Prevenindo a Doença de Crohn com Dieta

Dietas centradas em alimentos vegetais integrais podem ajudar a prevenir a Doença de Crohn através dos benefícios da fibra na manutenção da função da barreira intestinal e do evitar certos aditivos de alimentos processados, tais como o polissorbato 80.

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Notas do Dr. Michael Greger

Aqui está o vídeo que mencionei sobre usar-se uma dieta mais baseada em plantas para se reduzir o risco de recaídas: Tratamento Dietético da Doença de Crohn.

Recebo muitas questões sobre aditivos como o polissorbato 80. Estou contente de finalmente ter podido fazer um vídeo sobre isso. Aqui têm alguns outros vídeos:

Se você, tal como eu, costumava pensar que toda a fibra era boa para ajudar no regular dos intestinos, vai ficar espantado! Veja, por exemplo, A Dieta da F… do Dr. Burkit (Legendado em Português).

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Preventing Crohn’s Disease with Diet e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Prevenção da Doença de Crohn com Dieta

A doença de Crohn é uma doença auto-imune que afeta mais de um milhão de americanos, uma doença inflamatória intestinal em que o organismo ataca os seus próprios intestinos. Atualmente não há cura para a doença de Crohn e a pesquisa atual foca-se apenas no controlo dos sintomas. Não existe terapia médica ou cirúrgica definitiva. Na verdade, o melhor que temos é uma dieta mais à base de plantas, que tem proporcionado o melhor resultado na prevenção de recaídas até à data. Tiveram a ideia de o experimentar porque descobriram que as dietas ricas em proteína animal e gordura animal causavam uma diminuição de bactérias benéficas no intestino. E assim, projetaram esta dieta semi-vegetariana para combater isso, e 100% permaneceram em remissão no primeiro ano e 92% no segundo ano. Estes resultados são muito melhores do que os obtidos pelas drogas atuais, incluindo esses novos chamados agentes biológicos |que podem custar 40.000 dólares por ano, e causar efeitos colaterais como leucoencefalopatia multifocal progressiva, uma doença cerebral incapacitante e mortal, enquanto que a dieta não custa $40k e o pior que pode acontecer é talvez ficar com verdes preso nos dentes ou algo assim. E… a dieta parece funcionar melhor. Mas e quanto a prevenir a doença de Crohn em primeiro lugar? Bem… uma revisão sistemática da literatura científica sobre regime alimentar e o risco de desenvolver doença inflamatória do intestino descobriu que o consumo elevado de gorduras e carne estava associada com um risco aumentado de doença de Crohn, bem como de colite ulcerosa, enquanto que consumos elevados de fibra e fruta foram associados com diminuição do risco de doença de Crohn. Isto foi apoiado, mais recentemente, pelo estudo de saúde das enfermeiras de Harvard. Anos de dados de três milhões de pessoas revelaram que o consumo de fibra dietética a longo prazo, particularmente à base de frutas, foi associado a menor risco de doença de Crohn. As mulheres que caíram no grupo de maior consumo de fibras a longo prazo tiveram um risco reduzido em 40%, levando o editorial que acompanhou a concluir que advogar uma dieta rica em fibras pode, em última análise, reduzir a incidência de doença de Crohn. A ironia é que o grupo do consumo mais elevado de fibra nem estava sequer a atingir o mínimo diário recomendado oficial da ingestão de fibras, mas até mesmo ser-se apenas menos deficiente em fibra tem uma ampla gama de benefícios, incluindo, evidentemente, uma redução significativa no risco de se desenvolver a doença de Crohn. Mas porquê? Os autores sugerem que é porque a fibra parece desempenhar um papel vital na manutenção da função da nossa barreira intestinal. A nossa pele mantém o mundo exterior do lado de fora, e assim também o faz o revestimento do nosso intestino, mas na doença de Crohn esta função da barreira está prejudicada. Consegue-se vê-lo com um microscópio eletrónico: as junções apertadas entre as células intestinais têm todo o tipo de pequenos buracos e quebras. Pensa-se que o aumento da incidência de doenças inflamatórias do intestino pode dever-se às mudanças na dieta que conduzem à rutura da nossa barreira intestinal, potencialmente permitindo a penetração de bactérias na nossa parede intestinal, as quais o nosso corpo ataca, provocando a inflamação. Sabemos que a fibra age como um prebiótico no nosso cólon, o intestino grosso, alimentando as nossas bactérias boas, mas o que é que a fibra faz no nosso intestino delgado, onde frequentemente começa a Crohn? Não o sabíamos, até que este estudo de referência foi publicado. Eles queriam descobrir o que poderia parar estas bactérias invasoras associadas à doença de Crohn de afunilarem na parede do intestino. Eles descobriram que a invasão é inibida pela presença de certas fibras vegetais solúveis, tais como da banana-da-terra e brócolis, no tipo de concentrações que se poderia esperar ao simplesmente comê-los. Perguntaram-se se isso poderá explicar porque as populações amantes de banana-da-terra têm níveis mais baixos de doença inflamatória intestinal. Também descobriram que havia alguma coisa em alimentos processados ​​que facilitava a invasão das bactérias. Polissorbato 80, encontrado predominantemente em sorvetes, mas também encontrado em margarinas, coberturas para bolos, condimentos, queijo cottage… temos simplesmente que ler os rótulos. E quanto a maltodextrina? Encontrado em adoçantes artificiais como Splenda, lanches, molhos para salada, e suplementos de fibras. A maltodextrina aumentou marcadamente a capacidade das bactérias de se pegarem às nossas células intestinais, embora outros aditivos, carboxi-metil celulose e goma xantana, pareceram não ter nenhum efeito adverso. Tudo isto pode ajudar a resolver o mistério do porquê o aumento da prevalência da doença de Crohn em nações desenvolvidas onde estamos a comer menos alimentos vegetais integrais que contém fibras e mais alimentos processados. O que precisamos agora são estudos de intervenção para ver se aumentar o consumo de fibras e evitar estes aditivos alimentares pode ser eficaz na prevenção e tratamento da doença de Crohn. Mas até lá o que é que dizemos às pessoas? Bem, a evidência disponível aponta para uma dieta pobre em gordura animal, com muitos alimentos de origem vegetal contendo fibra solúvel, e evitar alimentos gordos processados que contêm estes emulsionantes, bem como assegurarmos que não estamos a ingerir vestígios de detergente de lavar louça, o qual pode ter o mesmo efeito, ao apenas enxaguarmos bem os pratos. Eles descobriram que algumas pessoas lavam pratos e, em seguida, apenas deixam-nos a secar sem enxaguar, o que provavelmente não é uma boa ideia. Agora, teremos estudos que mostram que evitar polissorbato 80 e enxaguar bem os pratos ajuda realmente? Não. Contudo, o conselho com base na “melhor evidência disponível” é melhor do que nenhum conselho de todo. Nutrição em Factos A mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET
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Imagens graças a Michael (a.k.a. moik) McCullough via Flickr.

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