Proteína Animal Comparado com Fumar

Apenas cerca de 1 em cada 10.000 pessoas chegam aos 100 anos de idade. Qual o seu segredo?

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Notas do Dr. Michael Greger

A história da IGF-1 é tão crucial que é uma das primeiras séries de vídeos que fiz na NutritionFacts.org. Estou tão contente de finalmente concluir a tão esperada atualização. Se quiserem conhecer a história, podem ver a série original que começa com Engendrando uma Cura.

Para mais paralelismos entre a indústria do tabaco e a indústria alimentar, vejam:

Para mais sobre envelhecimento saudável e longevidade, vejam:

Notem que a chamada baixa ingestão de proteína é na realidade a ingestão recomendada, associada com uma grande redução no cancro e na mortalidade em geral na meia idade, abaixo dos 65 anos de idade, mas notem que diz que não se verifica o mesmo para indivíduos mais idosos. Tudo abordado no meu próximo vídeo, Aumentando o Consumo de Proteína Após os 65 Anos de Idade.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Animal Protein Compared to Cigarette Smoking e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Proteína Animal Comparado a Fumar

Apenas cerca de 1 em cada 10.000 pessoas chegam aos 100 anos de idade. Qual é o seu segredo? Bem, em 1993, um grande avanço na pesquisa sobre longevidade foi publicado; uma única mutação genética que duplicou o tempo de vida de uma pequena lombriga. Em vez de estarem todos mortos após 30 dias, os mutantes viveram 60 dias ou mais. Esta extensão de tempo de vida foi a maior alguma vez relatada num organismo.
Esta maravilha médica de verme de Matusalém é o equivalente à produção de um humano saudável de 200 anos de idade, tudo por causa de uma única mutação? Isso não devia acontecer. Quero dizer, presumivelmente, o envelhecimento é causado por vários processos, muitos genes, como poderia apenas o desligar de um gene duplicar o tempo de vida? O que é este gene do envelhecimento, de qualquer modo? Este gene que acelera assim tanto o envelhecimento que, se for desligado os animais vivem o dobro do tempo? Tem sido chamado de gene Grim Reaper. E o que é? É o equivalente para os vermes do receptor IGF-1 humano. E mutações desse mesmo receptor em humanos pode ajudar a explicar porque algumas pessoas vivem até os cem e outras não.
Então, é apenas a sorte do sorteio se temos bons ou maus genes? Não, podemos ligar e desligar a expressão destes genes dependendo… daquilo que comemos. Três anos atrás, retratei uma série notável de experimentos sobre IGF-1, o factor de crescimento semelhante à insulina 1, essa hormona de crescimento promotora de cancro que é libertada em quantidades excessivas pelo nosso fígado quando comemos proteína animal. Então, os homens e mulheres que não comem carne, clara de ovo, ou proteínas lácteas têm níveis significativamente mais baixos a circularem nos seus corpos. Mudando as pessoas para uma dieta à base de plantas pode reduzir significativamente os níveis de IGF-1 em apenas 11 dias, melhorando significativamente a capacidade da corrente sanguínea das mulheres em suprimir o crescimento do cancro da mama e em seguida matar células cancerosas da mama. De forma semelhante, o soro do sangue de homens em dietas à base de plantas suprimem o crescimento de células de cancro da próstata cerca de oito vezes melhor do que antes de terem mudado a sua dieta. Esta melhoria dramática nas defesas de cancro é, contudo, abolida se simplesmente se adicionar novamente a quantidade de IGF-1 banida dos seus sistemas por estarem a comer e viver mais saudável.
Esta é uma maneira de explicar as baixas taxas de cancro entre populações que comem à base de plantas: a queda no consumo de proteína animal leva a uma queda na IGF-1, o que leva a uma diminuição do crescimento do cancro; um efeito tão poderoso que o Dr. Dean Ornish e colegas pareceram capazes de reverter a progressão de cancro da próstata em estágio inicial sem quimioterapia, cirurgia ou radiação; apenas uma dieta à base de vegetais e outras mudanças de estilo de vida saudáveis.
