O Mito da Combinação Proteica

O mito de que as proteínas vegetais são incompletas, necessitando de combinação proteica, foi desmascarado pela comunidade científica de nutrição há décadas atrás.

Se ainda não o fizeram, podem subscrever aos novos vídeos aqui

Notas do Dr. Michael Greger

Os Vegetarianos Obtém Proteína Suficiente? (Legendado em Português) é o vídeo no qual cubro a quantidade de proteína.

Proteína Vegetal [é] Preferível não apenas por os alimentos serem como pacotes de vários nutrientes mas por haver menos ativação enzimática (Restrição Calórica vs. Restrição de Proteína Animal), menos aminoácidos que contém enxofre (Guerras Intestinais: Sulfeto de Hidrogénio vs. Butirato) como a metionina (Restrição de Metionina como Estratégia de Extensão de Vida), menor capacidade de formação de ácido nos rins (Fonte Proteica: Um Teste de Acidez para a Função Renal), menos putrefação no cólon (Proteína em Putrefação e Enzimas Intoxicantes Legendado em Português) e sem resposta inflamatória (Que Tipo de Proteína é Melhor para os Nossos Rins? Legendado em Português). A proteína vegetal também não tem o mesmo efeito sobre a enzima de crescimento IGF-1 promotora de cancro da qual falei na secção sobre cancro da apresentação ao vivo Alimentação como Medicina (Legendado em Português).

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários do original The Protein Combining Myth e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

T A Davis, H V Nguyen, R Garcia-Bravo, M L Fiorotto, E M Jackson, D S Lewis, D R Lee, R J Reeds. Amino acid composition of human milk is not unique. J Nutr. 1994 Jul;124(7):1126-32.

T B Osborne, L B Mendel. Amino-acids in nutrition and growth. Abtlerhdden: Zeitschr. f. phvsiol. Chem., Ixxvii, p. 27, 1912.

P J Moughan, S M Rutherfurd, C A Montoya, L A Dave. Food-derived bioactive peptides–a new paradigm. Nutr Res Rev. 2014 Jun;27(1):16-20.

P J Moughan, S M Rutherfurd. Gut luminal endogenous protein: implications for the determination of ileal amino acid digestibility in humans. Br J Nutr. 2012 Aug;108 Suppl 2:S258-63.

P Sengupta. The Laboratory Rat: Relating Its Age With Human’s. Int J Prev Med. 2013 Jun;4(6):624-30.

V R Young, P L Pellett. Plant proteins in relation to human protein and amino acid nutrition. Am J Clin Nutr. 1994 May;59(5 Suppl):1203S-1212S.

J McDougall. Plant foods have a complete amino acid composition. Circulation. 2002 Jun 25;105(25):e197; author reply e197.

P B Ramarao, H W Norton, B C Johnson. THE AMINO ACIDS COMPOSITION AND NUTRITIVE VALUE OF PROTEINS. V. AMINO ACID REQUIREMENTS AS A PATTERN FOR PROTEIN EVALUATION. J Nutr. 1964 Jan;82:88-92.

H N Munro. CHAPTER 34 – Free Amino Acid Pools and Their Role in Regulation. Mammalian Protein Metabolism. 1970. 299–386.

N Rizzo, K Jaceldo-Siegl, J Sabate, G E Fraser. Nutrient Profiles of Vegetarian and Nonvegetarian Dietary Patterns. Journal of Academy of Nutrition and Dietetics. 2013 Dec;113(12):1610–1619.

Recolher Fontes

Desenrole a Transcrição aqui

O mito da combinação de proteína

Todos os nutrientes vêm do sol ou do solo. A vitamina D, a “vitamina do sol”, é criada quando a pele é exposta à luz solar. Tudo o mais vem do solo. Os minerais originam-se na terra, e as vitaminas, das plantas e micro-organismos que nela crescem. O cálcio do leite de vaca (e seu esqueleto de 90 kg) veio de todas as plantas que ela comeu, as quais extraíram-no do solo. Mas nós podemos tirar a vaca do meio do caminho, e obter o cálcio diretamente das plantas. E de onde se obtém a proteína? As proteínas contêm aminoácidos essenciais, ou seja, o nosso corpo não pode produzi-las e, portanto, é essencial que as obtenhamos na dieta. Mas outros animais também não as produzem. Todos os aminoácidos essenciais provêm de plantas (e micróbios), e todas as proteínas vegetais possuem todos os aminoácidos essenciais. A única proteína verdadeiramente “incompleta” na cadeia alimentar é a gelatina, na qual falta o aminoácido triptofano. Portanto, a única fonte de proteína da qual você não poderia viver é a gelatina. Como já mencionei anteriormente, as pessoas que seguem uma dieta à base de plantas ingerem uma média de duas vezes a necessidade diária média de proteína. Quem não sabe onde obter proteína numa dieta à base de plantas não conhece o feijão! Entendeu? Mas isso é em termos de quantidade de proteínas. E quanto à qualidade das proteínas? O conceito de que a proteína vegetal era inferior à proteína animal surgiu de estudos realizados em roedores mais de um século atrás. Os cientistas descobriram que os filhotes de rato não crescem tão bem com plantas. Mas os ratinhos também não crescem bem alimentados com leite materno humano. Então isso significa que não devemos amamentar os nossos bebés? Ridículo! Eles são ratos. O leite de rato tem dez vezes mais proteína que o leite humano, porque os ratos crescem aproximadamente dez vezes mais rápido que os bebés humanos. É verdade que algumas proteínas vegetais têm índices relativamente baixos de certos aminoácidos essenciais. Assim, há cerca de 40 anos atrás, o mito da “proteína combinada” entrou em voga – literalmente na edição de fevereiro de 1975 da revista Vogue. O conceito era de que precisávamos de comer “proteínas complementares” juntas, por exemplo, arroz e feijão, para compensar as suas carências relativas. Essa falácia foi refutada décadas atrás; o mito de que as proteínas vegetais são incompletas, que as proteínas vegetais não são tão boas e que é preciso combiná-las nas refeições. Tudo isso já foi refutado pela comunidade nutricional como mito décadas atrás, mas evidentemente muitos na medicina não receberam o memorando. O Dr. John McDougall chamou a atenção da American Heart Association para uma publicação em 2001, que questionava a completude das proteínas vegetais. Felizmente, eles mudaram e reconheceram agora que as proteínas vegetais podem fornecer todos os aminoácidos essenciais; não há necessidade de combinar proteínas complementares. Acontece que o nosso corpo não é estúpido. Ele mantém reservas de aminoácidos livres que podem ser usados para fazer toda a complementação por nós, sem mencionar o enorme programa de reciclagem de proteínas que nosso corpo possui. Cerca de 90 gramas de proteína são despejadas no trato digestivo todos os dias pelo nosso próprio corpo, para serem quebrados e reorganizados, logo, o nosso corpo pode misturar e combinar aminoácidos em quaisquer proporções que precisemos, independentemente do que comermos, o que torna praticamente impossível até mesmo criar uma dieta de alimentos vegetais integrais que tenha calorias suficientes mas seja deficiente em proteína. Assim, os consumidores de vegetais não precisam de se preocupar NEM UM POUCO com o desequilíbrio de aminoácidos das proteínas vegetais que compõem nossa dieta habitual. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português em Nutricao-em-Fatos.org
Recolher Transcrição

Imagem graças a Mark Pouley, Steven Zolneczko, e PSC1121-GO via Flickr.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *