Reação da Indústria da Carne às Novas Diretrizes sobre Cancro

Qual foi a resposta da indústria da carne às recomendações pelas instituições lideres de cancro para se parar de comer carne processada, como bacon, presunto, cachorros, salsichas e carnes frias?

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Notas do Dr. Michael Greger

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre Cancro (AIPC) da Organização Mundial de Saúde, a carne processada é agora um cancerígeno de classe 1, a mais alta classificação. Como é que ainda há escolas a alimentarem os nossos filhos com isso?

Quanto Cancro É Causado por Carnes Frias? (Legendado em Português) Clique no vídeo e descubra!

Algumas das trapaçarias da indústria da carne lembram-me das táticas da indústria do tabaco. Vejam, por exemplo, O Negócio Alimentar a Usar o Manual de Estratégias da Indústria do Tabaco e O Movimento da Alimentação Saudável: Força em Unidade.

Se está cético(a) quanto ao perigo do consumo excessivo de sódio, veja A Evidência de que o Sal Aumenta a Pressão Arterial e se ainda não se convenceu, veja Borrifando Dúvida: Tomando os Céticos do Sódio com uma Pitada de Sal (Legendado em Português) e Os Céticos do Sódio Tentam Agitar o Debate do Sal.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Meat Industry Reaction to New Cancer Guidelines e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas
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Reação da Indústria da Carne às Novas Diretrizes Sobre Cancro

Qual foi a resposta da indústria da carne a estas recomendações das maiores instituições de cancro para pararmos de comer carne processada, como bacon, presunto, cachorros-quentes, salsichas, e frios, agora considerados cancerígenos de classe 1. Eles reconhecem que as orientações internacionais mais recentes para prevenção do cancro agora pedem às pessoas para evitarem carnes processadas. É evidente que “tal declaração representa um perigo claro e presente para a indústria da carne”, lê-se numa resposta no jornal Meat Science [Ciência da Carne]. Carne processada, dizem eles, é uma necessidade social. Como poderia alguém viver sem mortadela? O desafio para a indústria da carne é encontrar uma forma de manter o consumo destes produtos de conveniência enquanto, de alguma forma, não prejudicando a saúde pública. Ainda não temos certeza quanto ao que é tão cancerígeno na carne processada, mas o palpite mais provável para explicar o efeito prejudicial das carnes processadas envolve compostos heme, juntamente com nitrosamina e a formação de radicais livres, resultando, em última instância, em danos cancerígenos ao DNA. Para reduzirem as nitrosaminas, eles poderiam remover os nitritos, algo que a indústria tem considerado há décadas, por causa dos efeitos tóxicos há muito conhecidos que eles causam. A indústria adiciona-os para manter a carne cor-de-rosa. Existem, evidentemente, outros aditivos corantes disponíveis. No entanto, vai ser difícil conseguir que a indústria mude, tendo em vista os efeitos positivos destas substâncias como conservantes, e o sabor e a cor vermelha desejáveis gerados por esses ingredientes. Ninguém quer ovos ou presuntos verdes. É como a redução de sal em produtos de carne. Eles gostariam de fazer isso, mas uma das maiores barreiras a substituição de sal na indústria de carne é o custo, já que o sal é um dos ingredientes mais baratos disponíveis. Agora há um número de intensificadores de sabor que eles podem injetar na carne que podem ajudar a compensar a redução de sal, mas alguns deixam um sabor amargo, então, eles também podem injetar uma substância química patenteada que bloqueia o sabor amargo que pode impedir o estímulo dos nervos do paladar ao mesmo tempo, a primeira do que se pode tornar uma linha de produtos que são fabricados devido à convergência da tecnologia alimentar e da biotecnologia. Ou podem sempre tentar adicionar outros materiais à carne. Pode-se adicionar fibras, ou amido resistente de feijões que têm efeitos protetores contra o cancro. Afinal, nos Estados Unidos, a fibra dietética está subconsumida pela maioria dos adultos, indicando que a fortificação de fibra em produtos de carne pode ter benefícios para a saúde – falhando em perceber, evidentemente, que os seus produtos são uma das razões pelas quais a dieta americana é tão pobre em fibra, em primeiro lugar. A indústria é totalmente a favor da reformulação dos seus produtos para causar menos cancro, mas, obviamente, qualquer otimização tem que alcançar um produto mais saudável sem afetar os aspectos hedónicos. É importante perceber que a qualidade nutricional e tecnológica na indústria da carne estão inversamente relacionadas. Uma melhoria em uma delas vai levar a uma deterioração na outra. Eles sabem que o consumo de banha de porco não é a melhor coisa do mundo, já que a doença cardíaca é nosso principal assassino, contudo, essas desvantagens estão em nítido contraste com as suas qualidades tecnológicas que as tornam indispensáveis na produção de produtos à base de carne. Caso contrário, simplesmente não se consegue a mesma consistência da banha. A gordura de porco simplesmente não fica dura o suficiente, e como resultado, uma mancha gordurosa, ao cortar ou fatiar, pode ser observada na superfície da faca, logo… Sim, menos doenças cardíacas, mas, tem que se pesar os prós e os contras. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a JD Hancock via Flickr.

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