O Papel da Vitamina C no Tratamento de Cancro Terminal

O que podemos concluir quanto ao papel da vitamina C após 33 anos de ensaios envolvendo pelo menos 1600 pacientes?

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Notas do Dr. Michael Greger

Se perdeu os dois primeiros vídeos nesta série, para a saga completa, veja Vitamina C Intravenosa para Pacientes com Cancro Terminal (Legendado em Português) e Suplementos de Vitamina C para Pacientes com Cancro Terminal.

Discuto o enigma do que fazer quanto ao financiamento de pesquisa de tratamentos naturais não patenteáveis em Plantas como Propriedade Intelectual – Patentemente Errado?. Por um lado, queremos que as terapias sejam acessíveis, mas se ninguém lucrar com elas, quem vai financiar a necessária pesquisa?

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original The Role of Vitamin C in the Treatment of Terminal Cancer e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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O Papel da Vitamina C no Tratamento de Cancro Terminal

Estudos dos anos 1970 mostraram um extraordinário aumento de sobrevida em pacientes terminais de cancro, com vitamina C, uma terapia simples e relativamente pouco tóxica, não admira que tenha recebido tanta atenção, especialmente quando apresentada por um cientista de renome mundial, Linus Pauling. Mas estudos como este nos anos 1980 não encontraram quaisquer benefícios e então eles ficaram com a conclusão inevitável que os resultados positivos aparentes do estudo original, foram produto de viéses, em vez de eficácia do tratamento. Nos anos 1990, no entanto, uma alternativa veio à tona. A decepcionante pesquisa dos anos 1980 usou apenas vitamina C via oral, enquanto os aparentemente bem sucedidos experimentos dos anos 1970 também administraram vitamina C intravenosa e nós não percebemos, até os anos 1990, que a mesma dose, aplicada via IV, pode levar a níveis dramaticamente mais elevados na corrente sanguínea, comparadas com a dose via oral. Então, talvez grandes doses de vitamina C possam ajudar no cancro terminal, mas talvez apenas quando administrada de forma intravenosa. Relatos de casos animadores continuaram a ser publicados. Aqui, houve uma regressão, remissão e cura documentada em casos individuais de cancro renal avançado, cancro na bexiga, e linfoma. Mas essas são três histórias de sucesso no meio a quantas outras? Se foram três em cem casos, ou mesmo três em mil casos… muito bem, se o tratamento é suficientemente não tóxico, mas há evidência de que a vitamina C via IV seja amplamente usada no mundo da medicina alternativa, em 86% dos médicos inquiridos. Apenas estes 172 médicos sozinhos trataram um média de 10,000 pacientes por ano E se você perguntar aos fabricantes, eles estão a vender centenas de milhares de frascos dessa coisa nos E.U.A. Não são todos usados para cancro, mas pelo menos milhares de pacientes de cancro estão a ser presumidamente tratados todos os anos com vitamina C IV, tornando menos impressionante a publicação dos relatos de três casos notáveis. Então, independentemente do quão impressionantes esses casos tenham parecido, é possível que os cancros tenham simplesmente regredido espontaneamente por si mesmos e foi tudo apenas coincidência que isso tenha acontecido após lhes terem dado vitamina C. Para se saber com certeza é preciso pô-lo à prova. Até hoje, houve alguns pequenos estudos piloto, e os resultados até agora tem sido decepcionantes. A boa notícia é que mesmo doses insanas de vitamina C intravenosa parecem bastante seguras, mas falharam neste estudo de duas dúzias de pacientes em demonstrar atividade anti-cancro. Pequenos estudos similares foram publicados até o momento presente com resulados promissores, mas inconclusivos. O que nós sabemos é que o estado atual do tratamento de cancro é insatisfatório. As pessoas têm a percepção de que quimioterapia vai melhorar de forma significativa suas chances de cura, mas considere em conjunto toda a nossa quimioterapia matadora de cancros e a contribuição geral para a taxa de sobrevivência de 5 anos está na ordem dos 2%. Todos aqueles efeitos colaterais por 2.1%, com um custo de talvez $100,000 dólares por paciente, por ano. Então talvez valha a pena buscar mais terapias como vitamina C intravenosa. Contudo, a falta de recompensa financeira, uma vez que vitamina C não pode ser patenteada e vendida por $100,000 dólares, e a viés contra a medicina alternativa, podem dissuadir investigadores convencionais e agências de fomento em considerar seriamente essa abordagem. Então, décadas depois, o que podemos concluir? Após experimentos que incluíram no mínimo 1,600 pacientes, ao longo de 33 anos, nós temos que concluir… que ainda não sabemos se vitamina C possui atividade clínica anti-tumoral significativa. Embora não haja atualmente qualquer evidência definitiva de benefício, os experimentos controlados e randomizados da Mayo Clinic não negaram o potencial benefício, baseados no que sabemos hoje sobre a via de administração oral comparada com Intravenosa. Então, estamos como que de volta à estaca zero, funciona ou não funciona? Existem visões bastante polarizadas em ambos os lados, mas estão todos a trabalhar com os mesmos dados incompletos. O que precisamos são experimentos clínicos cuidadosos e controlados. A questão é: O que fazemos até lá? Se fosse completamente não tóxico, então alguém poderia argumentar: o que temos a perder? Mas não é; é apenas relativamente não tóxico. Por exemplo, houve casos raros, mas sérios, de danos renais reportados. No fim das contas, se é tão seguro, por que nossos corpos evoluíram para controlar tão rigorosamente contra absorção excessiva? Também pode ser caro e demorado. Cada infusão pode custar cem ou duzentos dólares do bolso do paciente, uma vez que o seguro não cobre esse tratamento, o que poderia representar uma expansão impressionante para médicos alternativos. Cerca de 90% das milhões de doses de vitamina C utilizadas são vendidas por organizações comerciais, então há pressão financeira a empurrar em ambas as direções, a favor e contra esse tratamento. Considerando a relativa segurança e custo, no entanto, se estudos controlados encontrassem mesmo um pequeno benefício, já valeria a pena. E se não, tudo bem, sem problema, a questão da vitamina C pode ser descartada de uma vez por todas. Mas em tratamento de cancro não temos o luxo de abandonar tratamentos possivelmente eficazes e relativamente não tóxicos. Deveríamos revisitar possibilidades promissoras, sem preconceito e com as mentes abertas. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET
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Imagens graças a Wendy, via Flickr.

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