A Palatabilidade da Prevenção do Cancro

As diretrizes dietéticas são frequentemente condescendentes ao recomendarem aquilo que consideram aceitável ou alcançável em vês daquilo que o balanço da melhor evidência disponível sugere.

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Notas do Dr. Michael Greger

Quanto Cancro é Causado por Carnes Frias? (Legendado em Português) Boa questão — vejam o vídeo!

Poderá mesmo até apenas o cortar no consumo de carne estender o nosso tempo de vida? Descubra em Os Semi-vegetarianos Vivem Mais Tempo?.

Penso que o papel das autoridades de saúde é partilhar com os pacientes os prós e os contras de todas as opções e deixarem os pacientes, as suas famílias, e os seus médicos, todos decidirem juntos o que é melhor para eles. Por exemplo, vejam isto:

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original The Palatability of Cancer Prevention e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas
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A Palatabilidade da Prevenção do Cancro

O mais extenso relatório sobre dieta e cancro da história é constantemente atualizado com as pesquisas mais recentes. Na sua atualização sobre cancro colorretal, alguns anos atrás, eles relacionaram várias carnes, incluindo carnes processadas, como sendo uma causa convincente de cancro colorretal, o seu nível mais elevado de evidência, confirmadas como cancerígenos pela Organização Mundial de Saúde mais recentemente. “Efetivamente” significa para além de qualquer dúvida razoável. A principal mensagem foi que a melhor prevenção contra cancro colorretal é a combinação de elevada atividade física com uma dieta rica em fibras e pobre em carnes. Uma diminuição da quantidade equivalente a meia sanduíche de peru pode reduzir o número total de casos de cancro colorretais em aproximadamente 20%. Há várias consequências desta atualização das diretrizes sobre este tipo de cancro, mas esta reportagem na publicação da indústria, Meat Science [Ciência da Carne], decidiu focar o lado da história do consumidor, uma vez que, aos seus olhos, todos os consumidores são pacientes e vice-versa em algum ponto no futuro, mas as doenças crónicas não precisam ser uma consequência invariável do envelhecimento. Embora as evidências sobre a relação entre risco de cancro colorretal (pelo menos) e o consumo de carnes processadas não possam ser negadas, eles sugeriram a realização de mais pesquisas. Por exemplo, vamos comparar o risco do consumo de carnes com outras atividadesde risco: álcool, ausência de atividade física, obesidade, fumar… Comparado com cancro de pulmão e fumar, talvez as carnes não pareçam tão más. Mas os consumidores provavelmente nem ouvirão falar das diretrizes de prevenção de cancro. Os consumidores, hoje em dia, estão sobrecarregados com informação. Por isso é provável que a disseminação dessa atualização sobre cancro colorretal desapareça na nuvem de informações. E mesmo que os consumidores a vejam, a indústria da carne acredita que eles não vão prestar atenção. Para os consumidores no mundo ocidental, o papel da saúde, embora considerado importante, não é comparável com a satisfação gustatória na formação da decisão final sobre o consumo de carnes e derivados de carnes. É por isso questionável que a revisão das recomendações, baseada nos efeitos cancerígenos do consumo de carne, gere mudanças substanciais no comportamento dos consumidores. E os médicos e profissionais de nutrição alimentam essa atitude paternalista de que as pessoas não se importam o suficiente com a sua saúde para mudarem. Esta artigo clássico de uma revista importante de nutrição troçou da ideia de que as pessoas nunca mudariam para uma “dieta prudente”, reduzindo seu consumo de proteína e gordura animal, não importa quanto cancro fosse prevenido com isso. As chances de reduzir o consumo de gordura, proteína ou na verdade qualquer comida, de maneira significativa, para evitar cancro do cólon, são virtualmente nulas. Considere as doenças cardíacas. Sabemos que podemos prevenir e tratar doenças cardíacas com o mesmo tipo de dieta, mas o público não o quer fazer. “A dieta” dizem eles, “vai perder muito de sua palatabilidade”. A espantosa palatabilidade do presunto, por outras palavras, tem muito mais peso que outras considerações. Embora a saúde e o bem estar sejam fatores cada vez mais importantes nas decisões dos consumidores. Este artigo de 1998 na revista Meat Science temeu que a menos que o consumo de carnes se torne compatível com uma dieta que é saudável e promotora de bem estar, ele será reduzido a um papel menor na dieta de países desenvolvidos na próxima década. A sua premonição não foi realmente cumprida. Aqui está o consumo de carne por pessoa ao longo dos últimos 30 anos: aumentando, aumentando. 1998 foi quando o artigo da Meat Science foi publicado, preocupados com o consumo de carne na próxima década, o qual aumentou ainda mais, mas aí pareceu começar a nivelar… antes de começar a cair do precipício. O consumo de carne diminuiu cerca de 10% nos últimos anos. Milhões de estadounidenses estão a reduzir o seu consumo de carne. Então não me digam que as pessoas não estão dispostas a mudarem as suas dietas. Contudo continuamos a receber recomendações dietéticas diluídas porque as autoridade estão a perguntar-se: que mudanças dietéticas podiam ser aceites pelo público, em vez de simplesmente nos dizerem o que a melhor ciência disponível diz. e nos deixarem tomar as nossas decisões quanto ao risco de cancro que queremos quando nos alimentamos e alimentamos as nossas famílias. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagens graças a MarkusHendrich via Pixabay.

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