Efeito da Sucralose (Splenda) no Microbiome

Que efeito têm os adoçantes artificiais como a sucralose (Splenda), a sacarina (Sweet & Low), o aspartame (Nutrasweet) e o acesulfame K (Sweet One) nas nossas bactérias intestinais?

Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos vídeos aqui

Notas do Dr. Michael Greger

Quer mais sobre adoçantes artificiais? Veja

Até para adoçantes não-tóxicos de baixas calorias como o eritritol (O Eritritol Poderá Ser um Antioxidante Doce), poderão haver alguns senãos. Veja:

E que importa se a nossa flora intestinal se altera? Esperem para ver o quão importante ela é:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Effect of Sucralose (Splenda) on the Microbiome e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

M Y Pepino. Metabolic effects of non-nutritive sweeteners. Physiol Behav. 2015 Dec 1;152(Pt B):450-5.

S E Swithers. Artificial sweeteners produce the counterintuitive effect of inducing metabolic derangements. Trends Endocrinol Metab. 2013 Sep;24(9):431-41.

C L Frankenfeld, M Sikaroodi, E Lamb, S Shoemaker, P M Gillevet. High-intensity sweetener consumption and gut microbiome content and predicted gene function in a cross-sectional study of adults in the United States. Ann Epidemiol. 2015 Oct;25(10):736-42.

N A Bokulich, M J Blaser. A bitter aftertaste: unintended effects of artificial sweeteners on the gut microbiome. Cell Metab. 2014 Nov 4;20(5):701-3.

S S Schiffman, K I Rother. Sucralose, a synthetic organochlorine sweetener: overview of biological issues. J Toxicol Environ Health B Crit Rev. 2013;16(7):399-451.

X Qin. May artificial sweeteners not sugar be the culprit of dramatic increase of inflammatory bowel disease in China? Chin Med J (Engl). 2014;127(17):3196-7.

M Y Pepino, C D Tiemann, B W Patterson, B M Wice, S Klein. Sucralose affects glycemic and hormonal responses to an oral glucose load. Diabetes Care. 2013 Sep;36(9):2530-5.

M Y Pepino, S Klein. Response to comment on Pepino et al. Sucralose affects glycemic and hormonal responses to an oral glucose load. Diabetes care 2013;36:2530-2535. Diabetes Care. 2014 Jun;37(6):e149.

J Suez, T Korem, D Zeevi, G Zilberman-Schapira, C A Thaiss, O Maza, D Israeli, N Zmora, S Gilad, A Weinberger, Y Kuperman, A Harmelin, I Kolodkin-Gal, H Shapiro, Z Halpern, E Segal, E Elinav. Artificial sweeteners induce glucose intolerance by altering the gut microbiota. Nature. 2014 Oct 9;514(7521):181-6.

C Greenhill. Gut microbiota: not so sweet–artificial sweeteners can cause glucose intolerance by affecting the gut microbiota. Nat Rev Endocrinol. 2014 Nov;10(11):637.

J Suez, T Korem, G Zilberman-Schapira, E Segal, E Elinav. Non-caloric artificial sweeteners and the microbiome: findings and challenges. Gut Microbes. 2015;6(2):149-55.

P Shankar, S Ahuja, K Sriram. Non-nutritive sweeteners: review and update. Nutrition. 2013 Nov-Dec;29(11-12):1293-9.

E Pretorius. GUT bacteria and aspartame: why are we surprised? Eur J Clin Nutr. 2012 Aug;66(8):972.

M B Abou-Donia, E M El-Masry, A A Abdel-Rahman, R E McLendon, S S Schiffman. Splenda alters gut microflora and increases intestinal p-glycoprotein and cytochrome p-450 in male rats. J Toxicol Environ Health A. 2008;71(21):1415-29.

V L Grotz. Sucralose and migraine. Headache. 2008 Jan;48(1):164-5.

R M Patel, R Sarma, E Grimsley. Popular sweetner sucralose as a migraine trigger. Headache. 2006 Sep;46(8):1303-4.

X Qin. What made Canada become a country with the highest incidence of inflammatory bowel disease: could sucralose be the culprit? Can J Gastroenterol. 2011 Sep;25(9):511.

X Q Wang, Y Zhang, C D Xu, L R Jiang, Y Huang, H M Du, X J Wang. Inflammatory bowel disease in Chinese children: a multicenter analysis over a decade from Shanghai. Inflamm Bowel Dis. 2013 Feb;19(2):423-8.

P Ahlberg. FDA Approves High-Intensity Sweetener Sucralose. News | April 1, 1998.

X Qin. Etiology of inflammatory bowel disease: a unified hypothesis. World J Gastroenterol. 2012 Apr 21;18(15):1708-22.

X Qin. When and how was the new round of increase in inflammatory bowel disease in the United States started? J Clin Gastroenterol. 2014 Jul;48(6):564-5.

U Gophna. Microbiology. The guts of dietary habits. Science. 2011 Oct 7;334(6052):45-6.

P Shankar, S Ahuja, K Sriram. Non-nutritive sweeteners: review and update. Nutrition. 2013 Nov-Dec;29(11-12):1293-9.

N K Veien, H B Lomholt. Systemic allergic dermatitis presumably caused by formaldehyde derived from aspartame. Contact Dermatitis. 2012 Nov;67(5):315-6.

I Wrobel, JD Butzner, N Nguyen, GD Withers, K Nelson. Epidemiology of Pediatric IBD in a Population-based Cohort in Southern Alberta, Canada (1983–2005). Journal of Pediatric Gastroenterology & Nutrition. 2006 Nov;43(Supplement 2):S54-S55.

SB Ingle, EV Loftus, WJ Tremaine, et al. Increasing incidence and prevalence of inflammatory bowel disease in Olmsted county, Minnesota, during 2001–2004. Gastroenterology. 2007;132:A19–A20.

