Consumo de Peixe e Suicídio

O teor de mercúrio em peixe pode ajudar a explicar conexões encontradas entre consumo de peixe e distúrbios mentais, depressão, e suicídio.

Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos vídeos aqui

Notas do Dr. Michael Greger

Isto lembra-me do meu vídeo O Óleo de Peixe é apenas Banha da Cobra? Tal como pensávamos que os suplementos de ómega 3 podiam ajudar com o humor, também pensávamos que pudesse ajudar com a saúde cardíaca, mas o balanço de evidências tem, decididamente, mudado. Eu ainda recomendo o consumo de fontes não poluídas de cadeias longas de ómega 3 pré-formadas para a saúde cognitiva — Tenho um molhe de vídeos a caminho que explicam o meu raciocínio.

Para mais sobre a natureza neurotóxica de frutos do mar contaminados com mercúrio, vejam:

O que é que podemos fazer para ajudar a levantar o nosso humor? Vejam:

E quanto a medicamentos antidepressivos? Por vezes eles podem ser absolutamente salva-vidas. Noutras vezes, eles podem fazer mais mal do que bem. Vejam o meu vídeo controverso Os Medicamentos Antidepressivos Funcionam Realmente?

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do vídeo original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

Fruit, vegetable, and antioxidant intakes are lower in older adults with depression. M E Payne, S E Steck, R R George, D C Steffens. J Acad Nutr Diet. 2012 Dec;112(12):2022-7.

Antioxidants as antidepressants: fact or fiction? G Scapagnini, S Davinelli, F Drago, A De Lorenzo, G Oriani. Antioxidants as antidepressants: fact or fiction? CNS Drugs. 2012 Jun 1;26(6):477-90.

The relationship between plasma carotenoids and depressive symptoms in older persons. Y Milaneschi, S Bandinelli, B W Pennix, A M Corsi, F Lauretani, R Vazzana, R D Semba, J M Guralnik, L Ferrucci. World J Biol Psychiatry. 2012 Dec;13(8):588-98.

A systematic review and meta-analysis of dietary patterns and depression in community-dwelling adults. J S Lai, S Hiles, A Bisquera, A J Hure, M McEvoy, J Attai. Am J Clin Nutr. 2014 Jan;99(1):181-97.

Dietary patterns and depressive symptoms among Japanese men and women. A Nanri, Y Kumura, Y Matsushita, M Ohta, M Sato, N Mishima, S Sasaki, T Mizoue. Eur J Clin Nutr. 2010 Aug;64(8):832-9.

Association of the Mediterranean dietary pattern with the incidence of depression: the Seguimiento Universidad de Navarra/University of Navarra follow-up (SUN) cohort. A Sanchez-Villegas, M Delgado-Rodriguez, A Alonso, J Schlatter, F Lahortiga, L Serra Majem, M A Martinez-Gonzalez. Arch Gen Psychiatry. 2009 Oct;66(10):1090-8.

A double-blind, randomized controlled clinical trial comparing eicosapentaenoic acid versus docosahexaenoic acid for depression. D Mischolon, A A Nierenberg, P J Schettler, B L Kinkead, K Fehling, M A Martinson, M Hyman Rapaport. J Clin Psychiatry. 2015 Jan;76(1):54-61.

Long chain n-3 fatty acids intake, fish consumption and suicide in a cohort of Japanese men and women–the Japan Public Health Center-based (JPHC) prospective study. K Poudel-Tandukar, A Nanri, M Iwasaki, T Mizoue, Y Matsushita, Y Takahashi, M Noda, M Inoue, S Tsugane, Japan Public Health Center-based Prospective Study Group. J Affect Disord. 2011 Mar;129(1-3):282-8.

Suicide mortality in relation to dietary intake of n-3 and n-6 polyunsaturated fatty acids and fish: equivocal findings from 3 large US cohort studies. A C Tsai, M Lucas, O I Okereke, E J O’Reilly, F Mirzaei, I Kawachi, A Ascherio, W C Willet. Am J Epidemiol. 2014 Jun 15;179(12):1458-66.

Long chain omega-3 fatty acids intake, fish consumption and mental disorders in the SUN cohort study. A Sanchez-Villegas, P Henriquez, A Figueiras, F Ortuno, F Lahortiga, M A Martinez-Gonzalez. Eur J Nutr. 2007 Sep;46(6):337-46.

Omega-3 fatty acids for the treatment of depression: systematic review and meta-analysis. M H Bloch, J Hannestad. Mol Psychiatry. 2012 Dec;17(12):1272-82.

Suicide mortality in the European Union. P Chishti, D H Stone, P Corcoran, E Williamson, E Petridou, EUROSAVE Working Group. Eur J Public Health. 2003 Jun;13(2):108-14.

