ELA (Doença de Lou Gehrig): Procurando Respostas

A neurotoxina BMAA é encontrada em peixes e mariscos e nos cérebros de vítimas de Alzheimer e ELA. Será que alterações na alimentação poderão prevenir a Esclerose Lateral Amiotrófica?

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Notas do Dr. Michael Greger

Talvez o Desafio do Balde de Gelo devia ser sobre não servir peixe e marisco nos baldes. A história continua no meu próximo vídeo Alimentação e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) (Legendado em Português).

A alimentação poderá também desempenhar um papel em outras doenças neurodegenerativas:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do vídeo original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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ELA (ALS, Doença de Lou Gehrig) – À Procura de Respostas

A Doença de Lou Gehrig, conhecida como esclerose lateral amiotrófica ou ELA, ataca pessoas saudáveis, de meia idade, aparentemente de forma aleatória, e, das doenças neurodegenerativas, é a que tem a menor esperança de tratamento e sobrevivência. Embora as capacidades mentais permaneçam intactas, a ELA paralisa as pessoas, muitas vezes de fora para dentro, e a maioria dos pacientes morrem dentro de 3 anos quando já não podem respirar ou engolir. Estima-se que, 30.000 pessoas estão a lutar pela sua vida com ELA neste país (EUA). Cada um de nós tem uma chance de cerca 1 em 400 de desenvolver esta doença tão temida. Logo a ALS é mais comum do que geralmente se reconhece, uma taxa de incidência agora próxima daquela da esclerose múltipla. O que causa ELA? Bem, há 50 anos, os cientistas descobriram que a taxa de ELA entre os povos indígenas na ilha de Guam era 100 vezes a encontrada no resto do mundo, oferecendo uma pista potencial sobre a causa da doença. Então, ao invés de 1 em 400, em algumas aldeias em Guam 1 em cada 3 adultos morreram da doença. As árvores cicas eram suspeitas, uma vez que as sementes em pó eram um alimento típico dos nativos e houve relatos de gado exibindo doença neurológica após comerem delas. E, de facto, uma nova neurotoxina foi encontrada nas sementes, chamada BMAA. Talvez fosse isso o que estava a causar níveis tão elevados de ELA. Mas a quantidade de BMAA nas sementes que as pessoas comeram era tão pequena que foi calculado que as pessoas teriam que comer como que mil kg por dia para ingerirem uma dose tóxica, isso é uma tonelada de sementes por dia. E assim, toda a teoria das cicas foi abandonada e a pista ficou fria. Mas então, o famoso neurologista Oliver Sachs e o seu colega tiveram uma idéia. As sementes de cicas não eram tudo o que os nativos comiam. Eles também comiam morcegos frugívoros, cozidos em leite de coco, e adivinhem o que estas chamadas raposas voadoras comiam? Sementes das árvores cicas. Então talvez este seja um caso de biomagnificação na cadeia alimentar. Lembram-se de como teriam que comer a quantidade de BMAA numa tonelada de sementes para virem a ter problemas? Bem, adivinhem o quanto se acumula na carne das raposas voadoras: o equivalente a uma tonelada de sementes em BMAA. E os nativos também comiam outros animais que se alimentavam nas sementes. O último prego no caixão foi a detecção de níveis elevados de BMMA nos cérebros de todos os 6 nativos vítimas da doença selecionados para autópsia, mas não em cérebros de pessoas saudáveis que morreram, como controlo. Assim, com a última peça do quebra-cabeças aparentemente no lugar, a solução para este misterioso aglomerado, numa ilha tropical exótica, de… ALS / PDC, assim chamado porque a forma de ELA [ALS, inglês] que atacava as pessoas em Guam também apresentava sinais de doença de Parkinson e demência, então eles chamaram-lhe Complexo ELA Demência Parkinsonismo. Então, para ver no que dava, quando os pesquisadores estavam a escolher um grupo de comparação de cérebros de controlo, eles jogaram lá para dentro dois casos de doença de Alzheimer. E eles tinham BMAA nos seus cérebros também. Mas estes eram vítimas de Alzheimer no Canadá no lado oposto do globo! Então fizeram mais autópsias. Nenhuma BMAA nos cérebros de controlo, mas a BMAA foi detectada em todas as vítimas de Alzheimer canadenses testadas. Esperem um segundo. Os canadenses não comem morcegos frugívoros. Bem, a neurotoxina não é feita pelo morcego. Exacto, ela é feita pelas àrvores, mas os canadenses também não comem árvores cicas. A sua bandeira não se parece com isto. Descobriu-se que as árvores cicas também não fazem a neurotoxina. Uma alga azul-verde (cyanobacteria] que cresce nas raízes das árvores cicas faz o BMAA que vai para as sementes, que vai para os morcegos, que vai para as pessoas. E não é apenas este tipo de alga azul-esverdeada, mas quase todos os tipos de algas azuis-esverdeadas encontradas por todo o mundo produzem esta neurotoxina. Até há apenas cerca de uma década atrás, pensávamos que esta neurotoxina estava confinada a esta estranha árvore tropical, mas agora sabemos que a neurotoxina é criada por algas por todo o mundo, da Europa aos EUA, Austrália, Médio Oriente, em toda a parte. Então, se estas algas verde-azuladas produtoras de neurotoxinas são ubíquas por todo o mundo, talvez a BMAA seja uma causa de doenças neurodegenerativas progressivas, incluindo a ELA, em todo o mundo. Pesquisadores em Miami colocaram-no à prova. Talvez os canadenses fosse um acaso? Não. Os pesquisadores descobriram BMAA em cérebros em floridianos que morreram de doença de Alzheimer esporádica e esclerose lateral amiotrófica, mas não nos cérebros daqueles que morreram de uma doença neurodegenerativa diferente chamada doença de Huntington, que sabemos é causada por uma mutação genética, e não uma neurotoxina. Níveis significativos de BMAA em 49 de 50 amostras de 12 doentes de Alzheimer e 13 pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica. Os resultados de americanos com Doença de Alzheimer e pacientes com ELA no Atlântico Sudeste comparados com pacientes de Alzheimer canadenses do Noroeste do Pacífico sugerem que a exposição a BMAA pode ser generalizada. O mesmo foi depois encontrado nos cérebros daqueles que morriam de doença de Parkinson. E até se pode encontrar mais BMAA no cabelo de pacientes vivos com Esclerose Lateral Amiotrófica em comparação com controlos. Então, será a BMAA, esta neurotoxina, encontrada em peixes e mariscos da Florida? Em toda a parte: em peixes, moluscos e crustáceos de água doce, como ostras e robalo, e fora na baía. Na verdade, alguns dos peixes, camarões, e caranguejos tinham níveis de BMAA comparáveis ​​aos encontrados nos morcegos frugívoros em Guam. Nos EUA, os peixes podem ser os morcegos frugívoros. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição.

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