Perder Um Quilo de uma Assentada: Pela Via do Mioceno

A nossa fisiologia evoluiu durante milhões de anos a comer uma dieta à base de plantas. O que aconteceria se os pesquisadores tentassem recrear a nossa dieta ancestral em laboratório?

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Notas do Dr. Michael Greger

Como sabemos que os nossos antepassados estavam a comer mais do que 100 gramas de fibra por dia? Podemos examinar a sua matéria fecal fossilizada. Vejam o meu vídeo Paleopoo: O que Podemos Aprender com Fezes Fossilizadas.

Os meus outros vídeos populares sobre dieta paleo incluem:

Este é um dos meus vídeos favoritos até à data. Quando o gravei, fiquei com pele de galinha naquela linha “Talvez seja normal viver-se livre de doença cardíaca….”

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Lose Two Pounds in One Sitting: Taking the Mioscenic Route e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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K M Tuohy, C Gougoulias, Q Shen, G Walton, F Fava, P Ramnani. Studying the human gut microbiota in the trans-omics era–focus on metagenomics and metabonomics. Curr Pharm Des. 2009;15(13):1415-27.

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D G Popovich, D J Jenkins, C W Kendall, E S Dierenfeld, R W Carroll, N Tariq, E Vidgen. The western lowland gorilla diet has implications for the health of humans and other hominoids. J Nutr. 1997 Oct;127(10):2000-5.

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D J Jenkins, C W Kendall. The garden of Eden: plant-based diets, the genetic drive to store fat and conserve cholesterol, and implications for epidemiology in the 21st century. Epidemiology. 2006 Mar;17(2):128-30.

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Perder Um Quilo de Uma Assentada: Pela Via do Mioceno

O período Paleolítico, a idade da pedra, só vai até cerca de dois milhões de anos atrás. Os humanos e outros grandes macacos têm vindo a evoluir durante os últimos 20 milhões de anos desde a era do Mioceno. Ouve-se falar muito sobre a dieta paleolítica, mas isso representa apenas os últimos 10% da evolução dos hominídeos — e quanto aos primeiros 90%? Durante a era do Mioceno, a dieta é geralmente aceite como tendo sido uma dieta à base de plantas, de alto teor em fibras. Para a grande maioria da evolução da nossa família, comemos o que o resto dos nossos grandes primos macacos comem — folhas, caules e brotos (por outras palavras, vegetais) e frutas, sementes e nozes. Anatomicamente, o trato digestivo dos seres humanos e o dos nossos companheiros grandes macacos são muito semelhantes. Na verdade, o nosso DNA é muito semelhante. E então o que é que eles comem? Dietas na maior parte vegetarianas com elevado consumo de verdes e frutas. Apenas na maior parte vegetariana? Sim, os chimpanzés têm sido conhecidos por caçar, matar e comer presas, mas a ingestão de alimentos de origem animal por chimpanzés está num nível muito baixo, com apenas 1,7% das fezes dos chimpanzés, a fornecerem evidências de consumo de alimentos animais com base em oito anos de trabalho colhendo cerca de 2.000 amostras fecais. Assim, mesmo os mais carnívoros dos grandes símios aparecem comer tipo uma dieta 98% à base de plantas. Poderemos estar mais próximos da dieta dos bonobos, um dos grandes macacos menos conhecidos, os quais também comem dietas quase exclusivamente à base de plantas. Mesmo os nossos caçadores e coletores paleolíticos têm que ter feito uma enorme quantidade de colhimento para chegarem a mais de 100 gramas de fibra por dia. Então, o que aconteceria se se colocasse pessoas numa verdadeira dieta paleolítica? Não numa dieta paleo da revista da estante de corredor do supermercado, ou alguma dieta do blogue do homem das cavernas, mas um verdadeira dieta de mais de 100 gramas em fibras. Ou ainda melhor, uma dieta do mioceno, tendo em conta os últimos 20 milhões de anos de evolução desde que nos separámos do nosso grande primata antepassado comum. O Dr. David Jenkins e colegas quiseram tentar. Eles testaram os efeitos da alimentação de uma dieta muito alta em fibras, estamos a falar de 150 gramas por dia, muito maior do que o recomendado de 20 a 30 gramas por dia, mas 150 foi tipo o que populações da África rural costumavam comer, populações quase inteiramente livres de muitas das nossas doenças mortais crónicas como cancro de cólon e doença cardíaca. Continuando. Vejam isto. Eles não estavam a brincar. Então, o que é que teve ao almoço hoje? Oh, meio quilo de couve. Certamente que comer apenas um montão de frutas / vegetais / nozes não pode ser muito gratificante. Não, obteve a classificação máxima em saciedade, 3 em 3, por cada um dos dez indivíduos. Porquê? Porque todas as dietas foram concebidas para manutenção do peso. Eles não queriam que a perda de peso confundisse os dados. E assim, comer um dia inteiro de calorias em alimentos vegetais integrais eles tiveram que empurrar cerca de 5 quilos de alimentos por dia, não surpreendentemente resultando em algumas das maiores evacuações já registadas na literatura médica, nos homens excedendo um quilograma por dia. Vocês sabem como algumas pessoas em dietas de perda de peso perdem tipo duas libras por semana? Bem, aqui eles perderam 900 gramas… …num dia. Mas isso não foi a única queda de recordes. Uma queda de 33% no colesterol LDL em apenas duas semanas. Mesmo sem qualquer perda de peso. Os níveis de colesterol mau caíram um terço em duas semanas — essa é a maior queda que já vi em qualquer intervenção dietética, melhor do que uma dieta vegetariana à base de amido, melhor do que a dieta tipo vegetariana de baixo teor em gordura saturada da American Heart Association Uma redução do colesterol equivalente a uma dose terapêutica de um fármaco de estatina. Então, é preciso tomar uma droga para se fazer baixar os níveis de colesterol para onde eles estariam normalmente se comêssemos uma dieta mais natural. Temos comido 100 gramas de fibra todos os dias durante… milhões de anos. Semelhante ao que é comido por populações que não sofrem de muitas das nossas doenças crónicas. Talvez isto não devesse ser chamado de uma dieta de teor muito elevado em fibras. Talvez o que comemos devesse ser considerado um nível muito baixo, uma dieta extremamente deficiente em fibra. Talvez seja normal comermos umas 100 gramas de fibra por dia. Talvez seja normal viver-se livre de doença cardíaca. Talvez seja normal viver-se livre de prisão de ventre, e hemorróidas e diverticulite, e apendicite, e cancro do cólon, e obesidade, e diabetes tipo 2, e todas as outras doenças da civilização ocidental. Nutrição em Factos, A mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a Ryan McGuire via Pixabay

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