Disbiose Intestinal – Matando o Nosso Eu Microbiano de Fome

Consumo inadequado de prebióticos — a fibra e o amido resistente concentrados em alimentos vegetais não processados — pode causar um desequilíbrio promotor de doenças no nosso microbiome intestinal.

Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos vídeos aqui

Notas do Dr. Michael Greger

Esta é uma das razões pelas quais recomendo três porções diárias de leguminosas (feijão, ervilhas, lentilhas e grão de bico) na minha checklist dos Doze Diários.

A ligação com o microbiome pode explicar os resultados extraordinários neste estudo apresentado no meu último vídeo: Vale a Pena Mudar de Arroz Branco para Arroz Integral? (Legendado em Português)

Mais sobre o fruto musical:

Mais sobre a revolução da microbiome na medicina:

Mais sobre saúde intestinal em:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original Gut Dysbiosis: Starving Our Microbial Self e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

G N Costa, F C Marcelino-Guimarães, G T Vilas-Bôas, T Matsuo, L H Miglioranza. Potential fate of ingested Lactobacillus plantarum and its occurrence in human feces. Appl Environ Microbiol. 2014 Feb;80(3):1013-9.

P Ducrotté, P Sawant, V Jayanthi. Clinical trial: Lactobacillus plantarum 299v (DSM 9843) improves symptoms of irritable bowel syndrome. World J Gastroenterol. 2012 Aug 14;18(30):4012-8.

S Bengmark, M D Mesa, A Gil. Plant-derived health: the effects of turmeric and curcuminoids. Nutr Hosp. 2009 May-Jun;24(3):273-81.

J Ou, F Carbonero, E G Zoetendal, J P DeLany, M Wang, K Newton, H R Gaskins, S J O’Keefe. Diet, microbiota, and microbial metabolites in colon cancer risk in rural Africans and African Americans. Am J Clin Nutr. 2013 Jul;98(1):111-20.

S J O’Keefe, D Chung, N Mahmoud, A R Sepulveda, M Manafe, J Arch, H Adada, T van der Merwe. Why do African Americans get more colon cancer than Native Africans? J Nutr. 2007 Jan;137(1 Suppl):175S-182S.

A M Stephen, J H Cummings. The microbial contribution to human faecal mass. J Med Microbiol. 1980 Feb;13(1):45-56.

A W Walker, J Ince, S H Duncan, L M Webster, G Holtrop, X Ze, D Brown, M D Stares, P Scott, A Bergerat, P Louis, F McIntosh, A M Johnstone, G E Lobley, J Parkhill, H J Flint. Dominant and diet-responsive groups of bacteria within the human colonic microbiota. ISME J. 2011 Feb;5(2):220-30.

E D Sonnenburg, J L Sonnenburg. Starving our microbial self: the deleterious consequences of a diet deficient in microbiota-accessible carbohydrates. Cell Metab. 2014 Nov 4;20(5):779-86.

S Possemiers, S Bolca, W Verstraete, A Heyerick. The intestinal microbiome: a separate organ inside the body with the metabolic potential to influence the bioactivity of botanicals. Fitoterapia. 2011 Jan;82(1):53-66.

W M Fernando, J E Hill, G A Zello, R T Tyler, W J Dahl, A G Van Kessel. Diets supplemented with chickpea or its main oligosaccharide component raffinose modify faecal microbial composition in healthy adults. Benef Microbes. 2010 Jun;1(2):197-207.

P Louis, G L Hold, H J Flint. The gut microbiota, bacterial metabolites and colorectal cancer. Nat Rev Microbiol. 2014 Oct;12(10):661-72.

A Fechner, K Fenske, G Jahreis. Effects of legume kernel fibres and citrus fibre on putative risk factors for colorectal cancer: a randomised, double-blind, crossover human intervention trial. Nutr J. 2013 Jul 16;12:101.

J Tan, C McKenzie, M Potamitis, A N Thorburn, C R Mackay, L Macia. The role of short-chain fatty acids in health and disease. Adv Immunol. 2014;121:91-119.

N J Kellow, M T Coughlan, C M Reid. Metabolic benefits of dietary prebiotics in human subjects: a systematic review of randomised controlled trials. Br J Nutr. 2014 Apr 14;111(7):1147-61.

V K Ilyin. Microbiological status of cosmonauts during orbital spaceflights on Salyut and Mir orbital stations. Acta Astronaut. 2005 May-Jun;56(9-12):839-50.

Recolher Fontes

Desenrole a Transcrição aqui

Disbiose Intestinal – Matando o Nosso Eu Microbiano de Fome

Durante muitos anos acreditou-se que a principal função do intestino grosso era apenas absorver água e descartar resíduos, mas hoje em dia, é evidente que o complexo ecossistema microbiano nos nossos intestinos devia ser considerado como um órgão separado dentro do corpo, e esse órgão funciona a MAC, Carboidratos Acessíveis à Microbiota. Por outras palavras, principalmente fibra. Um dos motivos pelos quais se pode obter um aumento de quase duas gramas de fezes para cada grama de fibra, é que o processo de fermentação da fibra no nosso cólon promove o desenvolvimento bacteriano. A maior parte das nossas fezes em peso são puramente bactérias, triliões e triliões de bactérias, e isso era numa pobre dieta britânica, deficiente em fibra. As pessoas que tomam suplementos de fibras sabem disto — algumas colheres de fibra podem conduzir a uma evacuação maciça, porque a fibra é aquilo sobre o qual as nossas boas bactérias do intestino prosperam. Quando comemos um alimento vegetal integral como fruta, estamos a dizer à nossa flora intestinal para ser frutífera, e se multiplicar. E a partir da fibra, a nossa flora intestinal produz ácidos gordos de cadeia curta, que são uma importante fonte de energia para as células que revestem o nosso cólon. Então, alimentamos a nossa flora com fibras, e, em seguida, eles vem alimentar-nos de volta. Esses ácidos gordos de cadeia curta também funcionam para suprimir a inflamação e o cancro. É por isso que comer fibra pode ser tão bom para nós. Mas quando não comemos alimentos vegetais integrais suficientes, estamos de facto a matar de fome o nosso Eu microbiano. Em dietas tradicionais à base de plantas, como o Dr. Burkitt descreveu: montes de fibra, montes de ácidos gordos de cadeia curta, e muita proteção contra doenças ocidentais como cancro do cólon. Enquanto que numa dieta padrão americana, onde estamos a comer alimentos altamente processados, não sobra nada para a nossa flora intestinal. É tudo absorvido no intestino delgado antes de chegar lá abaixo ao cólon. Não só pode isto significar perda de metabólitos microbianos benéficos, mas também uma perda nos próprios micróbios benéficos. O maior problema apresentado por uma dieta ocidental é que não deixar nada para as nossas bactérias comerem resulta em disbiose, um desequilíbrio onde as bactérias ruins podem tomar conta e aumentar a nossa susceptibilidade a doenças inflamatórias ou cancro de cólon, ou talvez até mesmo síndrome metabólica ou diabetes tipo 2, ou doença cardiovascular. É como quando os astronautas retornam de voos espaciais tendo perdido a maior parte das suas boas bactérias por não terem acesso a alimentos verdadeiros. Bem, demasiados de nós estão a levar um “estilo de vida tipo astronauta” ao não comerem frutas e vegetais frescos. Por exemplo, os astronautas perderam quase 100% do seu Lactobacillus plantarum, que é uma das boas bactérias. Mas a maioria dos americanos não têm nenhumas para começar, embora aqueles que comem mais à base de plantas estão certamente a sair-se melhor. Use-o ou perca-o. Se se alimentar às pessoas amido resistente, um tipo de fibra encontrada em feijão, em alguns dias as bactérias que se alimentam de amido resistente disparam, e depois morrem de novo quando se pára de o comer. Comer apenas uma meia lata de grão de bico todos os dias podem modular a composição microbiana intestinal para promover a saúde intestinal, aumentando bactérias potencialmente boas e diminuindo as bactérias patogénicas e de putrefação. Infelizmente a maioria dos americanos não come feijão todos os dias, ou cereais integrais, ou suficiente fruta e vegetais, assim a flora intestinal, a microbiota intestinal de uma pessoa aparentemente saudável pode não ser o equivalente a uma flora intestinal saudável. É possível que a microbiota Ocidental seja mesmo disbiótica em primeiro lugar, simplesmente porque estamos a comer tais dietas deficientes em fibra em comparação com populações que poderão comer cinco vezes mais fibra e acabar com tipo 50 vezes menos cancro de cólon. Nutrição em Factos a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
Recolher Transcrição

Imagem graças a Hey Paul Studios via Flickr

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *