A Insulina Bovina no Leite Pode Desencadear Diabetes Tipo 1?

Será a caseína ou a insulina da vaca aquilo que explica a ligação entre consumo de leite e o desenvolvimento de diabetes tipo 1?

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Notas do Dr. Michael Greger

Se perdeu a prequela a este vídeo, veja A Exposição a Caseína no Leite Desencadeia Diabetes Tipo 1?

Mais no que diz respeito a exposição a leite de vaca na infância e juventude:

Então Qual a Melhor Fórmula para Bebé? Leite Materno!

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Fontes citadas

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Será que a Insulina Bovina no leite Desencadeia Diabetes Tipo 1?

A estreita correlação entre países entre a incidência de diabetes tipo 2 em crianças e o consumo de leite de vaca, não vale para a Islândia. Então encontra-se estudos como este. O consumo de leite de vaca em crianças e adolescentes foi correlacionada com a incidência de diabetes de tipo 1, mas apenas quando excluídos os dados dos islandeses. Trata-se apenas da genética? Talvez sim e talvez não.
O povo da Islândia é geneticamente semelhante a outros países nórdicos, mas as suas vacas não são. O gado islands foi isolado de cruzamentos com outras raças de gado há mais de 1.000 anos. Vejam, há dois tipos principais de proteína de caseína, A1 e A2, e o gado islandês é incomum, pois produz na maior parte leite A2. E isso pode explicar a menor incidência de diabetes tipo 1 na Islândia.
Vejam, a caseína A1 divide-se em casomorfina enquanto que a caseína A2 não. E a casomorfina tem propriedades opióides que podem alterar a função imunológica, talvez aumentando a susceptibilidade a infecções que podem elas mesmo desencadear diabetes tipo 1. E esse é o tipo de leite que se obtém com vacas Holstein, aquelas com o padrão preto e branco clássico, que compõe cerca de 95% das manadas leiteiras dos Estados Unidos e grande parte das manadas leiteiras globais. Chegou-se a um ponto em que começaram a tirar patentes sobre métodos para a seleção de leite não diabetogénico, para se evitar o desencadeamento de diabetes do tipo 1. Isso certamente fez restaurar a forte relação linear entre o consumo de leite e diabetes tipo 1, se apenas se olhasse para o consumo de caseína A1.
Mas esses chamados estudos ecológicos, ou estudos de país a país realmente só servem para sugerir possibilidades que, em seguida, precisam ser postas à prova. Assim, estudos como este foram projetados onde centenas de irmãos de diabéticos tipo 1 foram seguidos por cerca de 10 anos, e aqueles que bebiam muito leite tinham cerca de 5 vezes o risco de também terem a doença. Em meados dos anos 90, mais de uma dúzia destes estudos tinham sido feitos, e em geral descobriram que a exposição prematura ao leite de vaca parece aumentar o risco de diabetes tipo 1 em cerca de 50%. Foi suficiente para a Academia Americana de Pediatria, que decidiu que a proteína do leite de vaca pode realmente ser um fator importante no iniciar do processo que destrói as células produtoras de insulina. E assim, evitando a proteína do leite de vaca pode-se reduzir ou retardar o aparecimento de diabetes do tipo 1.
Logo, uma outra razão para enfatizar que a amamentação é o melhor. E para aqueles em situação de risco, incentiva-se fortemente evitarem-se produtos que contenham proteínas do leite de vaca intacta, em oposição a fórmula hidrolisada, em que as proteínas do leite são divididas em pequenos pedaços, o que é usado por crianças com alergias a laticínios, ou poderia potencialmente torná-lo menos arriscado, mas não se sabe até que o coloquemos à prova.
Com base nos estudos populacionais e meta- análises de todos os estudos de anticorpos, que sugeriram que o leite de vaca pode servir como um desencadeador da diabetes do tipo 1, no ano seguinte, um estudo piloto foi iniciado para ver se os bebés de alto risco genético seriam menos propensos a desenvolver anticorpos que então atacam o seu próprio pâncreas se bebessem caseínas que fossem primeiramente divididas. E aqui está o estudo. A fórmula hidrolisada parecia reduzir o aparecimento de pelo menos um dos anticorpos auto-imunes, mas não de dois ou mais, o que é mais previsível para o desenvolvimento da doença. Mas isso foi o suficiente para os investigadores embarcarem no ambicioso estudo TRIGR, o Ensaio para Reduzir a Incidência de Diabetes Naqueles em Risco Genético, um teste multinacional, randomizado, prospectivo, envolvendo milhares de recém-nascidos randomizados em 15 países, com conclusão prevista em 2017. Mas em 2010 tivemos alguns dados preliminares sugerindo que pode ter ajudado, mas não chegou a atingir significância estatística, o que significa, basicamente, que houve mais do que uma 1 em 20 possibilidades de ter sido apenas um golpe de sorte, e de facto, quando os resultados finais de anticorpos auto-imunes foram publicados, a fórmula hidrolisada especial não pareceu ajudar de todo.
Agora eles limitaram-se a olhar para um grupo especial de crianças com risco genético elevado, com diabetes na família, ao passo que a grande maioria das crianças que têm diabetes tipo 1 não têm nenhum parente próximo afetado. Mas talvez o mais importante, como os próprios pesquisadores enfatizaram, o estudo deles não foi concebido para testar se o leite de vaca é ou não um gatilho para a doença, mas apenas o efeito que a fórmula de caseína hidrolisada possa ter. Talvez não seja a caseína. Talvez seja a insulina bovina Auto-anticorpos de insulina, anticorpos que nosso corpo produz para atacar a nossa própria insulina, muitas vezes aparece como o primeiro sinal em crianças pré-diabéticas.
Por o leite de vaca conter insulina bovina, insulina de vaca, pela mesma altura em que os outros pesquisadores olhavam para a caseína, esta equipa de investigação acompanhou o desenvolvimento de anticorpos vinculativos a insulina em crianças alimentadas com fórmula de leite de vaca. Eles encontraram significativamente mais anticorpos de insulina bovina no grupo da fórmula do leite de vaca em comparação com o grupo exclusivamente amamentado, que poderão ter sido expostos a apenas algumas proteínas de vaca através do leite materno da sua mãe, se a mãe bebeu a coisa. Além disso, os anticorpos bovinos reagiram de forma cruzada com a insulina humana, sendo potencialmente aquela causa do “apanhado em fogo-cruzado” o que desencadeia, pelo menos, alguns casos de diabetes do tipo 1, mas não se pode saber com certeza até que… – adivinhou: que seja colocado à prova.
O mesmo que o outro, um ensaio duplo cego randomizado, mas desta vez tentaram a fórmula de leite de uma vaca da qual a insulina bovina tinha sido removida. E, de facto, sem a exposição à insulina bovina, as crianças acumularam um número significativamente menor de anticorpos auto-imunes. Mas o que não sabemos ainda é se isso se traduzirá em menos casos de diabetes. Fiquem sintonizados. Nutrição em Factos o mais recente em pesquisa de nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.orgRecolher Transcrição

Imagem graças a Bradley Johnson via flickr and Jean-Alein via pixabay. As imagens foram modificadas.

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