Mulheres Grávidas ou a Amamentar Deviam Tomar DHA?

A suplementação maternal com ácidos gordos ómega 3 de cadeia longa DHA melhoram o desenvolvimento psicomotor, mental, visual ou físico em bebés?

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Notas do Dr. Michael Greger

Então não há um benefício claro e consistente, a curto ou longo prazo, para o desenvolvimento psicomotor, mental, visual ou físico com a suplementação de DHA em mulheres grávidas ou a amamentar. Mas talvez o DHA tenha falhado em ajudar as mulheres porque elas já tinham o suficiente, e talvez as mulheres com ingestão muito baixa de DHA beneficiassem? Descubra no meu próximo vídeo: As Mulheres Veganas Deviam Suplementar com DHA Durante a Gravidez?.

Vídeos anteriores sobre as preocupações com poluentes na cadeia alimentar aquática incluem:

Mais sobre óleo de peixe, especificamente, em:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Should Pregnant and Breastfeeding Women Take DHA? e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Mulheres grávidas ou a amamentar deveriam tomar DHA?

Uma das razões pelas quais as crianças amamentadas com leite materno poderão ter melhor desenvolvimento cognitivo e visual deve-se ao facto do leite materno conter ácidos gordos poli-insaturados de cadeia longa, como o ómega 3 DHA, enquanto que a maioria das fórmulas infantis não o contém, com base em dados como este onde as crianças do grupo de controle que receberam fórmula sem DHA não tiveram resultados tão bons comparado com aquelas que receberam a fórmula fortificada com DHA. Nem comparado às crianças amamentadas com leite materno, consideradas a melhor referência possível. Mas isso foi o suficiente para convencer os fabricantes de fórmulas a começarem a adicionar DHA às fórmulas infantis desde 2002. A pergunta então passou a ser, quanto DHA acrescentar? Fácil, não? Basta acrescentar o quanto é encontrado naturalmente no leite materno. No entanto, o nível de DHA no leite materno é extremamente variável, dependendo daquilo que a mãe está a comer. Por exemplo, existem todas estas populações saudáveis que não comem frutos do mar, e têm níveis muito mais baixos nos seus leites e mesmo assim parecem dar-e bem, o que torna difícil determinar a quantidade ótima a adicionar à fórmula. Ou pela mesma razão, o que recomendar a mulheres grávidas e lactantes. O consenso é recomendar que as mulheres procurem consumir uma média de 200 mg por dia de DHA durante a gravidez. É claro que não é assim tão simples como encorajar mulheres a comer mais peixe, por causa de poluentes tóxicos como mercúrio encontrados na maioria dos peixes, como por exemplo o atum, em que os danos cerebrais causados ​ pelo mercúrio excederiam o benefício do DHA. E alguns poluentes como os PCBs ficam nos nossos organismos durante décadas e por isso não é suficiente comer limpinho apenas durante a gravidez. E quanto a óleo de peixe purificado? Os métodos usados pelos fabricantes de suplementos, como a destilação, deixam uma quantidade considerável de PCBs e outros poluentes nos produtos, de tal modo que, quando usado como indicado, os óleos de salmão, arenque e atum excederiam a toxicidade tolerável da dose diária. Felizmente, pode-se obter os benefícios sem correr os riscos obtendo DHA diretamente das algas, que é de onde os peixes a obtém, e assim, grávidas e lactantes podem cortar o “peixe-intermediário” e obter DHA diretamente da fonte: na base da cadeia alimentar onde não temos que nos preocupar com poluentes tóxicos. Mas até recentemente, pensávamos que toda a gente devia consumir estes ómega 3 de cadeia longa para o coração. Mas as evidências recentes mostram que os médicos não deveriam mais recomendar a ingestão de óleo de peixe ou o consumo de peixe apenas para prevenção de doença cardíaca coronária. Mas e quanto a mulheres grávidas e lactantes? O que diz a ciência mais recente? Juntando-se todos os resultados dos estudos, verifica-se que a adição de DHA na fórmula afinal não parece ajudar na função cognitiva infantil. Similar a outras compilações recentes de evidências que mostraram nenhum benefício significativo. Na verdade, pelo menos quatro metanálises ou revisões sistemáticas chegaram a uma conclusão similar. Estes testes foram baseados na sua maioria no modelo de medição padrão conhecido como Escalas Bayley para Desenvolvimento Infantil. Talvez se outros testes fossem usados, teríamos resultados diferentes? Mas até agora… não. Prescrever suplementos de DHA a mulheres durante a gravidez não pareceu ajudar em outros resultados como no limiar de atenção ou a memória de trabalho. Embora possa não haver nenhum benefício significativo para a capacidade cognitiva infantil, mas e então e outras coisas como a visão? Foram realizados seis estudos até hoje com suplementos para mulheres grávidas. Quatro não apresentaram nenhum efeito, e os dois que mostraram benefícios tiveram problemas. E portanto, ainda não sabemos até hoje Mas espere aí, se todos os estudos até agora mostraram ou nenhum ou algum benefício, Por que não simplesmente tomá-los, por cautela? Sim, nenhum benefício claro e consistente foi demonstrado, mas há novos estudos sobre isto a saírem a toda a hora. Se é inofensivo, talvez as mulheres devessem tomar por segurança. O problema é que talvez não seja inofensivo em grandes doses. Num estudo em que davam às mulheres uma dose colossal de 800 mg de DHA por dia durante a gravidez, as bebés meninas expostas à dose mais elevada de DHA no útero apresentaram níveis de linguagem mais baixos e eram mais propensas a ter um atraso no desenvolvimento da linguagem do que as meninas de mães do grupo de controle. Então, a ausência de efeitos positivos claros, juntamente com a possível presença de efeitos negativos nas crianças, levantaram a questão sobre o quanto a suplementação de DHA é justificável. Mas dado que foi utilizada uma dose muito grande, talvez possa haver um nível ótimo de DHA, abaixo ou acima do qual o DHA possa ser prejudicial para o desenvolvimento do cérebro. Então, talvez demasiado seja prejudicial. Mas e quanto a pouco demais? Falarei sobre isso a seguir. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a Ian Allenden via 123RF.

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