Poderá a Lactose Explicar a Ligação Leite – Doença de Parkinson?

A contaminação dos laticínios por neurotoxinas não explicam porque a associação entre doença de Parkinson e consumo de leite desnatado é tão forte quanto a associação com leite integral.

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Notas do Dr. Michael Greger

Que é isto de o leite não proteger contra as fraturas da anca? Vejam O Leite é Bom para os Nossos Ossos? (Legendado em Português).

Para além de evitar produtos de leite, que podemos fazer para reduzir o nosso risco de Parkinson? Vejam Há algo no Tabaco Protetor Contra Doença de Parkinson? (Legendado em Português) e Pimento e Parkinson: Os Benefícios de Fumar sem os Riscos? (Legendado em Português).

Também tenho um vídeo sobre Tratando Doença de Parkinson com Dieta (Legendado em Português).

Para os efeitos da alimentação sobre outras doenças neurodegenerativas que afetam a nossa capacidade de nos movermos normalmente, vejam ELA (Doença de Lou Gehrig): Procurando Respostas (Legendado em Português) e Dieta e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) (Legendado em Português).

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Could Lactose Explain the Milk & Parkinson’s Disease Link? e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Poderá a Lactose Explicar a Ligação Leite – Doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum após a doença de Alzheimer. Nos EUA, há cerca de 60.000 novos casos diagnosticados a cada ano, elevando o número total de casos atuais para cerca de um milhão, com dezenas de milhar a morrerem a cada ano. O componente alimentar mais frequentemente implicado é o leite, no qual a contaminação do leite por neurotoxinas tem sido considerada a única explicação possível. Elevados níveis de resíduos de pesticidas organoclorados têm sido encontrados no leite, e nas áreas mais afetadas no cérebro de vítimas de Parkinson em autópsias. Uma vez que os pesticidas no leite foram encontrados por toda parte, talvez a indústria de laticínios devesse requerer análises a toxinas no leite. E existem de facto, agora, testes portáteis disponíveis, baratos e sensíveis. Sem falsos positivos; sem falsos negativos, proporcionando a rápida deteção de pesticidas altamente tóxicos no leite. Agora só temos de convencer a indústria de laticínios a realmente fazê-lo. Outros, porém, não estão tão convencidos da ligação aos pesticidas. Apesar das associações claras entre a ingestão de leite e a incidência de doença de Parkinson, não há explicação racional para o leite ser um fator de risco para doença de Parkinson. Se fosse dos pesticidas presentes no leite que pudessem acumular no cérebro, iríamos supor que os pesticidas se acumulassem na gordura, e a ligação entre o leite desnatado e Parkinson é igualmente forte. E então eles sugerem causalidade reversa — o leite não causou doença de Parkinson, o Parkinson causou o leite. A doença de Parkinson faz algumas pessoas deprimidas, eles fundamentaram, e as pessoas deprimidas podem beber mais leite. Logo, não devíamos limitar a ingestão de produtos lácteos na doença de Parkinson especialmente por serem tão suscetíveis a fraturas de quadril. Mas agora sabemos que o leite não parece proteger contra fraturas de quadril, afinal, e pode, na realidade, aumentar o risco tanto de fraturas ósseas como de morte — mas, ironicamente, podem oferecer uma pista quanto ao que está a acontecer no mal de Parkinson. Mas, primeiro, vamos a este argumento de causalidade reversa. Será que o leite levou a Parkinson ou o Parkinson levou ao leite? O que é preciso são estudos prospectivos de coorte onde se mede o consumo de leite primeiro e depois se segue as pessoas ao longo do tempo, e tais estudos ainda encontraram um risco aumentado significativo associado à ingestão de leite. O risco aumentou em 17% para cada pequeno copo de leite por dia e 13% para cada metade de fatia de queijo por dia. Mais uma vez, a explicação padrão é que é a partir dos pesticidas e outras neurotoxinas nos laticínios, mas isso não explica porque há mais risco associado a alguns produtos lácteos do que outros. Os resíduos de pesticidas são encontrados em todos os produtos lácteos então porque é que o leite devia estar associado com Parkinson mais do que o queijo? Bem, existem outros contaminantes neurotóxicos no leite para além dos próprios pesticidas, como tetrahidroisoquinolinas, encontrados nos cérebros de vítimas da doença de Parkinson, mas em níveis mais elevados no queijo do que no leite, embora as pessoas possam beber mais leite do que comem queijo. A relação entre os laticínios e a doença de Huntington aparece semelhante. A doença de Huntington é uma doença degenerativa horrível que corre em famílias, cujo início precoce pode ser duplicado pelo consumo de produtos lácteos, mas novamente, isso pode ser mais do consumo de leite do que do consumo de queijo, o que nos trás de volta para a pista no estudo mais-leite-mais-mortalidade. Sempre que se ouvir falar de riscos de doença associados mais a leite do que queijo — mais stresse oxidativo, inflamação — devíamos pensar galactose, o açúcar do leite, ao invés da gordura do leite, proteína, ou pesticidas. É por isso que os bebedores de leite especificamente aparentam ter maior risco de fraturas ósseas e morte, e poderá explicar também as descobertas sobre neurodegeneração , já que não só raros indivíduos com uma incapacidade para desintoxicar a galactose encontrada no leite sofrem danos nos ossos, como também nos seus cérebros. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a Chris Pelliccione via Flickr.

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