Prevenindo Ataques de Gota com Dieta

Se os cristais de ácido úrico que desencadeiam gota são provenientes da degradação de purinas, deveriam os pacientes de gota evitar até os alimentos saudáveis ricos em purinas, como feijão, cogumelos e couve-flor?

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Notas do Dr. Michael Greger

O ácido úrico é uma espada de dois gumes. Se os nossos níveis de ácido úrico estão muito altos podemos desenvolver gota, mas se estiverem baixos demais, pode aumentar o nosso risco de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson (presumivelmente porque o ácido úrico atua como um antioxidante cerebral poderoso. Vejam Meteoritos do Mioceno e Ácido Úrico). Tanto os níveis elevados como os níveis baixos estão associados com aumento da mortalidade. Fiquem atentos mais tarde ainda este ano para o meu vídeo [Doença de Parkinson e o Lugar Preferido do Ácido Úrico].

E quanto a tratar a gota pela dieta? Vejam:

E para alcalinizar a urina, vejam Como Tratar Pedra nos Rins com Dieta (Legendado em Português) e Testando a Sua Dieta com Xixí & Couve Roxa.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Preventing Gout Attacks with Diet e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Prevenindo Ataques de Gota com Dieta

Há mais de 2.000 anos atrás, Hipócrates descreveu gota como uma “doença dos reis”, primeiramente porque eram os ricos quem podia comprar comidas caras, que pareciam gerar os ataques de gota. Mas agora todos nós podemos comer como reis e adquirir algumas doenças da realeza nós mesmos. A gota é causada por cristais afiados como agulhas, feitos de ácido úrico, nas nossas articulações, e o ácido úrico vem da degradação de purinas. E as purinas resultam da degradação de material genético, DNA, a base de toda a vida. Então, não existe algo como uma dieta livre de purinas, mas os alimentos variam no seu conteúdo em purina, e há muito que se pensava que pessoas com gota apenas precisavam ficar longe de alimentos com muita purina, tanto derivada de animais, como carnes de segunda, ou plantas, como feijões, mas essa estratégia foi provada ineficaz. Sim, todo ácido úrico vem da degradação de purinas, então limitar o consumo de carne faz sentido, mas isso significa todas as formas de carne, e as fontes vegetais foram agora largamente exoneradas. A associação de gota tanto com o consumo de álcool quanto com grandes quantidades de purina consumida, já era conhecida desde a antiguidade, mas não havia estudos prospectivos para suportar essa visão… até uma década atrás. O Harvard Health Professional’s Follow-Up Study, cerca de 50.000 homens foram seguidos por uma dúzia de anos, e consumo de álcool foi fortemente associado com um aumento no risco de gota. Em termos de comida, encontraram um aumento no risco de gota com maior consumo de carne e peixe, mas não com maior consumo de alimentos vegetais ricos em purina. Talvez porque as purinas em plantas sejam menos biodisponíveis? Embora tenha sido sugerido que pessoas que sofrem com gota devem moderar o consumo tanto de alimentos animais quanto vegetais ricos em purina, os resultados sugerem que esse tipo de restrição dietética talvez seja apenas aplicável a purinas de origem animal. Embora não tenha sido surpresa que a carne e alimentos marinhos tenham associação significativa com a incidência de gota, esta ausência de efeito pelos vegetais ricos em purina era novidade. Não parece haver nenhum estudo de longo prazo demonstrando risco aumentado pela de purina de alimentos vegetais, embora ainda haja algumas orientações por aí que continuam a disseminar recomendações ultrapassadas. Não apenas o consumo de vegetais ricos em purina não foi associado a altas taxas de ácido úrico, mas os vegetais que os pacientes de gota são especificamente aconselhados a evitar: cogumelos, ervilhas, feijões, lentilhas e couve-flor na verdade foram considerados protetivos. Isso pode ser porque alimentos ricos em fibra, folato e vitamina C parecem proteger contra o acúmulo de ácido úrico e gota. Por exemplo, fibra foi reconhecida como tendo um papel potencial em ligar-se ao ácido úrico no intestino para excreção. A falta dessa associação entre vegetais ricos em purina e urato pode ser por causa da coexistência desses componentes vegetais benéficos (como vitamina C, fibra dietética, alguns fitoquímicos), o quais podem mediar o efeito de purinas no ácido úrico. O consumo de vegetais, independente da concentração de purina, também pode ser protetivo ao livrar-nos do ácido úrico por excreção. Ao mudar o pH da nossa urina, podemos mudar a eliminação de ácido úrico. Comer uma dieta alcalina, uma dieta vegetariana, neste caso, foi considerado eficaz na remoção de ácido úrico do corpo. Aqueles que comeram uma dieta alcalina excretaram significativamente mais ácido úrico, do que aqueles que comeram uma dieta ácida. Assim, os níveis de ácido úrico no sangue daquele que comeram uma dieta acidificante aumentou em alguns dias. Então pode-se presumir que níveis de ácido úrico são menores em vegetarianos, e realmente, aqueles comendo vegetariano no longo prazo tinham quantidades significativamente menores nos seus sangues. Para provar causa e efeito, contudo, é preciso fazer-se um estudo interventivo, no qual pega-se nas pessoas, muda-se as dietas e vê-se o que acontece. Então, pegaram em dez sujeitos para um estudo sobre o acúmulo de ácido úrico nos rins, mantiveram-nos em uma dieta típica ocidental por cinco dias e mediram a sua super saturação relativa para o ácido úrico. E então tentaram uma dieta vegetariana por cinco dias e obtiveram… …isto. O consumo de uma dieta vegetariana levou a um declínio de 93% no risco de cristalização de ácido úrico, em apenas dias. Ou pode-se fazer ao contrário: peguem num monte de pessoas com gota, sirvam-nos uma grande refeição de carne e observem se conseguem desencadear um ataque. Sete pacientes foram hospitalizados, estabilizados numa dieta pobre em purina, e então desafiados com um jantar cheio de carnes. Em resposta, os níveis de ácido úrico dispararam, e eles começaram a ter ataques de gota. Em seguida adicionaram álcool e os níveis de ácido úrico dispararam ainda mais. Resumindo, apenas com uma refeição, conseguiram desencadear ataques de gota em seis dos sete pacientes. Agora, algumas carnes têm menos purinas que outras. Supervermes têm taxas de purina particularmente baixas. Super porque eles tem cerca de cinco ou sete centímetros. Nem todos os alimentos de origem animal aumentam o risco de gota, contudo. Produtos lácteos com baixo teor de gordura foram considerados protetivos. Se for esse o caso, poderíamos predizer que os veganos estariam em desvantagem, que foi exatamente o que foi encontrado, embora todos estes estivessem dentro da média normal, que é de 3.5 a 7. Pacientes de gota deveriam adicionar leite às suas dietas? Bom, embora beber o equivalente a dez xícaras de leite desnatado de uma vez pareça ter um efeito agudo de diminuição nos níveis de ácido úrico, no longo prazo, ao longo de meses, com o equivalente a duas xícaras por dia, não houve um efeito redutor estatisticamente significativo. Deram pó de leite desnatado a pacientes de gota por três meses e não pareceu ajudar. Embora o leite de soja também tenha sido associado com menor risco de acúmulo de ácido úrico, mas não houve estudos interventivos para sustentar essa hipótese. O ponto é que nós agora temos boas pesquisas sobre como reduzir o risco de gota sem o uso de terapias com drogas, pela modificação da dieta. Isso é importante, porque o alopurinol é o medicamento padrão. É considerado seguro de forma geral, mas o que significa quando médicos dizem que um remédio é relativamente seguro? Bom, cerca de 2% dos pacientes desenvolve reações hipersensíveis, que às vezes podem ser severas e fatais com uma taxa de mortalidade de até 20%. E esse é o medicamento seguro. A outra droga preferencial, a colchicina, não tem nenhuma distinção clara entre a dose não-tóxica, tóxica e letal. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição.
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Imagens graças a piper60 via Pixabay, e BrianGratwicke via Flickr.

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