O Grande Fiasco da Proteína

O campo da nutrição estava completamente errado quanto à quantidade de proteína necessária por humanos, levando a um enorme recálculo.

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Notas do Dr. Michael Greger

O “baixo” nível de proteína no leite materno humano (cerca de 6% das calorias) não significa que os adultos apenas necessitem dessa quantidade, porque os bebés são uns chupadores vorazes. Um bebé de 7 quilogramas pode mamar 500 calorias por dia. Um adulto, dez vezes mais pesado — 68 quilos, digamos — tipicamente não consome 10 vezes mais alimentos (5,000 calorias). Logo, uma vez que pesamos 10 vezes mais, mas apenas comemos quatro ou cinco vezes mais, a nossa alimentação precisa ser mais concentrada em proteína, mas ainda assim as pessoas tendem a consumir muito mais do que o que precisam. Vejam o meu vídeo: Os Vegetarianos Comem Proteína Suficiente? (Legendado em Português).

Fontes Vegetais de Proteína São Preferíveis. Vejam, por exemplo:

E quanto à qualidade da proteína, porém? Devíamos tentar misturar certos alimentos às refeições? Vejam O Mito da Combinação Proteica (Legendado em Português).

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original The Great Protein Fiasco e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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O Grande Fiasco da Proteína

Tem havido um historial de entusiasmo pela proteína no mundo da nutrição. Um século atrás, as recomendações de proteína eram mais do que o dobro daquilo que sabemos serem hoje. Esse entusiasmo atingiu o pico na década de 1950 com as Nações Unidas a identificarem a deficiência de proteína como um problema global grave generalizado. Havia uma lacuna de proteína que precisava ser preenchida. Isto foi certamente conveniente para a indústria de laticínios dos EUA, que puderam despejar o seu excedente do pós-guerra de leite em pó para o terceiro mundo ao invés de terem apenas de enterrá-lo.
Mas isso levou ao grande fiasco da proteína. Houve uma doença de desnutrição chamada kwashiorkor que se assumiu ser causada por deficiência de proteína, famosamente descoberta pela Dra. Cicely Williams, que passou a última metade da sua vida desmascarando a própria condição que ela descreveu pela primeira vez. Acontece que não existe na realidade nenhuma evidência de deficiência de proteína dietética. A verdadeira causa de kwashiorkor permanece obscura, mas estudos de transplante fecal sugerem que alterações na flora intestinal poderão ser um factor causal. Como pôde o campo da nutrição ter acabado tão espetacularmente errado? Um famoso editorial sobre a profissão começou com estas palavras: “A objetividade desapaixonada dos cientistas é um mito. Nenhum cientista está simplesmente envolvido no objetivo único da busca da verdade. Ele ou ela também está envolvido na busca apaixonada de bolsas de investigação e sucesso profissional. Os nutricionistas podem desejar combater a malnutrição, mas também desejam ganhar a vida de maneiras que acham favoráveis.” Isto inevitavelmente incentiva pesquisadores a “fazerem um caso” para a importância da sua própria porção no campo e do “seu nutriente,” o qual foi… a proteína.
A ciência finalmente prevaleceu, porém, e houve um recálculo maciço das necessidades humanas de proteína na década de 1970, o qual, ‘num golpe de caneta’, fechou a chamada ‘lacuna de proteína’ e destruiu a teoria desta pandemia de ‘desnutrição proteica’. Os requisitos de proteína para bebés passaram de uns recomendados 13% das calorias diárias, para 10%, depois 7, e depois para 5%. Contudo, até hoje ainda existem aqueles obcecados com proteína. Aqueles que promovem dietas paleolíticas, por exemplo, tentam fazer o caso para a proteína a partir de uma perspectiva evolutiva. OK, então vamos colocar a questão: qual é o alimento perfeito para os seres humanos? O alimento que foi aperfeiçoado só para nós, ao longo de milhões de anos, para ter a quantidade ideal de proteína? O leite materno humano. Se a proteína de alta qualidade fosse o “nutriente dos nutrientes”, ajudando-nos a construir nossos grandes cérebros ao longo dos últimos milhões de anos, seria de esperar que essa importância fosse ressonantemente reflectida na composição do leite materno humano, especialmente sendo a infância o momento do nosso crescimento mais rápido. Mas este, claramente, não é o caso. O leite materno humano é um dos leites com menos proteína no mundo dos mamíferos. Na realidade, pode ter a mais baixa concentração de proteína entre qualquer animal do mundo — menos de 1% de proteína em peso. Esta é uma das razões pelas quais alimentar leite de vaca diretamente a bebés pode ser tão perigoso. O teor de proteína no leite materno é descrito como extremamente baixo, mas não é baixo de todo. É exatamente o que precisa ser. Esse é o nível natural, normal para a espécie humana aperfeiçoada ao longo de milhões de anos.
Os adultos não precisam mais do que 0,8 ou 0,9 gramas de proteína por quilograma saudável de peso corporal por dia. Então, isso é tipo o seu peso ideal em libras multiplicado por quatro e, em seguida, dividido por dez. Então, alguém cujo peso ideal é de 100 libras [45 kg] pode precisar de até 40 gramas de proteína por dia. Em média, provavelmente apenas precisam de cerca de 30 gramas por dia, que são 0,66 gramas por quilograma, mas dizemos 0,8 ou 0,9, porque todas as pessoas são diferentes e queremos cobrir a maior parte da curva de sino. As pessoas têm mais probabilidade de sofrerem de excesso de proteína do que de deficiência de proteína. Os efeitos adversos associados a dietas ricas em proteína a longo prazo podem incluir transtornos dos ossos e do equilíbrio de cálcio, desordens da função renal, aumento do risco do cancro, desordens do fígado, e agravamento de doença arterial coronariana. Portanto, não há atualmente nenhuma base científica razoável para recomendar o consumo de proteína acima da atual dose diária recomendada devido aos seus potenciais riscos de doença. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a PublicDomainPictures, via Pixabay.

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