Reducionismo e a Mentalidade da Deficiência

Como as indústrias alimentar, farmacêutica, e de suplementos tiraram vantagem da mentalidade reducionista no campo da nutrição.

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Notas do Dr. Michael Greger

Esta é uma questão sobre a qual o Professor Emérito T. Collin Campbell escreveu um livro Inteiro. Estou desejoso de fazer mais vídeos neste tópico.

De onde é que os comedores de plantas obtém a sua proteína, então? Vejam Os Vegetarianos Comem Proteína Suficiente? (Legendado em Português)

O conceito de nutrição optimal, em vez de apenas nutrição adequada, está bem ilustrado neste vídeo sobre fibra: Perder Um Quilo de uma Assentada: Pela Via do Mioceno (Legendado em Português)

Vídeos anteriores sobre reducionismo incluem:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Reductionism and the Deficiency Mentality e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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O Reducionismo e a Mentalidade da Deficiência

Pesquisa em nutrição humana ao longo dos últimos 40 anos levou a numerosas descobertas e um abrangente entendimento dos mecanismos exactos por detrás de como os nutrientes dos alimentos afetam os nossos corpos. No entanto, as epidemias de doenças crónicas relacionadas com a alimentação – obesidade, diabetes tipo 2, osteoporose, doença cardíaca, acidente vascular cerebral e cancro – aumentam dramaticamente pelo mundo todo, ano após ano. Porque não tem todo esse conhecimento intrincado se traduzido em melhorias na saúde pública? Talvez tenha a ver com toda a nossa filosofia de nutrição, chamada reducionismo, onde tudo é separado nas suas partes constituintes, onde os alimentos são reduzidos a uma coleção de compostos individuais com supostos efeitos individuais. A abordagem reducionista tem sido tradicionalmente, e continua hoje, como a abordagem dominante na pesquisa de nutrição. Por exemplo, você sabia que, mecanicamente, há um químico na raiz do gengibre que regula para baixo a fosforilação induzida de ERK1 / 2 e JNK MAP quinases pelo Acetato de Miristato de Forbol (PMA)? Isso realmente é mesmo muito fixe, mas não enquanto milhões de pessoas continuam a morrer de doenças relacionadas com a alimentação. Nós já sabemos que três quartos do risco de doenças crónicas — diabetes, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral, cancro — podem ser eliminados se todos seguirem quatro práticas simples: não fumar, não ser obeso, meia hora de exercício por dia, e comer uma dieta saudável, definida como mais frutas, vegetais e grãos integrais e menos carne. Pensem o que isso poderia significar em termos de custo humano. Já sabemos o suficiente para salvar milhões de vidas. Logo, não deveriam os nossos esforços ser aplicados na implementação dessas mudanças antes de mais um dólar ser gasto a descobrir se ou não algum extrato de casca de uva pode reduzir o colesterol no peixe-zebra — ou até alimentos integrais, já agora? Porquê gastar dinheiro dos contribuintes a entupir artérias de peixinhos listrados, alimentando-lhes uma dieta rica em colesterol para ver se as folhas e as flores do Pilriteiro têm o potencial de ajudar? Mesmo que ajudassem, e mesmo que funcionasse também em pessoas, não seria melhor simplesmente não entupir as artérias em primeiro lugar? Esta queda dramática no risco, este aumento da esperança de vida saudável através da nutrição preventiva não precisa de envolver super alimentos ou extratos de ervas ou suplementos nutricionais fantasiosos; apenas comer mais saudável. Quando Hipócrates disse algo como: “Deixem o alimento ser a vossa medicina e a medicina o vosso alimento “, ele não quis dizer que os alimentos são medicamentos, mas sim que a melhor maneira de nos mantermos em boa saúde pode ser ao mantermos uma dieta saudável. Enquanto que a atitude histórica no campo da nutrição pode ser melhor resumida pela frase: “Coma o que quiser depois de ter comido o que deve.” Por outras palavras, coma o que quiser, desde que obtenha as suas vitaminas e minerais — uma mentalidade tipificada pelos cereais de pequeno almoço, fornecendo vitaminas e minerais de dois dígitos, mas o caminho para a saúde não é pavimentado com ‘Coca-Cola Plus: Vitaminas e Minerais’. Esta atitude reducionista é boa para a indústria alimentar, mas não boa para a saúde humana, porque se a comida é apenas boa por alguns nutrientes, então podemo-nos safar a vende Twinkies enriquecidos com vitaminas. Precisamos de fazer a transição do conceito de apenas obter uma nutrição adequada para obter uma nutrição ideal; não apenas evitar o escorbuto, mas promovendo a saúde e minimizando o risco de desenvolvimento de doenças degenerativas. Reduzir as coisas aos seus componentes moleculares funciona para o desenvolvimento de drogas: descobrir todas as vitaminas, curar doenças de deficiência, mas no campo da nutrição, a abordagem reducionista está a começar a atingir os seus limites. Descobrimos todas as vitaminas há mais de meio século atrás. Quando foi a última vez em que ouviram falar de alguém a aparecer com escorbuto, ou pelagra, ou kwashiorkor — os síndromes de deficiência clássicos? Mas por outro lado, e quanto às doenças do excesso alimentar: doença cardíaca, diabetes, obesidade, hipertensão – já ouviram falar de alguém com alguma dessas? No entanto, continuamos a ter essa mentalidade da deficiência quando se trata de nutrição. Quando alguém tenta reduzir o seu consumo de carne, a primeira pergunta que lhes poderão fazer é: “Onde é que você vai obter a sua proteína?” em vez de: “Espere um segundo, se você começar a comer assim, de onde é que você vai obter a sua doença cardíaca?” Esta mesma mentalidade da deficiência levou ao surgimento de uma indústria multi-bilionária de suplementos. Que tal um multivitamínico diário, apenas como um seguro contra a deficiência de nutrientes? Um melhor seguro seria simplesmente comer alimentos saudáveis. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a KERBSTONE via Pixabay

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