Bagas vs Pesticidas na Doença de Parkinson

As bagas contrariam os efeitos neurotóxicos dos pesticidas in vitro, potencialmente explicando porque o consumo de bagas está associado com menor risco de desenvolver doença de Parkinson.

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Notas do Dr. Michael Greger

Vídeos anteriores sobre doença de Parkinson incluem:

Outras desordens neurológicas musculares incluem tremor essencial e ELA:

A mesma razão pela qual Parkinson pode estar relacionado com prisão de ventre poderá também explicar a ligação com cancro da mama. Vejam Cancro da Mama e Prisão de Ventre.

Que mais podem as bagas fazer?

Mas e quanto ao açúcar na fruta? Vejam Se a Frutose é Má Então e a Fruta? e Quanta Fruta é Demasiada? (Legendado em Português)

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Fontes citadas

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Bagas vs. Pesticidas na Doença de Parkinson

Na descrição original da doença de Parkinson, por ninguém menos que o próprio Dr. James Parkinson, ele descreveu um traço característico da doença: prisão de ventre, intestinos entorpecidos ou letárgicos, que podem preceder o diagnóstico por muitos anos. De facto, a frequência do movimento intestinal pode ser preditiva. Homens com evacuações menos que diárias tinham quatro vezes mais probabilidades de desenvolver Parkinson numa média de 12 anos mais tarde. Agora, isso podia ser apenas um sintoma muito precoce da doença ligado à diminuição da ingestão de água. Muitos pacientes de Parkinson relatam nunca sentirem realmente muita sede, e talvez isso tenha levado à prisão de ventre — ou, alternadamente, a constipação possa aumentar o risco de doença de Parkinson, já que a obstipação resulta numa estadia mais longa dos resíduos no intestino e, assim, em mais absorção de potenciais neurotoxinas da dieta.
Sim, existem dois estudos que sugerem uma associação entre prisão de ventre e Parkinson, mas ao mesmo tempo, existem 38 estudos ligando a doença à exposição a pesticidas. E até agora mais de cem estudos ligando pesticidas a um risco aumentado de até 80%. Agora, muitos desses estudos são em exposição ocupacional, como trabalhadores agrícolas, que podem reduzir o risco de Parkinson usando luvas e lavando as roupas. Mas a doença de Parkinson também tem sido associada a exposição ambiente. Cerca de 500 milhões de kilos de pesticidas são aplicados anualmente nos EUA, e apenas viver ou trabalhar em áreas de elevada pulverização pode aumentar o risco de Parkinson. E o mesmo com o uso de pesticidas em casa. Não tinha percebido o quão comum era o uso de pesticidas em casa, mas este estudo da UCLA sugere que pode não ser uma boa ideia. Pesticidas podem causar mutações no DNA que aumentem a susceptibilidade para a doença ou ter um papel mais direto.
Vejam, muitas doenças neurodegenerativas parecem ser causadas pelo acúmulo de proteínas deformadas. Na doença de Alzheimer é a proteína beta-amilóide, na doença de Creutzfeldt-Jakob e na doença das vacas loucas são prions, na doença de Huntington, é uma proteína diferente, e na doença de Parkinson é uma proteína chamada alfa-sinucleína. E uma variedade de pesticidas — 8 dos 12 que testaram — foram capazes de desencadear a acumulação de sinucleína em células nervosas humanas, pelo menos numa placa de Petri. A acumulação de sinucleína pode desempenhar um papel no matar de células nervosas especializadas no cérebro, 70% das quais desaparecem pela altura em que os primeiros sintomas surgem. Os pesticidas são tão bons a matar esses neurónios que os pesticidas são utilizados para tentar recriar a doença de Parkinson em animais de laboratório.
Existe alguma maneira de parar o processo? Bem, não há nenhuma droga ainda que possa impedir esta agregação de proteínas. E quanto a fitonutrientes flavonóides, compostos naturais encontrados em certas frutas e vegetais? Conseguem atravessar a barreira hematoencefálica e podem ter efeitos neuroprotetores. Então eles testaram 48 diferentes compostos de plantas para ver se algum poderia parar a aglutinação de proteínas de sinucleína nas pequenas fibras que entopem a célula. E eles encontraram uma variedade de flavonóides que não só podem inibir a formação tipo teia de aranha de fibras de sinucleína, mas alguns podiam até mesmo quebrá-las. Acontece que os flavonóides podem até se vincular às proteínas de sinucleína e estabilizá-las. Aqui estão algumas células cerebrais saudáveis; as setas estão apontadas para as ligações neuronais, os braços que as células nervosas usam para comunicar umas com as outras. Aqui está após a exposição a um pesticida, porém. A célula está danificada, retrai os seus bracinhos. Mas se primeiro se incubar as células nervosas com um extrato de mirtilo, a célula nervosa parece mais capaz de suportar os efeitos dos pesticidas. Então, isso implica que os flavonóides na nossa dieta podem estar a combater a doença de Parkinson neste preciso momento, e as dietas saudáveis ​​poderão ser eficazes na prevenção e até no “curar” desta desordem.
Mas, estes eram todos experimentos de placas de petri em laboratório. Existe alguma evidência, de que as pessoas que comem bagas estão protegidas contra Parkinson? Houve este estudo, publicado há uma eternidade, que sugeriu que o consumo de amoras e morangos era protetor, mas este foi um estudo pequenino e os resultados não foram estatisticamente significativos, e é por isso que nunca falei neste estudo antes. Mas isso era o melhor que tinhamos … até agora. Aqueles que comiam uma variedade de fitonutrientes eram menos propensos a desenvolver doença de Parkinson, especificamente, uma maior ingestão de bagas foi associada a um risco significativamente menor. O editorial de acompanhamento, “Uma Maçã por Dia para Prevenir a Doença de Parkinson”, concluiu que é necessária mais investigação, mas até lá, uma maçã por dia poderá ser uma boa ideia. Claro que isso está a vir de um homem. As maçãs parecem ser protetoras contra Parkinson para os homens, mas não mulheres, contudo, todos pareciam beneficiar das bagas. Apenas poderemos não querer comer as nossas bagas com natas, uma vez que o leite pode estar contaminado com o mesmo tipo de resíduos de pesticidas neurotóxicos encontrados nos cérebros das vítimas da doença de Parkinson. Nutrição em Factos a mais recente pesquisa em nutrição Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a DGlodowska via Pixabay.

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