Dieta Maternal Pode Afetar a Resposta das Crianças ao Stresse

Uma única refeição pode afetar os níveis de testosterona e cortisol (hormona do stresse). Alguns alimentos ingeridos regularmente durante a gravidez podem até reprogramar as respostas das crianças ao stresse mais tarde na vida.

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Notas do Dr. Michael Greger

Querem mais maluquices da Men’s Health magazine [revista Saúde dos Homens]? Vejam o meu vídeo recente Alterando a Dieta de um Homem Após um Diagnóstico de Câncer de Próstata (Legendado em Português).

Aqui estão ouros vídeos populares sobre comer saudável durante a gravidez:

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Fontes citadas

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A Dieta Maternal Pode Afetar a Resposta das Crianças ao Stresse

Numa crítica à validade científica do aconselhamento dietético na revista Men’s Health [Saúde Masculina], descobriram aconselhamentos como este, alegando que a carne pode dar aos homens um impulso de testosterona, o qual sabemos há um quarto de século que uma refeição com assim tanta gordura faz cair os níveis de testosterona quase um terço… … em poucas horas. Na verdade, uma queda significativa de ambas testosterona livre e associada na corrente sanguínea, dentro de apenas uma hora de ter entrado na boca, enquanto que uma refeição de baixo teor de gordura principalmente de carboidratos não tem esse efeito.
Com base em estudos in vitro sobre os efeitos da gordura em células de testículo numa placa Petri, suspeitam que a gordura no sangue pode realmente suprimir a produção de testosterona em tempo real. Mas mesmo mantendo os níveis de gordura iguais, se se alimentar às pessoas montes de carne, peixe, aves e ovos, e depois trocá-las para uma dieta com a mesma quantidade de gordura, mas desta vez de pão, frutas, vegetais e lixo açucarado, todos os seus níveis de testosterona sobem, mas ainda mais importante, todos os seus níveis de cortisol descem. O cortisol é uma hormona de stresse produzida pelas nossas glândulas supra-renais. Ter baixos níveis de hormonas de stresse é uma coisa boa, porque elevados níveis de cortisol podem prever fortemente a morte cardiovascular em homens e mulheres com e sem doença cardiovascular preexistente. De facto, isto pode ajudar a explicar a “morte de um coração partido” o elevado risco de ataque cardíaco e AVC nas semanas imediatas após se perder um cônjuge. Os níveis mais elevados de cortisol, dias, meses, ou mesmo anos após se perder alguém que se ama podem aumentar o risco cardíaco, e reduzir a função imunológica. E irão notar que o aumento dos níveis de hormonas de stresse de se perder um cônjuge, um aumento de cerca de 50 pontos, é menor do que o aumento que se pode obter a comer uma dieta rica em carnes.
O cortisol também pode ajudar a explicar porque aqueles que estão deprimidos tendem a ganhar gordura abdominal. A razão da obesidade em torno do meio estar associada com a secreção elevada de cortisol poderá ser da gordura abdominal como que a absorvê-la, e assim o acúmulo de gordura em torno de nossos órgãos internos pode ser uma adaptação pela qual o nosso corpo lida com o excesso de stresse. Estes picos nos níveis da hormona do stresse de cada vez que comemos um monte de carne pode não apenas afetar a nossa saúde, mas a dos nossos filhos.
Evidência substancial sugere agora que dietas ricas em proteínas durante a gravidez têm efeitos adversos sobre o feto. Por exemplo, na década de 60, um experimento foi realizado em mulheres grávidas em Motherwell, na Escócia, no qual lhes disseram para comerem uma dieta rica em carne na esperança de prevenirem a pré-eclâmpsia, uma doença da gravidez. Não funcionou. Na verdade, as menores taxas de pré-eclâmpsia que alguma vez vi estavam entre mulheres que comem estritamente dietas à base de plantas — apenas 1 caso em 775 gravidezes. A pré-eclâmpsia normalmente ataca cerca de 5% das gestações, logo deveriam ter havido dezenas de casos, sugerindo que uma dieta à base de plantas pode aliviar a maioria se não todos os sinais e sintomas desta condição potencialmente grave. Mas o que aconteceu quando mulheres grávidas passaram de comer cerca de uma porção de carne por dia para tipo duas porções de carne todos os dias? Mães que comeram mais carne e menos vegetais durante a gravidez deram à luz a crianças que cresceram a terem pressões arteriais mais elevadas.
Uma explicação para os efeitos adversos do elevado consumo de carne e peixe é que este pode ter aumentado as concentrações de cortisol materno, que, por sua vez, afectaram o desenvolvimento do feto, redefinindo seu próprio termostato de hormona do stresse tipo para um nível superior. Mas não o podemos saber até que o coloquemos à prova. E, de facto, os pesquisadores descobriram níveis mais elevados de cortisol no sangue em ambos os filhos e filhas de mulheres que relataram maior consumo de carne e peixe, um aumento de cerca de 5% por cada porção diária de carne. Tais dietas podem apresentar um stresse metabólico para a mãe e tipo reprogramar o eixo adrenal dos seus filhos, levando a hipercortisolemia ao longo da vida, níveis elevados de hormonas do stresse no sangue. Isso pode ajudar a explicar por que cada porção diária de carne durante a fase final da gravidez pode levar a 1% de maior massa de gordura nos seus filhos pela altura em que alcançarem a adolescência. Então, isso podia aumentar o risco dos seus filhos se tornarem obesos mais tarde na vida, e por isso tem implicações importantes na saúde pública em termos de prevenção da obesidade.
Agora, se já tiverem nascido, poderemos conseguir fazer descer os níveis de hormona do stresse com mudanças alimentares semelhantes. Mas isto são apenas níveis de linha de base de hormona do stresse. As crianças de mães que comeram mais carne durante a gravidez também têm respostas exageradas às pressões da vida? Os investigadores colocaram-nos sob um desafio stressante, falar em público, aritmética mental, e mediram as suas respostas de cortisol. Se as suas mães comeram menos de duas porções de carne e peixe por dia, enquanto os carregavam na barriga, tinham pequenos disparos de hormonas do stresse pelas suas glândulas supra-renais. Mas aqueles cujas mães comeram mais, ficaram bem stressados, e aqueles cujas mães comeram mais que todos — 17 ou mais porções por semana, (isso é mais do que 2 porções de carne por dia) pareciam estar mesmo a bater os joelhos. Então, de certa maneira, você é o que a sua mãe comeu. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
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Imagem graças a milli_lu via Pixabay.

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