Paleococó: O que Podemos Aprender com Fezes Fossilizadas

Práticas alimentares da antiguidade baseadas na análise do conteúdo em fibra das fezes humanas fossilizadas pode trazer-nos um entendimento de como combater a epidemia moderna da obesidade.

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Notas do Dr. Michael Greger

Não é um mecanismo mesmo fascinante? Todo este tempo pensava na fibra mais apenas numa perspectiva de densidade energética (como no meu vídeo Comer Mais para Pesar Menos), mas as hormonas supressoras do apetite são uma fronteira completamente nova. Isso realça a urgência do facto de que 96% dos americanos dos estados unidos nem atingem a ingestão mínima recomendada de fibra (vejam o meu vídeo Os Vegetarianos Obtém Proteína Suficiente?).

Outros vídeos paleo incluem:

Para a função intestinal nos tempos modernos, vejam, por exemplo, Quantas Evacuações Devíamos Ter Todos Por Dia? e Devíamos Sentar, Agachar ou Inclinar Durante uma Evacuação?.

A minha última sobre fibra:

E o meu último sobre o que as suas bactérias intestinais podem fazer por si:

Mais vídeos da dieta paleo a caminho — e mais sobre o microbiome também!

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Paleopoo: What We Can Learn from Fossilized Feces e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas
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Paleococó: O que Podemos Aprender com Fezes Fossilizadas

Nos E.U.A. tendemos a ingerir menos de 20 gramas de fibra por dia, apenas cerca de metade da recomendação mínima diária. Mas em populações nas quais muitas de nossas doenças mais mortíferas são praticamente desconhecidas — na China rural e na África rural — estão a comer enormes quantidades de alimentos vegetais integrais, quase 100 gramas de fibra por dia ou mais, que é o estimado em relação ao consumo que os nossos ancestrais paleolíticos tinham, baseado em análises dietéticas de tribos caçadoras-coletoras primitivas de hoje em dia, e por análise de coprólitos, fezes humanas fossilizadas. Por outras palavras: cocó paleo.
Esses íntimos artefatos de humanos ancestrais foram comumente ignorados ou descartados durante muitas escavações arqueológicas anteriores, mas um cuidadoso estudo de materiais meticulosamente recuperados de fezes paleolíticas humanas diz muito sobre como eram as práticas dietéticas humanas da antiguidade, dado o seu incrivelmente elevado conteúdo de fibra – restos de plantas não digeridas – sugerindo fortemente que por mais de 99% de nossa existência como uma espécie distinta, o nosso trato gastrointestinal foi exposto às pressões seletivas impostas por uma dieta cheia de fibras à base de plantas integrais. Então durante milhões de anos, antes das primeiras ferramentas de pedra e de evidências de matança de animais, os nossos ancestrais comiam plantas.
Mas que tipo de plantas? Uma maneira pela qual se pode dizer quais animais são folívoros ou frugívoros naturais, o que significa comedores de folhas ou comedores de frutas, é mapear a área absortiva da mucosa do intestino versus o tamanho funcional do corpo. Os folívoros são aqueles feitos para comerem principalmente folhagem — folhas, enquanto os frugívoros estão melhor adaptados para comerem frutas. Os faunívoros comem a fauna, apenas outro nome para carnívoros. Se se mapear os animais dessa maneira eles encaixam em linhas distintas. E então, onde entram os humanos? Aqui está o nosso tamanho corporal funcional, e aqui está a nossa área de absorção. Então por mais que seja importante comer as nossas verduras, parece que o estado natural dietético da raça humana é primariamente o de um comedor de frutas.
Porque importa o quanto de fibra costumávamos comer? Bom, uma teoria para o aumento nas taxas de obesidade nas populações ocidentais é que os mecanismos do corpo para se controlar o apetite evoluíram com relação à quantidade de plantas que costumávamos comer. Os nossos ancestrais comiam tantos alimentos vegetais que consumiam cerca de 100 gramas de fibra por dia, então durante milhões de anos, comida era igual a fibra. Então nenhuma surpresa que um dos mecanismos fisiológicos que o nosso corpo desenvolveu para suprimir o nosso apetite envolvia essa fibra. Por exemplo, a fibra é metabolizada pela nossa flora intestinal, gerando ácidos gordos de cadeia curta, os quais se acoplam e ativam receptores na superfície das nossas células que alteram o nosso metabolismo, por exemplo, ativando receptores em células de gordura, para aumentar a expressão da hormona de redução de peso chamada leptina. Outras hormonas também são afetadas.
Até há pouco tempo, comida significava fibra, um aumento no consumo de comida significava um aumento no consumo de fibra, o que deixava as nossas bactérias intestinais tão felizes que produziam montes de ácidos gordos de cadeia curta, ativando os receptores na membrana celular, libertando um monte de hormonas que faziam com que perdêssemos o nosso apetite e diminuindo a nossa fome, e então comíamos menos. Mas se comemos menos há menos fibra no nosso intestino, então menos dessas hormonas são libertadas, o que aumenta nosso apetite, ficamos com fome e queremos comer. Mas e se comida não significa fibra, como numa típica dieta estadounidense? Aí, continuamos a receber esses sinais para comer, comer, comer. Estamos sempre com fome. Se não comemos as nossas 100 gramas de fibra diária o nosso corpo pode ficar a pensar: Quê, estamos a passar fome? A descoberta deste mecanismo deixa as indústrias de alimentos e farmacêutica muito animadas. Elas percebem que agora podem inventar novas drogas para combater essa epidemia de obesidade. Ou poderíamos simplesmente comer como a natureza pretendia. Nutrição em Factos, o mais recente em pesquisa de nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a James St. John e Linda Spashett via Flickr, Eleifert via Wikimedia Commons, and Pixel-mixer and cegoh via Pixabay..

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