Ómega-3 e a Fábula do Peixe dos Esquimós

O conceito de que a doença cardíaca era rara entre os Esquimós parece ser apenas um mito.

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Notas do Dr. Michael Greger

Como é isso de não haver benefício do consumo de óleo de peixe na doença cardíaca? Vejam o meu vídeo O Óleo de Peixe é apenas Banha da Cobra? (Legendado em Português). E quanto ao consumo de óleo de peixe e desordens do humor? Vejam Consumo de Peixe e Suicídio (Legendado em Português). O consumo de ácidos gordos ómega 3 de cadeia longa (EPA and DHA) poderão ser úteis na formação e manutenção da saúde cerebral, apesar de (uma série de vídeos a caminho), haver um conflito entre Mercúrio versus Ómega-3 para o Desenvolvimento Cerebral quando proveniente de peixe ou do óleo de peixe, graças ao quão poluídos se têm tornado os nossos oceanos (até em óleo de peixe “destilado”, vejam Óleo de Peixe em Águas Turbulentas). Os poluentes marinhos poderão explicar a relação entre Peixe e Diabetes (em inglês, ou leiam este artigo do blogue já em Português Porque é que Comer Peixe Pode Aumentar o Risco de Diabetes) e ELA (Doença de Lou Gehrig): Procurando Respostas (Legendado em Português). Agradecidamente, existem agora fontes livres de poluentes (derivadas de levedura e microalgas).

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Omega-3’s and the Eskimo Fish Tale e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas
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Ómega-3 e a Fábula do Peixe dos Esquimós

A revelação de que o óleo de peixe parece ser inútil na prevenção de doença cardíaca, como revi anteriormente, tanto em pacientes cardíacos como naqueles que tentam prevenir a doença cardíaca em primeiro lugar, leva-nos a perguntar como é que toda esta fábula do peixe começou? Bem, a mitologia comum é que em resposta a relatos anedóticos de uma baixa prevalência de doença coronária entre os Esquimós, os pesquisadores dinamarqueses Bang e Dyerberg foram até lá e confirmaram uma incidência muito baixa de ataque cardíaco. Agora, a ausência de doença arterial coronariana seria estranho numa dieta baseada em carne, quase nenhuma fruta ou vegetais – violando todos os princípios de uma nutrição saudável para o coração. Este paradoxo foi, então, atribuído a toda a banha de foca e de baleia que comiam, a qual é extremamente rica em gordura de peixe com ómega 3, E o resto é história. O problema é que… não é verdade. O facto é que nunca analisaram a situação cardiovascular dos Esquimós. Eles simplesmente aceitaram, pela primeira aparência, esta noção de que a aterosclerose coronária é quase desconhecida entre os Esquimós, um conceito que tem sido refutado outra e outra vez, desde os anos 30. Na verdade, voltando mais de mil anos, temos múmias Esquimó congeladas com aterosclerose. Outra de há 500 anos atrás, uma mulher no seu início dos anos 40, aterosclerose na sua aorta e nas artérias coronárias. E estes não são apenas casos isolados. A totalidade de evidência de verdadeiras investigações clínicas, autópsias, técnicas de imagem, é que eles têm a mesma praga de doença da artéria coronária que as populações não-Esquimós têm, e, na verdade, o dobro da taxa de acidente vascular cerebral fatal e não vivem vidas particularmente longas. Considerando-se o estado de saúde sombrio dos Esquimós, é notável que em vez de rotularem a sua dieta como perigosa para a saúde, eles simplesmente aceitaram e ecoaram o mito, tentando encontrar uma razão para explicar a falsa premissa. Uma saúde de tal modo sombria que a ocidentalização das suas dietas na verdade reduziu as suas taxas de doença isquémica do coração. Sabe-se que a dieta de alguém é ruim quando a introdução de Twinkies melhora a sua saúde. Então, porquê tantos pesquisadores até hoje, sem questionar, repetem o mesmo mito como papagaios? Publicações ainda referindo-se a estudos nutricionais de Bang e Dyerberg como sendo prova de que os Esquimós têm baixa prevalência de doença cardíaca representam ou má interpretação dos resultados originais ou um exemplo daquilo que é chamado de viés de confirmação, que é quando as pessoas escolhem o que convém ou inclinam-se para informações para confirmarem as suas noções pré-concebidas. Eles citam o grande cientista, Francis Bacon, “Preferimos acreditar naquilo que preferimos que seja verdade.” E assim obtemos, literalmente, milhares de artigos sobre os supostos benefícios dos ácidos gordos ómega-3, uma indústria de bilhões de dólares a venderem cápsulas de óleo de peixe, milhões de americanos que tomam essa coisa, tudo baseado… numa hipótese que era questionável desde o início. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / Traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET
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Imagens graças a born1945, via Flickr.

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