Guerras Intestinais: Sulfeto de Hidrogénio vs Butirato

Conservantes de dióxido de enxofre nos frutos secos, sulfitos no vinho, e a putrefação de proteína animal não digerida no cólon podem libertar sulfeto de hidrogénio, o gás de ovo podre associado a doença inflamatória do intestino.

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Notas do Dr. Michael Greger

Há mais de 35 anos atrás, estudos começaram a implicar os conservantes de dióxido de enxofre na exacerbação da asma. Esta assim chamada “sensibilidade aos sulfitos” parecia afetar apenas cerca de 1 em cada 2000 pessoas, logo, recomendei àqueles com asma que os evitassem, mas de outro modo considerei este conservante inofensivo. Já não estou tão seguro, e aconselho as pessoas a evitarem-no sempre que possível. Como é que as empresas simplesmente adicionam coisas aos alimentos sem testes de segurança adequados? Vejam Quem Determina se os Aditivos Alimentares São Seguros? Para outros aditivos que possam ser problema, vejam Dióxido de Titânio e Doença Inflamatória do Intestino e As Carrageninas São Seguras?

Para mais sobre a relação entre sulfeto de hidrogénio e doença inflamatória do intestino, vejam o meu vídeo Prevenindo a Colite Ulcerativa com Dieta. Mais sobre esta batalha de fermentação no nosso intestino em pH das Fezes e Cancro do Cólon.

O aminoácido sulfurado metionina soa-lhe familiar? Poderá recordar-se dele destes sucessos como Matando o Cancro de Fome com Restrição de Metionina (Legendado em Português) e Restrição de Metionina como Estratégia de Extensão do Tempo de Vida.

Estes ácidos gordos de cadeia curta libertados pelas nossas boas bactérias quando comemos fibra e amidos resistentes é o que poderá estar por trás do efeito da segunda refeição: Feijão e o Efeito da Segunda Refeição.

E quanto à doença de Crohn? Ainda bem que perguntou! Veja Prevenindo a Doença de Crohn com Dieta (Legendado em Português) e Tratamento Dietético da Doença de Crohn.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Bowel Wars: Hydrogen Sulfide vs. Butyrate e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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K Windey, V De Preter, K Verbeke. Relevance of protein fermentation to gut health. Mol Nutr Food Res. 2012 Jan;56(1):184-96.

T H J Florin, G Neale, S Goretski, J H Cummings. The Sulfate Content of Foods and Beverages. Journal of Food Composition and Analysis Volume 6, Issue 2, June 1993, Pages 140–151.

A Birkett, J Muir, J Phillips, G Jones, K O’Dea. Resistant starch lowers fecal concentrations of ammonia and phenols in humans. Am J Clin Nutr. 1996 May;63(5):766-72.

S U Christi, H D Eisner, G Fusel, H Kasper, W Scheppach. Antagonistic effects of sulfide and butyrate on proliferation of colonic mucosa: a potential role for these agents in the pathogenesis of ulcerative colitis. Dig Dis Sci. 1996 Dec;41(12):2477-81.

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Guerras Intestinais: Sulfeto de Hidrogénio vs. Butirato

