Proteína em Putrefação e Enzimas “Intoxicantes”

Certas bactérias do intestino podem “reintoxicar” carcinógenos que o fígado desintoxicou com sucesso, mas estas bactérias podem ser rapidamente suprimidas com alterações simples na dieta.

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Notas do Dr. Michael Greger

Os dois vídeos a que faço referência são Solucionando um Mistério do Cancro do Cólon e Guerras Intestinais: Sulfeto de Hidrogénio versus Butirato.

Em O pH das Fezes e Cancro do Cólon explico como devíamos esforçar-nos para termos um ambiente ácido no nosso cólon (mas alcalino nos nossos rins): Como Tratar Pedra nos Rins com Dieta e Testando a Nossa Dieta com Xixi e Couve Roxa.

Mais sobre a saúde do intestino em:

Isto ajuda a explicar porque é que a proteína pode aumentar o risco de cancro, mas e então e quanto à gordura animal? Esse é o tema do meu próximo vídeo, Como Reduzir a Produção de Ácidos Biliares Cancerígenos.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do vídeo original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Proteína em Putrefação e Enzimas “Intoxicantes”

O cancro do cólon é um dos principais assassinos por cancro. Contudo, há este paradoxo em África onde raramente têm a doença, mesmo nos tempos modernos quando já não comem a sua dieta tradicional de alimentos integrais. Portanto, já não andam a comer muita fibra e frutas e vegetais frescos. É provável, portanto, que a continuação da sua baixa prevalência de cancro do cólon – 50 vezes menor do que a nossa – esteja relacionada à sua baixa ingestão de proteína animal e gordura como explorei anteriormente. Mas por que iria a proteína e gordura animal aumentar o risco de cancro? Bem, como observei em Guerras Intestinais, se se comer clara de ovo, por exemplo, alguma da proteína não é digerida, não é absorvida, e acaba no nosso cólon, onde passa por um processo chamado de putrefação. Quando a proteína animal entra em putrefação no intestino, pode levar à produção do gás de ovo podre, sulfeto de hidrogénio, o qual, para além do seu odor desagradável, pode produzir alterações que aumentam o risco de cancro. Proteína em putrefação também produz amónia. Ao longo da uma vida numa dieta ocidental padrão, as bactérias no nosso cólon podem libertar a quantidade de amónia encontrada em mil litros de Windex. Nas concentrações encontradas no interior do cólon no dia-a-dia de dietas ocidentais comuns, a amónia destrói células, altera a síntese de ADN, aumenta a proliferação celular, pode aumentar as infecções virais, favorecer o crescimento de células cancerosas, e, evidentemente, aumentar as infecções virais uma segunda vez. E são os produtos da digestão de proteína e gordura que são os culpados, de tal forma que se pode duplicar as concentrações de amónia no cólon ao se comer muita carne. Mas pondo as pessoas numa dieta baseada em plantas, e em apenas uma semana a actividade da enzima que cria a amónia no cólon cai como uma pedra. Outras enzimas bacterianas são igualmente afetadas. Lembram-se de como os vegetais da família do brocolis podem aumentar as enzimas desintoxicantes no fígado? Estas chamadas enzimas de fase II, UDP-glucuronosiltransferases, desintoxicam drogas e substâncias químicas pela aplicação de uma camisa de forças química, aqui mostrado a vermelho, a desativar a droga de estupro GHB, ou pegando nos agentes cancerígenos na carne como o benzopireno e tornando-os inofensivos antes de os despejar de volta para o intestino para serem eliminados. Mas se nosso fígado desintoxica-o, por que é que o benzopireno na carne ainda está associado com cancro retal? Bem, algumas bactérias no nosso intestino contêm a enzima oposta, uma enzima “intoxicante” que remove o colete de forças e liberta o agente cancerígeno para causar os últimos estragos antes de sair do corpo. Mas numa semana a comer-se com base em plantas, podemos fazer cair essa actividade da enzima no nosso cólon em cerca de 30%. Mas isso foi com uma dieta vegana crua “extrema”. E então e com uma dieta vegetariana regular? Em comparação com uma dieta de meio quilo de carne por dia, aqueles colocados numa dieta sem carne durante um mês experienciaram uma queda de 70% na actividade “intoxicante”, a qual poderia aumentar a quantidade de agentes cancerígenos dentro do cólon. E os vegetarianos de longa data apresentam apenas uma fração da atividade de libertação de cancerígenos em comparação com aqueles numa dieta padrão americana. Assim, tudo isto pode ajudar a explicar o risco aumentado nos Estados Unidos. Os investigadores colocaram-no à prova, porém, tirando biópsias da mucosa dos cólons de norte-americanos versus africanos, para medirem as taxas de proliferação, o quão rápido as células se dividem, um marcador do risco de cancro aumentado, e da diminuição da sobrevivência ao cancro. Aqui está o que encontraram. Os pontos pretos indicam células em proliferação, as quais podemos ver ao longo dos cólons de caucasianos-americanos e afro-americanos, mas apenas algumas foram avistadas nas biópsias de africanos. Taxas de proliferação drasticamente inferiores. No geral, um maior risco de cancro colorretal foi associado com uma maior ingestão dietética de produtos de origem animal, e maiores populações colónicas de bactérias produtoras de hidrogénio e sais biliares secundários potencialmente tóxicos. E enquanto estavam lá dentro a tentar obter biópsias, eles olharam um pouco ao redor, e de todos os cólons africanos que viram, apenas detectaram quatro problemas em 18 cólons. Mas dos 17 cólons afro-americanos ou caucasianos encontraram 21 problemas: pólipos, diverticulose, montes de hemorróidas. A condição notavelmente imaculada dos cólons de nossos voluntários africanos suporta ainda mais a nossa impressão de que os cólons africanos eram, em geral, muito mais saudáveis do que os cólons americanos. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET

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Imagem graças a Macro Windex via Flickr.

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