O Paradoxo Hispânico: Porque os Latinos Vivem Mais Tempo

É tempo de entornar o feijão quanto ao porquê dos latino-americanos tenderem a viver mais tempo, apesar da menor educação em média, maior taxa de pobreza, e pior acesso a cuidados de saúde.

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Notas do Dr. Michael Greger

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Mais sobre as maravilhas do feijão, ervilhas, grão de bico e lentilhas em:

Qual a melhor forma de os comer? Vejam Feijão Enlatado ou Feijão Demolhado? e Feijão Cozinhado ou Feijão Germinado?.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original The Hispanic Paradox: Why do Latinos Live Longer? e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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O Paradoxo Hispânico: Porque os Latinos Vivem Mais Tempo?

Os hispânicos que vivem nos Estados Unidos tendem a ter menos educação, uma taxa de pobreza mais elevada e pior acesso aos cuidados de saúde. Eles representam como que o derradeiro paradigma das disparidades da saúde. A taxa mais elevada de não-assegurados, as menores taxas de rastreio de saúde e aconselhamento e os níveis mais pobres de controle da pressão arterial e de açúcar no sangue e outras medidas de qualidade deficiente nos cuidados de saúde. Então, os hispânicos que vivem nos Estados Unidos devem ter simplesmente estatísticas de saúde pública péssimas, certo? De acordo com os últimos dados nacionais, a expectativa de vida de homens e mulheres brancos foi de 76 e 81. As vidas de homens e mulheres negros estão cortadas em vários anos. Como se saem os hispânicos? Surpreendentemente, bateram todos os outros! Os hispânicos são os que vivem mais tempo. Isto tem sido chamado de o Paradoxo Hispânico.
Os hispânicos têm 24% menor risco de morte prematura e menores riscos de nove das 15 principais causas de morte, notavelmente menos cancro e doença cardíaca. Isto foi notado pela primeira vez há 30 anos, mas, compreensivelmente, recebido com grande criticismo. Talvez os dados não fossem confiáveis? Não, não parece ter sido isso. Talvez apenas as pessoas mais saudáveis ​​migrem? Acontece que o oposto pode ser verdade. Então, temos sempre a teoria do viés do salmão, propondo que talvez os latinos voltam ao seu país natal para morrer e por isso não são contados nas nossas estatísticas de morte. Mas essa teoria também não deu certo. Revisões sistemáticas confirmaram a existência deste paradoxo latino-americano, e assim, dada a forte evidência, talvez seja hora de aceitá-lo e seguir em frente para se questionar, “Bem, esperem um segundo! Porque é que eles vivem tanto tempo?” e perceber a causa. A própria existência do Paradoxo Hispânico poderia representar uma grande oportunidade para se identificar um fator de proteção contra a doença cardiovascular aplicável ao resto da população. Afinal, seja lá o que esteja a acontecer é forte o suficiente para superar os efeitos desfavoráveis da pobreza, barreiras linguísticas, baixos níveis de educação, literacia em saúde, qualidade dos cuidados de saúde, e cobertura de seguro.
Antes de termos esperanças demais, porém, talvez seja apenas genético? Não, porque à medida que os hispânicos estrangeiros se adaptam culturalmente aos Estados Unidos, à medida que abraçam o modo de vida americano, as suas taxas de mortalidade sobem. Então, que comportamentos positivos para a saúde poderão contribuir para a longevidade hispânica? Talvez se exercitem mais? Não, os hispânicos parecem ser ainda mais sedentários. Os hispânicos sim que fumam menos, no entanto, o paradoxo persiste mesmo depois de se ter isso em conta. Talvez seja a sua dieta. Há medida que se adaptam culturalmente começam a comer mais alimentos processados ​ e alimentos de origem animal, e menos alimentos de origem vegetal, e talvez um alimento vegetal em particular — feijão. Talvez uma razão de os hispânicos viverem mais tempo seja por comerem mais feijão. Embora os hispânicos representem apenas cerca de 10% da população, eles comem um terço do feijão nos Estados Unidos comendo individualmente 4 a 5 vezes mais feijão per capita, algumas libras por mês em vez de algumas libras por ano. E isso pode ajudar a explicar o Paradoxo Hispânico, porque as leguminosas, feijões, ervilhas, grão de bico e lentilhas, acalmam a inflamação sistémica.
Este é o mecanismo que propõem em termos de saúde do pulmão. Enquanto que fumar e a poluição do ar causam inflamação pulmonar, o que aumenta o risco de enfisema e cancro de pulmão, quando comemos feijão, as boas bactérias no nosso intestino pegam na fibra e no amido resistente e formam ácidos gordos de cadeia curta que são absorvido de volta para o nosso sistema e diminuem a inflamação sistémica, o que não só inibe o desenvolvimento de cancro de pulmão, mas também de outros tipos de cancro por todo o corpo.
Aqui estão os dados de pulmão com os hispânicos (a vermelho) com taxas mais baixas de DPOC e cancro de pulmão, e também com tendência a taxas mais baixas de cancro de bexiga, cancro de garganta, cancro colorretal, para ambos homens e mulheres. Todo este conceito de inflamação sistémica também é suportado pelo facto de que quando os hispânicos desenvolvem cancro do pulmão ou do cólon, ou cancro da mama, têm melhores taxas de sobrevivência, e talvez o mesmo com sobrevivência a ataques cardíacos e AVCs. Diminuir a inflamação de todo o corpo pode ser importante tanto para a prevenção como sobrevivência.
Agora, americanos asiáticos (aqui a verde) também parecem ter alguma proteção, a qual poderá ser por também comerem mais feijão, na forma de tofu e outros alimentos de soja, já que o consumo de soja está associado tanto com a prevenção de cancro do pulmão como com a sobrevivência a cancro de pulmão. Agora, os hispânicos também comem mais milho, tomate e pimentos picantes. Um quarto da dieta no México é composta de tortilhas de milho, e os mexicanos-americanos nascidos no México, e os mexicanos-americanos nascidos nos EUA continuam a comer mais do que a população em geral.
Olhando para as taxas de cancro em todo o mundo, não só o consumo de feijão foi associado com menos cancro de cólon, mama e próstata, mas também o consumo de arroz e de milho parecem estar correlacionados de forma protetora. É claro que desde o NAFTA a dieta mexicana mudou para incorporar mais refrigerantes, alimentos processados, e alimentos de origem animal, e as suas taxas de obesidade estão rapidamente a aproximar-se das nossas. Nos EUA, os hispânicos comem mais frutas e vegetais que outros grupos, cerca de 6 ou 7 porções por dia, mas ainda assim nem sequer chegam ao mínimo recomendado de 9 porções, porém. Logo, a sua dieta podia levar algumas melhorias. Sim, os hispânicos podem ter apenas metade das probabilidades de morrerem de doença cardíaca, mas ainda é a causa # 1 de morte entre os hispânicos. E portanto, os resultados atuais não deviam ser mal interpretados para significar que a doença cardiovascular é rara entre os hispânicos. Idealmente estariam a comer ainda mais alimentos vegetais integrais. Mas uma coisa que todos podem aprender com a experiência latino-americana é que, juntamente com uma mudança para uma dieta mais à base de plantas, em geral, o feijão pode ser uma ferramenta potente na prevenção e tratamento de doenças crónicas.
Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a Robert Judge via Flickr.

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