Dieta Mediterrânica e Aterosclerose

Que acontece dentro das artérias que vão para os corações e cérebros daqueles que adicionam nozes ou azeite virgem à sua dieta?

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Notas do Dr. Michael Greger

Falo de Ornish frequentemente na minha mais recente revisão anual Alimentação como Medicina: Prevenção e Tratamento das Doenças Mais Temidas com Dieta (Legendado em Português), onde abordo diretamente a acusação de que as dietas baseadas em plantas são marcadas por uma pobre conformidade na prevenção e reversão da doença.

Para mais quanto ao famoso estudo PREDIMED e o corpo de evidência em torno das dietas mediterrânicas, tenho uma data de bons vídeos para si:

O que pode acontecer às artérias de alguém que escolhe uma dieta pobre em carboidratos? Não vai querer saber… mas se quiser, aqui tem: Dietas Pobres em Carboidratos e Fluxo Sanguíneo Coronário.

Aquilo que comemos não tem apenas um impacto na estrutura das nossas artérias a longo prazo (o espessamento e estreitamento descrito no vídeo), mas na função das artérias durante as horas de consumo. Para ver o que um pequeno-almoço pode ter feito às suas artérias, veja:

Note, contudo, que os benefícios de uma nutrição baseada em plantas podem ser minados por uma deficiência em vitamina B12 se não se incluir uma fonte regular confiável na nossa dieta. Veja Vitamina B12 é Necessária para a Função Arterial.

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários no link original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

A Sala-Vila, E S Romero-Mamani, R Gilabert, I Nunez, R de la Torre, D Corella, V Ruiz-Gutierrez, M C Lopez-Sabater, X Pinto, J Rekondo, M A Martinez-Gonzalez, R Estruch, E Ros. Changes in ultrasound-assessed carotid intima-media thickness and plaque with a Mediterranean diet: a substudy of the PREDIMED trial. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2014 Feb;34(2):439-45.

C Bosire, J Reedy, S M Krebs-Smith. Sources of Energy and Selected Nutrient Intakes Among the US Population, 2005-06. NA.

Report of the Dietary Guidelines Advisory Committee on the DietaryGuidelines for Americans, 2010. USDA.

A Keys. Mediterranean diet and public health: personal reflections. Am J Clin Nutr. 1995 Jun;61(6 Suppl):1321S-1323S.

D H Blankenhorn, R L Johnson, W J Mack, H A el Zein, L I Vailas. The influence of diet on the appearance of new lesions in human coronary arteries. JAMA. 1990 Mar 23-30;263(12):1646-52.

Mediterranean Diet for Primary Prevention of Cardiovascular Disease. N Engl J Med 2013; 369:672-677August 15, 2013.

R Estruch, E Ros, J Salas-Salvado, M I Covas, D Corella, F Aros, E Gomez-Gracia, V Ruiz-Gutierrez, M Fiol J Lapetra, R M Lamuela-Raventos, L Serra-Majem, X Pinto, J Basora, M A Munoz, J V Sorli, J A Martinez, M A Martinez-Gonzalez, PREDIMED Study Investigators. Primary prevention of cardiovascular disease with a Mediterranean diet. N Engl J Med. 2013 Apr 4;368(14):1279-90.

Mediterranean Diet for Primary Prevention of Cardiovascular Disease. N Engl J Med 2013; 369:672-677August 15, 2013.

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Dieta Mediterrânica e Aterosclerose