Agora, quando somos crianças precisamos de hormonas de crescimento para crescer. Existe um defeito genético raro que causa deficiência grave de IGF-1, que conduz a um tipo de nanismo, mas que também, aparentemente, nos faz efetivamente à prova de cancro. Nem uma única morte por cancro em cerca de 100 indivíduos com deficiência de IGF-1. E 200 indivíduos? Nenhum desenvolveu cancro. Vejam, a maioria dos tumores malignos estão cobertos em recetores de IGF-1, mas se não houver nenhuma IGF-1 por perto, então eles poderão não ser capazes de crescer e se espalhar. Isto poderá ajudar a explicar por que aqueles que comem dietas baixas em carboidratos parecem encurtar as suas vidas, mas não uma dieta baixa em carboidratos qualquer, especificamente aquelas baseadas em fontes animais, enquanto que dietas baixas em caboidratos mas à base de vegetais foram associadas com menor risco de morte.
Mas olhem, as dietas baixas em carboidratos são ricas em gordura animal bem como em proteína animal. E então, como é que sabemos que não era a gordura animal saturada aquilo que estava a matar as pessoas e que não tinha nada a ver com a proteína? O que precisamos é de um estudo que simplesmente siga alguns milhares de pessoas e a sua ingestão de proteína durante 20 anos ou mais e simplesmente ver quem vive mais tempo, quem tem cancro e quem não tem. Mas nunca tinha havido um estudo assim… até agora. 6.000 homens e mulheres com mais de 50 anos de todos os EUA foram acompanhados por 18 anos e aqueles com menos de 65 anos de idade com consumo elevado de proteína tinham um aumento de 75% na mortalidade geral e um aumento de 4 vezes no risco de morrer de cancro. Mas não todas as proteínas. Estas associações foram suprimidas ou atenuadas se as proteínas eram derivadas de plantas, o que faz tudo sentido, dados os maiores níveis de IGF-1 entre aqueles que comem montes de proteína.
A universidade que patrocinava enviou um comunicado à imprensa com uma linha de abertura memorável: “Essa asa de galinha que você está a comer pode ser tão mortal quanto um cigarro” explicando que a ingestão de uma dieta rica em proteínas animais durante a meia-idade torna-lhe quatro vezes mais propenso a morrer de cancro do que alguém com um baixo teor de proteína na dieta – um fator de risco de mortalidade comparável ao de fumar cigarros. E quando eles dizem dieta baixa em proteína, o que eles realmente querem dizer é simplesmente obter a quantidade recomendada de proteína.
“Quase toda a gente vai ter uma célula cancerosa ou célula pré-cancerosas dentro de si em alguma altura. A questão é: Será que progride?”, disse um dos investigadores principais. Isso pode depender do que nós comemos. A questão não é se uma determinada dieta nos permite estar bem a curto prazo, um dos pesquisadores notou, “mas, pode ajudar-nos a sobreviver até aos 100?” Não eram apenas mais mortes por cancro. Pessoas na meia-idade que comem montes de proteínas de fontes animais descobriu-se serem mais susceptíveis a morte precoce em geral. Crucialmente, o mesmo não se aplicava às proteínas vegetais como feijões, e não era a gordura, mas a proteína animal aquilo que parecia ser o culpado.
Qual foi a resposta à revelação de que dietas ricas em carne, ovos e laticínios poderiam ser tão prejudiciais à saúde quanto fumar? Bem, um cientista em nutrição respondeu que era potencialmente perigoso. Poderia danificar a eficácia de importantes mensagens de saúde pública. Porquê? Bem, um fumador poderá pensar “Olhem, porquê se preocupar em deixar de fumar se a minha sanduíche de presunto e queijo me faz igualmente mal?” Faz-me lembrar de um famoso anúncio de tabaco da Phillip Morris que tentou minimizar os riscos, dizendo: “Ei, você acha que o fumo de segunda mão é mau, aumentando o risco de cancro de pulmão 19%, então olhem, beber um ou dois copos de leite todos os dias pode ser três vezes tão mau — 62% de aumento de risco de cancro de pulmão. Ou duplicar o risco ao cozinhar frequentemente com óleo, ou triplicar o risco de doença cardíaca ao comer não-vegetariano, ou multiplicar o risco em 6 vezes ao comer muita carne e laticínios.” Logo, concluem, “vamos manter alguma perspectiva!” O risco de cancro pelo fumo de segunda mão pode ser bem inferior ao de outras atividades diárias. Logo… respire fundo. É como dizer: “Não se preocupe em ser apunhalado porque levar um tiro é muito pior”. É como dizer: “Se você não usa cinto de segurança, mais vale ter relações sexuais sem proteção.” Se vai fazer bungie jumping, mais vale desconectar os alarmes de fumo em casa. Dois riscos não fazem um aceitável. Claro que vamos notar que a Phillip Morris parou de empurrar os laticínios para debaixo do autocarro assim que comprou a Kraft Foods [segunda maior empresa de alimentos do mundo (wikipedia)] Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a gholem via Pixabay.

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