Recolher Fontes

Desenrole a Transcrição aqui

Efeito da Sucralose (Splenda) no Microbiome

Em abril, no dia das mentiras, em 1998, o FDA aprovou um adoçante artificial Sucralose, também conhecido como 1,6-dicloro-1,6-didesoxi-beta-D-fruto-furanosil- (diga isso rápido 5 vezes) 4-cloro-4-desoxi-alfa-D-galactopiranósido mas embora tenha um nome assustador, a pior coisa que ele faz é raramente gerar enxaquecas em indivíduos suscetíveis. Em resposta a isso, o fabricante de sucralose disse: veja, você precisa comparar os possíveis riscos com os amplos benefícios para a saúde, ao ajudar a diminuir os riscos para a saúde associados à nossa epidemia nacional: a obesidade. Essa era a esperança: fornecer um substituto saudável para o açúcar oferecendo um sabor doce sem as calorias ou picos de açúcar sanguíneo. Contudo, essa não parece ser a realidade que foi criada, com estudos populacionais relacionando o consumo de adoçantes artificiais, principalmente de refrigerantes diet, com um aumento no risco de desenvolvimento de obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2. Mas associação não é causalidade. É preciso pô-lo à prova. E de facto, se se der a sujeitos obesos a quantidade de sucralose encontrada numa lata de refrigerante diet, eles têm um pico de açúcar sanguíneo siginificativamente maior em resposta a um desafio de açúcar, precisando de significativamente mais insulina: níveis de insulina no sangue 20% mais altos, sugerindo que a sucralose causa resistência a insulina, potencialmente ajudando a explicar os vínculos entre consumo de adoçantes artificiais e o desenvolvimento de diabetes, doença cardíaca e derrame. Então, a sucralose não é uma substância inerte, ela afeta a resposta ao açúcar sanguíneo. Mas como? A empresa Splenda enfatiza que a sucralose quase não é absorvida pelo corpo, e então fica no trato digestivo e é eliminada rapidamente pelo corpo. Mas o fato de que ela não é absorvida no intestino delgado, significa que ela chega ao intestino grosso e pode afetar a nossa flora intestinal. Houve estudos feitos sobre adoçantes artificiais e bactérias intestinais de ratos, anos atrás, mas nunca tivemos estudos em humanos… até agora. Eles testaram sacarina, sucralose e aspartame, os adoçantes artificiais em Sweet & Low, Splenda e NutraSweet, e descobriram que os adoçantes artificiais não calóricos induzem intolerância à glucose ao alterarem os micróbios no nosso intestino. Os estudos humanos foram limitados, mas após alguns dias a consumirem sacarina, por exemplo, algumas pessoas têm respostas exageradas ao açúcar sanguíneo, relacionadas a mudanças de apenas uma semana nos tipos de bactérias que elas tinham nos seus intestinos. Acesulfame K, outro adoçante artificial comum, também foi subsequentemente associado a mudanças nas bactérias intestinais. Então todo este tempo, os adoçantes artificiais deveriam estar a prevenir doenças crónicas, mas na verdade podem estar a contribuir para o problema, devido às alterações nos micróbios. Alguns na comunidades científica ficaram surpresos que mesmo pequenas concentrações de um adoçante — eles falavam de aspartame aqui — são suficientes para causar mudanças significativas nos habitantes do intestino. Outros ficaram menos surpresos. Cada molécula de aspartame é afinal metabolizada para formaldeído. Isso pode explicar porque algumas pessoas alérgicas a formaldeído têm reações tão ruins a aspartame. Portanto, não é inesperado que mesmo pequenas quantidades possam modificar comunidades de bastérias. Os relatórios sobre a segurança de aspartame são uma mistura. Todos os estudos patrocinados pela indústria defendem a sua segurança, enquanto 90% dos estudos independentemente financiados relatam que o aspartame pode causar efeitos adversos à saúde. E isso deveria dizer-lhe algo. Sem dúvida, os consumidores destes aditivos alimentares, que são normalmente vistos como seguros, não sabem que essas substâncias podem influenciar as suas bactérias intestinais. Isto pode ter grande importância para pacientes com doenças relacionadas a modificações das bactérias intestinais, como as DII, doenças intestinais inflamatórias, como colite ulcerativa e doença de Crohn. Esses indivíduos podem não saber que os adoçantes artificiais podem estar a afetar os seus intestinos. Será que o efeito pode ser grande o suficiente para que vejamos mudanças na incidência de doenças intestinais inflamatórias? Bom, vejamos a situação do Canadá. Eles foram o primeiro país a aprovar o uso de sucralose — o que aconteceu com a sua taxa de DII? As taxas pareceram duplicar depois da aprovação de sucralose. Hmmm. E quanto aos Estados Unidos? Depois de décadas de taxas relativamente estáveis de colite ulcerativa e doença de Crohn, as taxas pareceram começar a subir. Na China, após a aprovação da sucralose, as taxas de DII aumentaram 12 vezes. Tudo bem, isso pode ser apenas coincidência, mas essas correlações também foram encontradas noutros dois continentes… Quanto mais gráficos como estes você vê, mais difícil é ignorar uma possível conexão. A boa notícia é que após parar o consumo de adoçantes artificiais o equilíbrio original das bactérias intestinais pode ser reestabelecido em algumas semanas. Claro que as consequências negativas do uso de adoçantes artificiais não deve ser interpretada como uma sugestão para que voltemos a usar açúcar e xarope de milho rico em frutose. Para uma saúde ótima, é recomendado que tentemos cortar no consumo de ambos. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em nutricao-em-fatos.org
Recolher Transcrição

Imagens graças a Dave Crosby via Flickr.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *