Porque é que a Carne é um Fator de Risco de Diabetes?

Os vários potenciais mecanismos explicados para o maior risco de diabetes encontrado associado ao consumo total de carne: gordura trans, gordura saturada, colesterol, ferro heme, produtos finais da glicação avançada (glicotoxinas), proteína animal (especialmente leucina), vírus zoonóticos, e poluentes industriais que se acumulam na cadeia alimentar.

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Notas do Dr. Michael Greger

Parece a lista da lavandaria, este vídeo! Eu sei que apenas buzinei a passar por estes tópicos mas tenho vídeos mais aprofundados para cada um dos tópicos principais:

Produtos finais da glicação avançada:

TOR:

Vírus: Infectobesidade: Adenovirus 36 e Obesidade Infantil

Trabalhadores de aviários:

Poluentes Industriais:

A ligação entre carne e diabetes poderá ser devida também a uma falta de suficientes componentes de plantas protetores na dieta. Esse é o tema do meu próximo vídeo: Como é que as Plantas Poderão Proteger Contra Diabetes? (Legendado em Português)

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do vídeo original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

H Vlassara, W Cai, J Crandal, T Goldberg, R Oberstein, V Dardaine, M Peppa, EJ Rayfield. Inflammatory mediators are induced by dietary glycotoxins, a major risk factor for diabetic angiopathy. Proc Natl Acad Sci U S A. 2002 Nov 26;99(24):15596-601.

InterAct Consortium, B Bendinelli, D Palli, G Masala, SJ Sharp, MB Schulze, M Guevara, AD van der, F Sera, P Amiano, B Balkau, A Barricarte, H Boeing, FL Crowe, CC Dahm, G Dalmeijer, B de Lauzon-Guillain, R Egeberg, G Fagherazzi, PW Franks, V Krogh, JM Huerta, P Jakszyn, KT Khaw, K Li, A Mattiello, PM Nilsson, K Overvad, F Ricceri, O Rolandsson, MJ Sánchez, N Slimani, I Sluijs, AM Spijkerman, B Teucher, A Tjonneland, R Tumino, SW van den Berg, NG Forouh, C Langeberg, EJ Feskens, E Riboli, NJ Wareham. Association between dietary meat consumption and incident type 2 diabetes: the EPIC-InterAct study. Diabetologia. 2013 Jan;56(1):47-59

R Zoncu, A Efeyan, DM Sabatin. mTOR: from growth signal integration to cancer, diabetes and ageing. Nat Rev Mol Cell Biol. 2011 Jan;12(1):21-35

EJ Feskens, D Sluik, GJ van Woudenbergh. Meat consumption, diabetes, and its complications. Curr Diab Rep. 2013 Apr;13(2):298-306

MA Hyman MA. Environmental toxins, obesity, and diabetes: an emerging risk factor. Altern Ther Health Med. 2010 Mar-Apr;16(2):56-8

M Peppa, T Goldberg, W Cai, E Rayfield, H Vlassara. Glycotoxins: a missing link in the “relationship of dietary fat and meat intake in relation to risk of type 2 diabetes in men”. Diabetes Care. 2002 Oct;25(10):1898-9

BC Melnik. Leucine signaling in the pathogenesis of type 2 diabetes and obesity. World J Diabetes. 2012 Mar 15;3(3):38-53

T Koschinsky, CJ He, T Mitsuhash, R Bucala, C Liu, C Buenting, K Heitmann, H Vlassara. Orally absorbed reactive glycation products (glycotoxins): an environmental risk factor in diabetic nephropathy. Proc Natl Acad Sci U S A. 1997 Jun 10;94(12):6474-9

DJ Magliano, VH Loh, JL Harding, J Botton, JE Shaw. Persistent organic pollutants and diabetes: a review of the epidemiological evidence. Diabetes Metab. 2014 Feb;40(1):1-14

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Porque é que a Carne é um Fator de Risco para Diabetes?

