Colesterol e Alzheimer

Avanços tecnológicos como scans TEP oferecem novas perspectivas sobre o papel que o colesterol desempenha tanto no modelo de cascata amilóide como no modelo vascular de desenvolvimento de demência de Alzheimer.

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Notas do Dr. Michael Greger

Abordei primeiro as preocupações sobre os efeitos cognitivos das drogas de estatinas para baixar o colesterol há anos no meu vídeo Toxicidade Muscular das Estatinas. Desde então abordei o risco de cancro da mama que lhe está associado (Medicação de Estatinas para Colesterol e Cancro da Mama Invasivo) e o seu nível surpreendentemente baixo de eficácia (O Verdadeiro Benefício da Dieta versus Medicação).

Agradecidamente, a mesma dieta que pode proteger o coração pode proteger o cérebro:

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Fontes citadas

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Colesterol e Alzheimer

Milhões sofrem de doença de Alzheimer. E os tratamentos disponíveis e previsíveis são decepcionantes na melhor das hipóteses. Dada a ausência de tratamentos modificadores da doença, tem havido um interesse crescente em estratégias eficazes para a prevenção da doença em primeiro lugar. Mesmo se fossemos capazes de apenas atrasar o início por tão pouco quanto um ano, poderíamos potencialmente prevenir mais de nove milhões de casos ao longo dos próximos 40 anos. Uma vez que as funções cognitivas estão perdidas nos doentes com doença de Alzheimer, podem estar perdidas para sempre. Por conseguinte, a prevenção, em vez de uma cura para a doença de Alzheimer, aparenta ser uma estratégia mais realista para se atrasar o impacto catastrófico desta demência. Evidência considerável indica agora que a doença de Alzheimer é principalmente uma doença vascular, baseada em várias linhas de evidência que apontam para circulação prejudicada de sangue para o cérebro. Fatores de risco vasculares, tais como colesterol alto podem ser vistos como uma bomba-relógio para a doença de Alzheimer. O que é ruim para o coração pode ser ruim para a mente. Tradicionalmente, tem havido duas teorias concorrentes para a causa da doença de Alzheimer, o modelo de cascata amilóide que implica a formação de placas amilóides no cérebro, e o modelo vascular que argumenta que é da falta de fluxo de sangue adequado para o cérebro devido a aterosclerose. Agora percebemos que elas não são mutuamente exclusivas, e que a doença arterial pode desenvolver um ciclo vicioso no qual as placas ateroscleróticas nas artérias podem contribuir para placas de Alzheimer no cérebro. Embora por vezes retratado como equivalente a veneno, o colesterol é um componente estrutural essencial de todas as nossas células, é por isso que o nosso corpo o fabrica, mas se estiver em excesso, pode tornar-se um fator principal a contribuir para várias doenças, incluindo doença coronária, acidente vascular cerebral e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer. O excesso de colesterol no sangue é reconhecido unanimemente como sendo um factor de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, e o colesterol pode ter um papel activo na progressão da doença de Alzheimer, também. Estudos de autópsia descobriram que os cérebros de Alzheimer têm significativamente mais colesterol do que cérebros normais, e parece acumular-se, especificamente, nas placas senis do cérebro com Alzheimer. Mas costumávamos pensar que o reservatório de colesterol no cérebro era separado do reservatório que tínhamos no sangue, mas agora há cada vez mais evidências do contrário. Por exemplo, o LDL pode ser capaz de atravessar a barreira hematoencefálica para o cérebro. Assim, uma dieta rica em gordura pode não só aumentar os níveis de colesterol no sangue, como também o influxo de colesterol para o sistema nervoso central. Além disso, ter colesterol elevado pode até mesmo danificar a própria barreira hematoencefálica e permitir que ainda mais colesterol flua para o cérebro, proporcionando o elo que faltava entre colesterol elevado e doença de Alzheimer. Os indivíduos com níveis mais elevados de colesterol na meia-idade têm um maior risco de vir a desenvolver doença de Alzheimer. Um colesterol acima de 250 pode triplicar as chances de Alzheimer. E agora temos scans cerebrais com alta tecnologia TEP que podem correlacionar directamente a quantidade do chamado mau colesterol no nosso sangue com a quantidade de acumulação amilóide no nosso cérebro. Pode-se fazê-lo mesmo numa placa de Petri; adicionar colesterol fá-los produzir mais da amilóide que compõe as placas de Alzheimer, ao passo que a remoção de colesterol pode diminuir o nível de amilóide libertada pelas células. Além disso, a degradação da amiloide é menos eficiente, o limpar da amilóide é menos eficiente num ambiente de elevado colesterol. O colesterol pode assim ajudar a semear o acumular de amilóide. Usando um microscópio eletrónico, pode-se ver a aglomeração de fibras amilóides em pequenos micro-cristais de colesterol e em torno destes. Uma vez no cérebro, o colesterol também pode passar por auto-oxidação, causando a formação de radicais livres altamente tóxicos. Assim, pensa-se que ter níveis elevados de colesterol no sangue aumenta o risco de demência, não só ao induzir aterosclerose e prejudicar o fluxo sanguíneo, como pode afetar diretamente a neurodegeneração dentro do cérebro. Em conclusão, o excesso de colesterol alimentar poderia, em princípio, contribuir para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, e as evidências que ligam o colesterol elevado à doença de Alzheimer parecem estar a aumentar de forma constante. Claro, algum deste trabalho foi pago por empresas farmacêuticas na esperança de capitalizar com a doença de Alzheimer com estatinas para baixar o colesterol; irónico, já que as próprias estatinas podem causar défice cognitivo. Embora raro, os efeitos secundários das estatinas podem incluir perda de memória de curto e longo prazo, mudanças de comportamento, dificuldade de concentração e atenção, paranóia, e ansiedade, tão cedo quanto cinco dias após o início da medicação, mas às vezes até meses mais tarde, embora as pessoas devam recuperar-se dentro de um mês após pararem com os fármacos. Uma estratégia melhor, então, pode ser a de se mudar os fatores de estilo de vida que levam ao colesterol elevado, em primeiro lugar, em particular a gordura saturada da dieta, mas não é o suficiente simplesmente dizermos aos nossos pacientes individualmente. A implementação sistemática de campanhas educativas a promoverem mudanças radicais nos valores culturais e sociais pode ser necessária para se adotar estratégias de derrotar a doença de Alzheimer por pacientes num sentido mais amplo, e tais acções podem fornecer dividendos potencialmente enormes, ao prevenirem tanto a doença cardiovascular como a demência, duas das nossas principais causas de morte. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET

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Imagem graças a geralt via Pixabay.

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