Prebióticos: Cuidando do Nosso Jardim Interno

Porque é que o nosso sistema imunitário confunde dietas não saudáveis com disbiose, um excesso de bactérias más no nosso cólon.

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Notas do Dr. Michael Greger

A alguns alimentos não apenas lhes falta fibra como podem interagir com a nossa flora intestinal e contribuir para a doença de outras maneiras. Vejam o meu último vídeo Microbiome: A História Vista por Dentro.

Esta história espantosa dos prebioticos ajuda a explicar porque a os alimentos ricos em fibra (i.e. vegetais integrais) são tão bons para nós. Vejam, por exemplo, A Dieta da F… do Dr. Burkitt (Legendado em Português). Isto lembra-me de O Recetor de Brocolis: A Nossa Primeira Linha de Defesa, em termos de o nosso corpo usar o que comemos como forma de otimizar a função imunitária.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários no link original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas
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Prebioticos: Cuidando do Nosso Jardim Interno

A área total da superfície do nosso intestino tem talvez 900 metros quadrados, contando todas as pequenas dobras; maior que um campo de ténis, e contudo, apenas uma única camada de células separa o nosso centro interior do caos exterior. O combustível principal que mantém esta camada crítica de células viva É um ácido gordo de cadeia curta, chamado butirato, o qual é feito pelas nossas boas bactérias a partir da fibra que comemos. Nós alimentamos as bactérias boas no nosso intestino, e elas alimentam-nos de volta. Elas ficam com os prebioticos que comemos, como a fibra, e em troca fornecem a fonte de combustível vital que alimenta as células que revestem o nosso cólon, um exemplo prototípico do tipo de simbiose que há entre nós e a nossa flora intestinal. Quão importantes são estes compostos que as nossas boas bactérias derivam de fibra? Há uma condição conhecida como colite de derivação que se desenvolve frequentemente em segmentos do cólon ou do reto após desvio cirúrgico do fluxo fecal, ou seja, se você saltar um segmento do intestino, como com uma ileostomia, de modo que a comida não passa mais por essa secção, inflama e pode começar a sangrar, a quebrar, e a fechar-se. Com que frequência é que isto acontece? Até 100% das vezes, mas, a inflamação desaparece uniformemente depois de se reanexá-la ao fluxo fecal. Não sabíamos o que causava isso, talvez alguma espécie de crescimento de bactérias em excesso ou bactérias más? Ou… seria uma deficiência nutricional do revestimento do cólon devido à ausência da fibra necessária para a criação dos ácidos gordos de cadeia curta? Não sabíamos até este estudo, onde eles curaram a inflamação banhando o revestimento naquilo de que ele tanto precisava. Inflamação grave que desapareceu em apenas algumas semanas. Nós alimentamos as boas bactérias no nosso intestino e elas alimentam-nos imediatamente de volta. Faz sentido que tenhamos boas bactérias no nosso intestino que nos alimentam, que tentam manter-nos saudáveis. Elas têm algo muito bom em andamento, certo? É quente e húmido e a comida simplesmente continua, magicamente, a cair pelo tubo, mas se morrer-mos, elas perdem tudo isso. Se morrermos, elas morrem, logo, é do seu melhor interesse evolutivo manter o nosso cólon feliz. Mas existem bichos maus também, como a cólera, que causam diarreia. Eles têm uma estratégia diferente. Quanto mais doentes puderem fazer-nos, mais explosiva será a diarreia, melhores são as suas chances de propagação a outras pessoas, a outros cólons. Eles não se importam se morremos porque não fazem intenção de se afundarem com o navio. Então, como é que o corpo mantém as boas bactérias enquanto se livra das más? Pense nisto. Temos, literalmente, triliões de bactérias no nosso intestino e assim, o nosso sistema imunitário tem que manter, constantemente, um equilíbrio entre a tolerância às bactérias boas enquanto ataca as bactérias más. Se perdemos este equilíbrio delicado e começamos a atacar bactérias inofensivas, pode levar-nos a doença inflamatória do intestino, na qual estamos em constante modo de ataque de alerta vermelho. Os mecanismos pelos quais o sistema imunitário mantém este equilíbrio crítico permaneceram em grande parte indefinidos… …até agora. Se pensarmos sobre isto, tem que haver uma maneira de as nossas bactérias boas sinalizarem ao nosso sistema imunológico que elas são os bons. E esse sinal é o butirato. O butirato suprime a reação inflamatória, diz ao nosso sistema imunitário para se manter em baixo. Assim, o butirato pode comportar-se como um sinal microbiano para informar o nosso sistema imunitário que os níveis relativos de boas bactérias estão dentro do intervalo desejado. O butirato acalma o sistema imunológico, dizendo, com efeito, que tudo vai bem; você tem os bons a bordo, essencialmente, tornando o sistema imunitário intestinal hiporresponsivo, ou seja, acomodando-se às bactérias benéficas. Mas na ausência do efeito calmante do butirato, o nosso sistema imunológico está de volta com toda a força, atacando as bactérias dentro de nosso intestino, porque elas, obviamente, não são as certas, já que os níveis de butirato estão tão baixos. Então, nós evoluímos para termos o butirato a suprimir a nossa reação imunológica, pois se as boas bactérias alguma vez fossem dizimadas e as bactérias más assumissem, o nosso sistema imunológico seria capaz de sentir isso, entrar em alvoroço e destruir os invasores, e continuar agressivo até que houvessem apenas bactérias boas a fazerem butirato para colocarem o sistema imunológico a dormir outra vez. OK, aqui está a peça fundamental. Aqui está porque tudo isto importa. E se nós não comermos fibra suficiente? Lembrem-se que as nossas boas bactérias usam fibra para criar butirato. Então, se não comermos fibra suficiente, não podemos fazer butirato suficiente. Poderíamos ter montes de bactérias boas, mas se não as alimentarmos com fibra elas não poderão fazer butirato. Sentindo níveis assim tais baixos de butirato, o nosso corpo, erroneamente, pensa que o nosso intestino deve estar cheio de bactérias más e reage em conformidade. O nosso corpo pode confundir a baixa ingestão de fibra com ter uma população de bactérias más no nosso intestino. O nosso corpo não sabe sobre alimentos processados; evoluiu durante milhões de anos a receber uma ingestão maciça de fibra. Mesmo durante o período Paleolítico, 100 gramas de fibra por dia. Portanto, em dietas ocidentais deficientes em fibra, a comer o nosso fiambre em pão branco, quando o nosso corpo detecta níveis baixos de butirato no intestino ele não pensa “pouca fibra”; para o nosso corpo não existe tal coisa como “pouca fibra”; ele pensa “bactérias más”. Porque durante milhões de anos, butirato em baixo significa bactérias más, de modo que esse é o sinal para o nosso corpo entrar numa ofensiva inflamatória. Então, essa é uma das razões por que as fibras podem ser tão anti-inflamatórias, uma das razões porque a ingestão de fibras é essencial para uma saúde ótima. Não suplementos de fibra, mas alimentos vegetais inteiros. Suplementação de fibra com algo como o Metamucil não pode replicar os resultados observados com uma dieta naturalmente rica em fibras. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET
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Imagens graças a ZEISS Microscopy via Flickr.

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