Dieta e Alterações Climáticas: Cozinhando uma Tempestade

Enquanto as epidemias de doenças crónicas são atualmente, de longe, as nossas principais causas de morte, o aquecimento global é considerado uma ameaça iminente à saúde pública. Como podemos comer de modo a combater as doenças alimentares e os gases de efeito de estufa ao mesmo tempo?

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Notas do Dr. Michael Greger

Existem toneladas de artigos sobre dieta e sustentabilidade. Alguém devia começar um SustainabilityFacts.org! É um tópico de tal importância que irei rever as novidades científicas a cada ano ou cada dois anos. Deixem-me saber nos comentários se gostariam de ter mais (ou menos!). Quando a USDA entrou nestas águas, a indústria alimentar pareceu passar-se dos carretos. E o debate das Orientações Dietéticas continua.

E quanto a simplesmente cortar-se na carne para benefícios de saúde? Vejam o meu vídeo Os Semi-Vegetarianos Vivem Mais Tempo?

Quais são as consequências para a saúde e segurança alimentar de se comprar biológicos? Vejam a minha série de 5 vídeos:

E quanto aos OGMs? Vejam:

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Fontes citadas

NA. Behavioural climate change mitigation options and their appropriate inclusion in quantitative longer-term policy scenarios. Deft, January 2012.

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Dieta e Alterações Climáticas: Cozinhando uma Tempestade

Uma das revistas médicas de maior prestígio no mundo publicou em editorial que as alterações climáticas representam a maior ameaça à saúde global do século 21. E atualmente, as doenças crónicas são, de longe, a principal causa de morte. Poderá haver uma maneira de combater os dois ao mesmo tempo? Por exemplo, andar de bicicleta em vez de conduzir é um triplo ganho, para as pessoas, o planeta e o bolso. Bom para nós, para o meio ambiente, e mais barato também. Existem situações vantajosas semelhantes no que respeita a dieta? Bem, os mesmos alimentos que criam a maioria dos gases de efeito estufa parecem ser os mesmos alimentos que estão a contribuir para muitas das nossas doenças crónicas. Carne, peixe, ovos e laticínios foram descobertos como tendo o maior impacto ambiental, enquanto que os cereais, feijões, frutas e legumes tinham o menor impacto. E não só os alimentos com o maior impacto ambiental tendem a ter qualidade nutricional mais baixa, mas também um preço mais elevado por quilo, alcançando, assim, aquele cenário de triplo ganho. A Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia, encomendou um estudo sobre o que os indivíduos podem fazer para ajudar o clima. Em termos de transportes, se os europeus começassem a usar carros elétricos, poderiam evitar tanto quanto 174 milhões de toneladas de carbono de serem libertadas. Também poderíamos desligar um pouco o termostato, talvez colocar um camisola. Mas a coisa mais poderosa que as pessoas poderiam fazer: mudar para uma dieta sem carne. Aquilo que comemos pode ter mais impacto no aquecimento global do que aquilo que dirigimos. Até apenas cortar na ingestão de proteína animal um dia por semana, podia ter um efeito poderoso. Então, até as segundas-feiras sem carne podem bater o trabalhar a partir de casa durante toda a semana sem pendular. E uma dieta estritamente à base de plantas pode ser ainda melhor, responsável por apenas cerca de metade das emissões de gases de efeito de estufa. Em geral, estudos têm sugerido que alterações alimentares moderadas não são suficientes para se reduzir os impactos do consumo de alimentos drasticamente. Mudanças para dietas mais saudáveis ​​sem reduções significativas da ingestão de carne e produtos lácteos poderá apenas resultar em reduções ligeiras dos impactos ambientais. Isso é porque a entrada de energia fóssil média para sistemas de produção de proteína animal é tipo 25 calorias de entrada de energia fóssil para cada caloria produzida, mais do que 11 vezes maior do que aquela para a produção de proteína de cereal, por exemplo, que está à volta de dois para um. Pesquisadores em Itália compararam sete dietas diferentes para verem qual delas era mais amigável ambientalmente. Eles compararam uma dieta convencional omnívora aderindo às diretrizes dietéticas com uma dieta omnívora biológica, com vegetariana convencional, com vegetariana biológica, com vegana convencional, com vegana biológica e com aquilo que a pessoa média realmente come. Para cada padrão dietético, eles olharam para substâncias cancerígenas, poluição do ar, alterações climáticas, efeitos sobre a camada de ozono, o ecossistema, a chuva ácida, e o uso de área terrestre, de minerais, e de combustíveis fósseis. E aqui está o que encontraram. Isto é quantos recursos foram necessários para se alimentar as pessoas nas suas dietas atuais. E isto são os efeitos negativos que a dieta está a ter sobre o ecossistema, e os efeitos adversos na saúde humana. Se eles estavam a comer uma dieta mais saudável, em conformidade com as recomendações dietéticas, o impacto ambiental seria significativamente menor. Uma dieta onívora biológica seria melhor, semelhante a uma dieta vegetariana de alimentos convencionais, batida por uma dieta vegetariana biológica, uma dieta vegana convencional e uma dieta vegana biológica. O relatório da Comissão descreveu as barreiras para a redução de produtos de origem animal como sendo em grande parte falta de conhecimento, hábitos enraizados e culturas culinárias. Medidas políticas propostas incluem impostos sobre a proteína de carne ou animal, campanhas educativas, e colocar a informação das emissões de efeito estufa diretamente nos rótulos dos alimentos. A mitigação das mudanças climáticas sai cara. Uma transição global mesmo apenas para uma dieta baixa em carne, como recomendado por motivos de saúde, poderia reduzir esses custos de mitigação. Uma dieta saudável pobre em carne iria cortar os custos de mitigação das alterações climáticas de cerca de 1% do PIB em mais de metade, uma dieta sem carne poderia cortar 2/3 do custo e uma dieta sem nenhuns produtos animais poderia cortar o custo em 80%. Mas muitos não estão cientes da vaca no quarto. Parece que muito poucas pessoas estão conscientes de que o sector da pecuária é um dos maiores contribuintes para as emissões de gases de efeito de estufa. Mas isso está a mudar. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido está a tomar uma posição de liderança na redução das emissões de carbono. Pacientes, visitantes e funcionários podem ansiar por menus saudáveis baixos em carbono, com muito menos carne, laticínios e ovos, pois a evidência mostra que, no que diz respeito ao clima, carne é calor. O Governo sueco alterou recentemente as suas recomendações dietéticas para incentivar os cidadãos a comerem menos carne. Mesmo que procuremos apenas atingir o objectivo conservador de evitar novos aumentos a longo prazo das emissões de gases com efeito de estufa com origem na pecuária, mesmo assim, somos conduzidos a recomendações radicais tais como reduzir os níveis atuais de consumo pela metade em países afluentes, um resultado improvável, se não houvessem recompensas diretas para os cidadãos por o fazerem. Felizmente, existem tais recompensas: benefícios de saúde importantes. Ao ajudar o planeta, podemos ajudar-nos a nós mesmos. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET

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