O coração de uma dieta mediterrânica tradicional é principalmente vegetariano, muito mais baixa em carne e produtos lácteos, e usa frutas à sobremesa, logo, não é surpresa que aqueles que comem dessa forma tinham taxas de doença cardíaca muito baixas em comparação com aqueles que comiam dietas ocidentais padrão. Este estudo de referência, porém, tem sido citado para se sugerir que todos os tipos de gordura, animal ou vegetal, estavam associadas com o aparecimento de novas lesões ateroscleróticas nas nossas artérias coronárias que alimentam os nossos corações. Foram feitas angiografias em cerca de cem homens, repetindo-se 2 anos mais tarde procurando o desenvolvimento de lesões como esta, antes e depois, enquanto monitorizavam as suas dietas a cada ano. Apenas cerca de 1 em 20 dos que comiam dietas mais pobres em gordura tinham novas lesões, comparado com cerca de 8 em 20 em dietas mais tipicamente americanas – cerca de 33% ou mais em gordura. Quando viram mais em detalhe, contudo, apenas três tipos de gordura pareceram aumentar significativamente a probabilidade do aparecimento de novas lesões: láurico, oleico, e linoleico. O ácido láurico é uma gordura saturada encontrada no óleo de coco, e no óleo de palmiste, o qual é encontrado em junk food: chantilly, barras de guloseimas. Oleico, vem da palavra latina oleum para azeite, mas não era dai que estes homens estavam a obter o seu ácido oleico. As fontes principais para os americanos são, basicamente, bolo, frango e porco. E o linoleico vem principalmente de frango. Assim, o estudo realmente apenas mostrou que as pessoas que comiam montes de porcaria, frango, e carne de porco tendiam a fechar as suas artérias coronárias. Para ver se as principais fontes de gorduras vegetais, como o azeite ou nozes, ajudam ou fazem mal, idealmente faríamos um estudo randomizado de vários anos onde se pega em milhares de pessoas e põe-se um terço a comer nozes, um terço a comer mais azeite, e um terço essencialmente sem fazer nada, para ver quem se sai melhor. E foi exatamente isso o que se fez. O estudo PREDIMED pegou em milhares de pessoas com elevado risco de doença cardíaca em Espanha, que já vinham comendo próximo de uma dieta mediterrânica, e randomizaram-nos em três grupos durante um par de anos: um com azeite virgem extra adicionado, um com nozes adicionadas, e um terceiro grupo ao qual foi dito para reduzirem na gordura, mas não o fizeram, logo, basicamente, acabou sendo um grupo de controle sem alterações na dieta. O que aconteceu à quantidade de placa nas suas artérias ao longo do tempo? Enquanto que houve uma piora significativa do espessamento da artéria carótida e das placas no grupo de controle sem alterações na dieta, aqueles no grupo com nozes adicionadas mostraram uma reversão significativa no espessamento, e uma detenção da progressão da placa. Não houve mudanças significativas no grupo de azeite adicionado. Acredita-se que a riqueza da dieta mediterrânica à base de plantas em alimentos potencialmente benéficos, tais como frutas, legumes, feijões, nozes, cereais integrais e azeite, explique os seus efeitos cardioprotetores, embora estes resultados sugiram que as nozes são realmente uma fonte de gordura preferível ao azeite, e podem atrasar a progressão da aterosclerose, o percursor de futuros eventos cardiovasculares como acidente vascular cerebral. Adicionar nozes pareceu reduzir o risco de acidente vascular cerebral em metade. Note-se, contudo, que eles ainda estavam a ter derrames. Metade dos derrames, logo as nozes pareciam estar a ajudar, mas ainda estavam a comer uma dieta conducente a derrames e ataques cardíacos. Todos os três grupos tinham basicamente as mesmas taxas de ataque cardíaco, as mesmas taxas de mortalidade em geral. Foi isso o que o Dr. Ornish observou quando escreveu: nenhuma redução significativa das taxas de ataque cardíaco, morte por causas cardiovasculares, ou morte por qualquer causa, apenas aquela vantagem nos derrames. Mas hey, já é alguma coisa. A dieta mediterrânica é certamente melhor do que o que a maioria das pessoas está a consumir, mas ainda melhor poderá ser uma dieta baseada em alimentos vegetais integrais, a qual se mostrou reverter a doença cardíaca, não contribuir para ela. Os autores do estudo responderam que: não queriam depreciar o trabalho de Ornish, observando que as dietas à base de plantas e mediterrânica realmente partilham um grande número de alimentos em comum. Sim, a dieta de Ornish pode reverter a doença cardíaca, mas os defensores da dieta mediterrânica argumentam que o maior problema com a dieta de Ornish é que não é saborosa e por isso quase ninguém adere a ela. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET

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Imagem graças a Philippe Put via Flickr.

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