Sabe-se que o excesso de peso e a obesidade são importantes fatores de risco para a diabetes tipo 2, mas até recentemente não tem sido dada muita atenção ao papel de alimentos específicos. Esta meta-análise de 2013 de todos os coortes que olhavam para carne e diabetes encontrou um risco significativamente maior associado ao consumo total de carne, e especialmente carne processada, particularmente aves. Mas porquê? Há toda uma lista de potenciais culpados em carne. Talvez seja a gordura saturada e a gordura animal. Talvez sejam as gorduras trans que se encontram naturalmente na carne. Talvez seja o colesterol ou a proteína animal. O ferro heme na carne pode levar a radicais livres, e este stress oxidativo induzido pelo ferro pode levar a inflamação crónica e diabetes tipo 2. Produtos finais de glicação avançada [AGEs] são outro problema, promovem o estresse oxidativo e a inflamação, e análises a comida mostram que os níveis mais elevados destas chamadas glicotoxinas são encontrados na carne, particularmente a carne assada, frita ou grelhada, apesar de que todos os alimentos de origem animal podem ser fontes potentes destes químicos pró-oxidantes. Neste estudo eles alimentavam diabéticos com alimentos carregados com glicotoxinas, como frango, peixe, e ovos, e os seus marcadores inflamatórios dispararam: fator de necrose tumoral, proteína C-reativa, moléculas de adesão vascular. Assim, na diabetes, os produtos finais da glicação avançada [AGEs] promovem mediadores inflamatórios, levando a lesão tecidual. A boa notícia, porém, é que a restrição destes tipos de alimentos pode suprimir estes efeitos inflamatórios. Medidas adequadas para limitar a ingestão de AGEs, como eliminar esses alimentos ou aderindo a apenas carne fervida ou cozida a vapor, poderá reduzir significativamente a já pesada carga destas toxinas no paciente diabético. Estas glicotoxinas poderão ser o elo que faltava entre o aumento do consumo de gordura animal e de carnes e o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Desde que a meta-análise de 2013 foi publicada, saiu este estudo, no qual cerca de 17.000 pessoas foram acompanhadas durante cerca de uma dúzia de anos. Eles encontraram um risco aumentado em 8% para cada 50 gramas de consumo diário de carne. Isso é tipo, apenas um quarto de peito de frango em carne para o dia inteiro pode aumentar significativamente o risco de diabetes. Sim, poderiam ser as glicotoxinas na carne, ou a gordura saturada, ou a gordura trans na carne, ou o ferro heme, aquilo que poderia, na verdade, promover a formação de cancerígenos chamados nitrosaminas embora pudessem também ser simplesmente produzidos no próprio processo de cozedura, mas isto é novo. Parece haver um claro excesso de diabetes naqueles que lidam com carne como modo de vida. Talvez haja algum tipo de agente infeccioso zoonótico que cause diabetes como os vírus presentes em cortes frescos de carne, incluindo aves de capoeira. Demasiada estimulação da via metabólica da enzima TOR do envelhecimento através do excesso de consumo de alimentos, poderá ser um fator crucial subjacente à epidemia de diabetes. Mas não simplesmente qualquer alimento. A proteína animal poderá não só estimular a hormona de crescimento IGF-1 promotora de cancro, mas fornecer quantidades elevadas de leucina, a qual estimula a ativação da TOR, e aparenta esgotar as células beta produtoras de insulina no pâncreas e contribuir para a diabetes tipo 2. Portanto, não é apenas o alto teor de gordura e açúcares adicionados. Tem que se prestar uma atenção crítica à ingestão diária de proteínas animais. Em geral, níveis mais baixos de leucina são realmente alcançados apenas pela restrição de proteínas animais. Como disse anteriormente, para alcançarmos a ingestão de leucina fornecida pelos laticínios ou a carne, teríamos que comer tipo quatro quilos de repolho, 100 maçãs. Estes cálculos exemplificam as diferenças extremas nas quantidades de leucina fornecidas por uma dieta mais comum em comparação com uma dieta mais à base de plantas. Revi anteriormente o papel que podem desempenhar os poluentes industriais desreguladores endócrinos nos alimentos, numa série de 3 vídeos. É evidente que o estilo de vida e dieta padrão americano contribui para a epidemia da diabetes e obesidade, mas já não podemos ignorar estes poluentes industriais. Temos agora evidência experimental de que a exposição a toxinas industriais por si só induz ganho de peso e resistência à insulina e, portanto, poderá ser uma causa subestimada de obesidade e diabetes. Considere o que está a acontecer com as nossas crianças. A obesidade numa criança de seis meses de idade não está relacionada com dieta ou falta de exercício. Elas agora estão expostas a centenas de químicos das suas mães, diretamente pelo cordão umbilical, alguns dos quais podem ser obesogénicos – envolvidos na geração de obesidade. Dados os milhões de quilos de químicos e metais pesados lançados todos os anos no ambiente, devia fazer-nos parar e pensar sobre como vivemos e as escolhas que fazemos todos os dias quanto aos alimentos que comemos. Como esta revisão de 2014 das evidências sobre poluentes e diabetes observou, sim, podemos ser expostos através de um derramamento tóxico, mas a maioria da exposição humana nos dias de hoje é a partir da ingestão de alimentos contaminados como resultado de bio-acumulação na cadeia alimentar. E a fonte principal, cerca de 95%, do consumo de poluentes persistentes é através da ingestão alimentar de gordura animal. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET

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Créditos de imagem: Radu Razvan via 123rf.

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