Recolher Fontes

Desenrole a Transcrição aqui

Consumo de Peixe e Suicídio

A depressão é um transtorno mental grave e comum responsável pela maioria dos suicídios, mas tal como cobri anteriormente, o consumo de frutas, vegetais, e antioxidantes que ocorrem naturalmente, foi descoberto estar associado de modo protetor com a depressão, logo, concluíram eles, pode ser que seja possível prevenir a depressão ou diminuir os seus efeitos negativos através de intervenção dietética. Mas, espera ai! Isto foi um estudo transversal, ou seja, um instantâneo no tempo, logo, não se sabe se o padrão alimentar pobre precede o desenvolvimento de depressão ou… se a depressão leva a uma ingestão alimentar pobre. A depressão e até mesmo os tratamentos para depressão, podem afetar o apetite e ingestão alimentar. Talvez as pessoas que se sentem mal simplesmente comem mal, em vez do contrário. O que é preciso é de um estudo prospectivo, um estudo realizado ao longo do tempo, onde se pode começar com pessoas que não estão deprimidas e segui-las durante 6 anos e aqueles com maiores níveis de carotenóides na corrente sanguínea, o que é considerado um bom indicador do consumo de frutas e vegetais, foi associado com um risco 28% inferior de se tornar deprimido dentro desse período de tempo. Então, eles concluíram que ter baixos níveis sanguíneos desses fitonutrientes saudáveis ​​pode predizer o desenvolvimento de novos sintomas depressivos. Mas e quanto ao suicídio? No mundo inteiro, matam-se um milhão de pessoas a cada ano. Nesta comparação de países europeus, a Grécia teve as menores taxas de suicídio. Talvez seja o clima agradável, mas talvez tenha algo a ver com a dieta deles. 10.000 pessoas seguidas durante anos, e aqueles que seguiam uma dieta mais do padrão Mediterrânico eram menos propensos a serem diagnosticados com depressão. O que havia na dieta que era protetor? Não era do vinho tinto nem do peixe. Foram as frutas e nozes e uma efetivamente maior proporção de gordura vegetal sobre animal e feijões aquilo que apareceu protetor. E por outro lado, foram observadas tendências adversas significativas para laticínios e consumo de carne. Um padrão alimentar protetor semelhante foi encontrado no Japão, uma elevada ingestão de vegetais, frutas, cogumelos e produtos de soja foi associada com uma diminuição da ocorrência de sintomas depressivos. Não foi caracterizado por uma elevada ingestão de frutos do mar. 100.000 homens e mulheres japoneses foram acompanhados durante 10 anos, e eles não encontraram evidências de um papel protetor do maior consumo de peixe ou na longa cadeia de omega 3, EPA e DHA, contra o suicídio. Na verdade, eles encontraram um risco significativamente aumentado de suicídio entre abstémios do sexo masculino com elevada ingestão de omega 3 de frutos do mar. isto pode ter sido apenas fruto do acaso, mas um resultado semelhante foi encontrado no Mediterrâneo. Um elevado consumo de base juntamente com um aumento no consumo de peixe foram associados com um risco aumentado de perturbações mentais. Uma possível explicação poderia ser o teor de mercúrio nos peixes. Uma acumulação de compostos de mercúrio poderia aumentar o risco de depressão. Sabemos que o mercúrio em peixe pode causar danos neurológicos, tais como efeitos negativos sobre a doença de Alzheimer, perda de memória, autismo, assim como depressão, Assim, o risco aumentado de suicídio entre pessoas com um elevado consumo de peixe pode ser atribuído aos efeitos nocivos do mercúrio no peixe. As grandes coortes de Harvard encontraram resultados semelhantes, centenas de milhares seguidos por até 20 anos, e nenhuma evidência de que tomar óleo de peixe ou comer peixe diminuísse o risco de suicídio, com uma tendência para ainda maior mortalidade por suicídio. E então e quanto ao tratamento de depressão? Nem a EPA nem a DHA pareceram mais eficazes do que pílulas de açúcar, e o mesmo pode ser dito quando se junta todos os ensaios realizados até o momento. Nós costumávamos pensar que os suplementos de omega-3 eram úteis, mas vários estudos recentes têm inclinado a balança para o outro lado. Parece que quase toda a eficácia de tratamento observada na literatura publicada pode ser atribuível a parcialidade na publicação, ou seja, os ensaios que mostraram nenhum benefício tendiam a não ter publicados de todo e assim tudo o que se viu foi um molhe de estudos positivos, mas apenas porque um molhe dos negativos foram enterrados. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição.Recolher Transcrição

Imagens graças a Jared Keener.

[quickshare]

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *