Alzheimer e Aterosclerose Cerebral

A falta de um fluxo sanguíneo adequado para o cérebro devido a entupimento das artérias cerebrais poderá desempenhar um papel principal no desenvolvimento e progressão de demência de Alzheimer.

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Notas do Dr. Michael Greger

Se esta informação soa familiar, é por ter sido partilhada na minha revisão anual na apresentação ao vivo de 2014 Da Mesa para a (In)Capacidade: Combatendo Doenças Incapacitantes com Alimentação.

Como expliquei no meu último vídeo, Alzheimer Poderá Começar Décadas Antes do Diagnóstico (Legendado em Português), nunca é cedo demais ara se começar a comer e viver um estilo de vida saudável para o cérebro.

A medicina do estilo de vida é crítica para o nosso corpo e mente:

O fluxo sanguíneo é igualmente importante para outros órgãos críticos: Colesterol e Disfunção Sexual Feminina e Sobrevivência do Mais Firme: Disfunção Erétil e Morte (Legendado em Português).

Tem uma questão para o Dr. Greger sobre este vídeo? Deixe-a na secção de comentários no link original e ele procurará responder-lhe!

Fontes citadas

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Alzheimer e Aterosclerose Cerebral

Em 1901, Auguste foi levada para um asilo de loucos em Frankfurt, na Alemanha, pelo seu marido. Ela foi descrita como uma mulher delirante, esquecida e desorientada que “não já conseguia levar a cabo as suas funções domésticas.” Ela foi vista por um Dr. Alzheimer, e viria a ser o caso que tornou o nome dele familiar. Na autópsia, ele descreveu as placas e emaranhados no cérebro que viriam a caracterizar a doença. Mas perdido na emoção de descobrir uma nova entidade, uma pista poderá ter sido ignorada. Ele descreveu alterações arterioscleróticas – endurecimento das artérias – dentro do cérebro dela. Tipicamente pensamos em aterosclerose no coração, mas a aterosclerose envolve virtualmente todo o organismo humano, toda a nossa árvore vascular. E um dos exemplos mais pungentes desta natureza sistémica é a ligação entre doença arterial coronária, doença degenerativa do cérebro, e demência. Na década de 70, o conceito de demência cardiogénica foi proposto: demência gerada a partir do sistema cardiovascular. Uma vez que o cérebro em envelhecimento é altamente sensível à falta de oxigénio e uma vez que os problemas cardíacos são tão comuns, era fácil imaginar que fosse assim que a demência pudesse resultar. E agora temos um corpo substancial de provas que associa fortemente a doença vascular aterosclerótica com a causa #1 de demência, a doença de Alzheimer. Estudos de autópsia, por exemplo, demonstraram que indivíduos com a doença de Alzheimer têm significativamente mais estreitamento aterosclerótico das artérias no seu cérebro. Isto é o como as nossas artérias cerebrais devem aparentar: abertas, limpas, permitindo que o sangue flua. Isto é o com que a aterosclerose nas artérias cerebrais se parece. Entupidas com gordura e colesterol, fechando as artérias, restringindo o fluxo sanguíneo para o nosso cérebro. Que tipo de artérias cerebrais você quer na sua cabeça? O fluxo sanguíneo cerebral de repouso normal, a quantidade de fluxo sanguíneo que circula nos nossos cérebros, é de cerca de um litro por minuto, mas perdemos cerca de metade de 1% ao ano, e assim, por volta dos 65 anos podemos ter menos 15 a 20%. Mas isso não afeta necessariamente a função cerebral já que temos um buffer embutido. Contudo, este declínio do fluxo sanguíneo cerebral com a idade pode tornar-se crítico para a sobrevivência das células cerebrais se uma carga adicional reduz ainda mais esse fluxo. Esta redução do fluxo sanguíneo pode privar o cérebro de oxigénio, causar mini-derrames silenciosos, atrofia cerebral, encolhimento, cujos efeitos cumulativos parecem desempenhar um papel fundamental no acelerar e aumentar do desenvolvimento e evolução da doença de Alzheimer. Se se olhar para a quantidade de aterosclerose nas artérias que fornecem sangue especificamente para os centros críticos de aprendizagem e memória do cérebro, esta é a quantidade de aterosclerose grave que se vê em controles saudáveis não dementes em comparação com aqueles com doença de Alzheimer. À luz de tais constatações, alguns sugeriram mesmo que a doença fosse reclassificada como um distúrbio vascular. Esta é uma boa notícia, porém, porque a aterosclerose é potencialmente reversível. Estes resultados foram confirmados em dois estudos maiores: mais de mil autópsias cada um, as quais encontraram a mesma coisa. A aterosclerose no cérebro é significativamente mais frequente e grave naqueles com doença de Alzheimer. Isto sugere que as estratégias comprovadas para se retardar a progressão de doença arterial, como as dietas à base de plantas, poderão ser úteis na prevenção ou tratamento da doença de Alzheimer. Claro que os estudos de autópsia são um pouco tardios para isso. Assim, para se avaliar o impacto do estreitamento arterial intracraniano na progressão de défice cognitivo ligeiro até doença de Alzheimer, os pesquisadores acompanharam 400 pessoas com défice cognitivo durante quatro anos usando a angiografia TC – scans TAC especiais para se avaliar a quantidade de obstrução de artéria cerebral. A cognição daqueles com a menor quantidade de aterosclerose nas suas cabeças permaneceu bastante estável ao longo dos anos. Mas aqueles com mais acúmulo de colesterol pioraram, e aqueles com o maior bloqueio declinaram rapidamente. E o mesmo com a capacidade para realizarem atividades da vida diária. E duplicou a progressão para doença de Alzheimer completamente instalada. Um suprimento ineficiente de sangue para o cérebro tem consequências muito graves no funcionamento cerebral. Mas será que o tratamento de fatores de risco vasculares como hipertensão arterial e colesterol elevado fazem realmente diferença? Nós não o sabíamos … até agora. 300 pacientes com a doença de Alzheimer, e aqueles com todos os seus fatores de risco vascular tratados mostraram significativamente menos declínio, tipo uma progressão abrandada da doença, do que aqueles que não foram tratados. Diz-se que o “objetivo da medicina é oferecer aos pacientes esperança, e quando não há esperança, compreensão.” Bem, pela primeira vez na história desta doença, temos a oportunidade de oferecer aos pacientes de Alzheimer, esperança. Nutrição em Factos, a mais recente pesquisa em nutrição. Publicações em Português / traduções voluntárias em NF.FOCOEMPATICO.NET

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