Será que a Fibra Previne Realmente a Diverticulose?

A parábola do mini para-quedas explica o estudo que não encontrou relação entre ingestão de fibra alimentar e diverticulose.

Notas do Dr. Michael Greger

Mas que raio é a parábola de que estou a falar? Vejam o brilhante Lifestyle Medicine and the Parable of the Tiny Parachute do Dr. Katz.

Isto é o seguimento do meu último vídeo Diverticulose: Quando a Nossa Doença Intestinal Mais Comum Quase Nem Existia (Legendado em Português). Não percas esta “prequela”.

Isto lembra-me de um vídeo antigo que fiz Flawed Study Interpretation.

As pessoas geralmente perguntam Os Vegetarianos Comem Proteína Suficiente? (Legendado em Português) mas talvez devessem estar mais preocupados com onde é que todos os outros vão buscar a sua fibra. 97% dos americanos nem chegam sequer a atingir a dose mínima diária recomendada.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do vídeo original e ele procurará responder-lhe!

– Dr. Michael Greger

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Fontes citadas

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Será que a fibra previne realmente a Diverticulose?

Um estudo saído da Universidade da Carolina do Norte não encontrou associação entre a ingestão de fibra alimentar e diverticulose ao comparar o grupo que comeu a maior quantidade, 25 gramas, três vezes o valor do grupo da menor ingestão de fibra. Eles concluíram que uma dieta pobre em fibras não está associada a diverticulose. A universidade enviou um comunicado à imprensa: “As dietas ricas em fibra não protegem contra diverticulose.” A imprensa pegou nele. “Estudo descobre dieta rica em fibras poderá não proteger contra a diverticulose.” Espalhou-se por todo o lado nos blogs de dieta Paleo e até revistas médicas: um artigo importante põe em causa a teoria da fibra no desenvolvimento de diverticulose. Outros editoriais, porém, apanharam a falha crítica. Para entender isto, vamos nos voltar para outra doença de deficiência alimentar, o escorbuto. Experiências médicas em prisioneiros na penitenciária de Iowa State mostraram que os sinais clínicos de início de escorbuto começam a aparecer em apenas 29 dias sem vitamina C. Experimentos em pacifistas durante a Segunda Guerra Mundial mostraram a mesma coisa, que são necessários cerca de 10 mg de vitamina C por dia para prevenir o escorbuto. Então, imaginem voltar-mos no tempo alguns séculos, quando eles ainda estavam a tentar perceber o escorbuto. O Dr. James Linde tinha esta teoria radical de que as frutas cítricas poderiam curar o escorbuto. E se um experimento fosse projetado para testar esta teoria maluca, em que seria dado aos marinheiros o sumo de, ou uma fatia de limão, ou três fatias de limão, por dia. Se um mês depois, no alto mar, não houvesse diferença nas taxas de escorbuto, poder-se-ia encontrar manchetes como esta. “Dietas ricas em citrinos não protegem contra escorbuto.” Os panfletos da imprensa estariam todos a divulgar o estudo que verificou que uma dieta baixa em vitamina C não está associada com o escorbuto. Vejam, uma fatia de limão só fornece cerca de 2 mg de vitamina C, e são necessárias 10 para prevenir o escorbuto. Então, eles teriam comparando 2mg por dia com três vezes isso, 7mg – uma dose deficiente em vitamina C versus outra dose deficiente em vitamina C. Não admira que não haveria nenhuma diferença nas taxas de escorbuto. Evoluímos a comer tantas plantas que provavelmente andamos numa média de 600 mg de vitamina C por dia. Isso é o que nossos corpos estão biologicamente habituados a receber. E quanto a fibra? Quanta fibra estamos acostumados a receber? Mais de cem gramas por dia. O grupo de maior consumo de fibra no estudo da Carolina do Norte apenas comia 25, o que é menos do que a dose diária mínima recomendada, que são cerca de 32 gramas. Eles nem sequer comiam o mínimo. Então, eles compararam uma dieta deficiente em fibras com outra dieta deficiente em fibras. Não admira que não houvesse diferença nas taxas de diverticulose. As populações africanas, onde não havia praticamente nenhum caso de diverticulose, comiam dietas que consistiam em parte de pratos cheios de vegetais folhosos, semelhante, talvez, ao que nós comíamos há alguns milhões de anos atrás. Eles estavam a comer dietas à base de plantas contendo de 70 a 90 gramas de fibra por dia. A maioria dos vegetarianos nem comem assim tantos alimentos vegetais integrais, embora alguns o façam. Pelo menos eles atingiram a marca do mínimo, e tiveram menos diverticulose por isso. Este foi um estudo relativamente pequeno, contudo. 35 anos depois, 47 mil pessoas foram estudadas, confirmando que o consumo de uma dieta vegetariana e um consumo elevado de fibra alimentar estavam ambos associados com um menor risco de morte e hospitalização por diverticulose. E eles tinham pessoas suficientes para provocá-lo. Em comparação com aqueles que comem uma única porção de carne por dia ou mais, aqueles que comiam menos de metade de uma dose aparentavam ter um risco 16% menor; piscitarianos – sem carne, exceto algum peixe – menor 23%, embora não estatisticamente significativo. Mas comer vegetariano foi: 35% menor risco. E aqueles que comiam estritamente à base de plantas pareciam ter 78% menor risco. Tal como acontece com todas as intervenções de estilo de vida, apenas funciona se você o fizer. Dietas ricas em fibra apenas funcionam se forem realmente ricas em fibra.Recolher Transcrição

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