Há uma paródia do slogan da indústria “Carne de vaca: é o que é o jantar” — “Carne de vaca: é o que está a apodrecer no seu cólon.” Vi isto numa t-shirt uma vez com alguns amigos e eu era cá um desmancha prazeres [party pooper=faz cocó na festa] – sem trocadilhos – explicando a todos como a carne é totalmente digerida no intestino delgado, e nunca chega lá abaixo ao cólon. Não é divertido sair com totós da biologia — mas eu estava errado! Estimou-se que com uma dieta ocidental típica, até 12 gramas de proteína por dia podem escapar à digestão, e quando chega ao cólon pode ser transformada em substâncias tóxicas como amónia. Esta degradação de proteína não digerida no cólon é chamada de putrefação, portanto, um pouco de carne pode realmente acabar em putrefação no nosso cólon. O problema é que alguns dos subprodutos desta putrefação podem ser tóxicos.
É geralmente aceite que a fermentação de carboidratos — a fibra e os amidos resistentes que chegam ao nosso cólon — resultam em efeitos benéficos para o hospedeiro por causa da geração de ácidos gordos de cadeia curta, como o butirato, enquanto que a fermentação de proteína é considerada prejudicial para nós. A fermentação da proteína ocorre principalmente na extremidade inferior do cólon, quando os carboidratos se esgotam, e resulta na produção de metabolitos potencialmente tóxicos. Talvez seja por isso que vemos mais cancro colorretal e colite ulcerosa mais abaixo, por ser onde a proteína está a putreficar. A estratégia mais simples para se reduzir o grau de compostos potencialmente prejudiciais pela fermentação de proteína é provavelmente uma redução na ingestão de proteína na dieta. Mas a acumulação destes subprodutos prejudiciais resultantes do metabolismo de proteínas pode ser atenuada pela fermentação de matéria vegetal não digerida.
Este estudo mostrou que se se der às pessoas alimentos que contêm amido resistente — ou seja, amido resistente à digestão no intestino delgado para que possa alimentar as nossas bactérias boas mais abaixo no nosso cólon; alimentos como feijão cozido, ervilhas, lentilhas, aveia crua, macarrão frio — pode-se bloquear a acumulação destes subprodutos potencialmente nocivos do metabolismo de proteínas. Quanto mais amido for parar às fezes, menos amónia, por exemplo. Mas existem proteínas nas plantas, também. A diferença, é que as proteínas animais tendem a ter mais aminoácidos que contém enxofre, como a metionina, que podem ser transformados em sulfeto de hidrogénio no nosso cólon, o gás de ovo podre que pode desempenhar um papel no desenvolvimento das doenças inflamatórias do intestino como a colite ulcerativa, a qual cobri anteriormente.
Os efeitos tóxicos do sulfeto de hidrogénio parecem ser mediados pelo bloqueio da capacidade das nossas células do cólon em utilizarem butirato, que é o que as nossas boas bactérias fazem a partir da fibra que comemos. Então é como que uma batalha constante no nosso cólon entre os maus metabolitos da proteína, o sulfeto de hidrogénio, e os bons metabolitos de hidratos de carbono, o butirato. Ao usarem amostras de cólon humano foram capazes de mostrar que os efeitos adversos do sulfeto podem ser revertidos pelo butirato. Logo, podemos ou cortar na carne, comer mais plantas, ou ambos. Mas existem duas maneiras pelas quais o sulfeto de hidrogénio pode ser produzido. Apesar de principalmente presente no nosso intestino grosso como resultado da quebra dessas proteínas que contém enxofre, o gás de ovo podre também pode ser gerado a partir de conservantes de enxofre inorgânico, como sulfitos e dióxido de enxofre. O dióxido de enxofre é utilizado como um conservante em frutos secos, e os sulfitos são adicionados ao vinho. Podemos evitar os aditivos de enxofre lendo rótulos ou apenas ao escolhermos orgânico, uma vez que por lei estão proibidos em frutas e bebidas orgânicas. Agora, os vegetais da família do repolho têm naturalmente alguns compostos de enxofre, mas, felizmente, depois de se seguir mais de 100.000 mulheres durante mais de 25 anos, os vegetais crucíferos NÃO foram associados com risco elevado de colite. Mas, devido à proteína animal e alimentos processados ​​carregados de conservantes, a dieta americana padrão pode ter cinco ou seis vezes mais enxofre do que uma dieta centrada em torno de alimentos vegetais não transformados, o que pode ajudar a explicar a raridade da doença inflamatória do intestino entre aqueles que comem dietas tradicionais integrais à base de plantas. Nutrição em Factos o mais recente em pesquisa de nutrição Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a OpenClips via Pixabay.

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